19 de mar de 2009

Into the Wild


Ficar em casa, em vez de trabalhar, tem as suas vantagens e as suas desvantagens.
Comecemos pelas vantagens: no meu caso leio muito e com isso aprendo imenso. No ano e meio que não tive horário de pessoa trabalhadora, cresci muito, principalmente porque tive tempo para tomar consciência do que acontece à nossa volta. Coisa que ainda não tinha conseguido fazer antes de "ser obrigada a parar" quando vim para a Alemanha e me encontrei no desemprego.
Desvantagens: tomar consciência do mundo não é peso fácil de carregar. Faz-nos desejar ter fechado os ouvidos e os olhos para que nada tivesse conseguido saltar as barreiras protectoras que por vezes conseguimos criar.
Há quem resolva apenas correr. Fugir?

Imaginem que já viram muita coisa que não gostaram e se apercebem que afinal... Não há como mudar o mundo. Não há outro caminho a seguir senão o de sempre. Imaginem que a vossa vontade é regressar às origens, que pensam ser a Natureza. Sem a presença de mais ninguém. Imaginem que afinal descobriram que esse lugar existe, e que é num canto qualquer no Alasca. E imaginem que concretizam o vosso sonho de lá chegar, depois de um ano de preparação física.
Sim, preparariam-se fisicamente, estudariam sobre o Alasca, escutariam com atenção os que já lá estiveram tentando obter o máximo de informação que pudessem para que conseguissem sobreviver. Anotariam tudo e fariam tudo como escreveram.
Christopher McCandless fez essa caminhada espiritual e achou que encontraria a paz no Alasca. E encontrou. Mas antes agonizou, durante os últimos dias de vida, em que os passou à fome, doente e só.
Escreveu um diário da sua jornada mas foi num livro que lia que apontou as respostas que tanto procurava, sendo a mais importante para mim, "a felicidade só é atingida se for partilhada".

Uma história verídica transformada em filme por onde podemos viajar nas diferentes paisagens dos EUA que Christopher percorreu até aos seus últimos dias.

5 comentários:

Si disse...

Lembro q, depois de ver este filme, pesquisei na net e fiquei a saber que havia uma ponte a cerca de 5km para norte do local onde ele queria atravessar o rio - e ele nao imaginava!
Compreendo q ele tenha tido necessidade de se isolar, estar em paz, etc, mas nao entendo como nem sequer se preveniu c mapas...
Deixou-me tb triste saber q quase se podia ter salvo, pois foi encontrado poucos dias depois...

Ana disse...

Sim, sim. Não deixa de ser uma história triste por nos pormos a pensar nessas questões. Quase me deu vontade de lhe chamar Tótó! Mas acho que na fantasia dele, ele tinha conseguido o que planeara: atingir um local mais isolado possível. Os amigos dizem que se ele tivesse sabido previamente de que aquele sítio teria a tal ponte, teria continuado mais além, até um outro sítio ainda mais isolado. Portanto, acho que era suposto ter sido assim o seu fim.

rafa disse...

Encontrei a paz a ver este filme - adormeci a meio! Mas é injusto pois terei que o ver outra vez para construir uma opinião ;)

Ana disse...

Rafa, a paz de cada um encontra-se na altura certa para cada um ;)
Como dizia uma amiga minha, "se não gostas do livro que estás a ler, não forces! Pode ser que haja uma outra altura para o ler que seja a certa. Ou talvez não."
Acho que o mesmo se aplica a filmes.

rafa disse...

Ana, a paz ali encontrada foi de cansaço - não me forcei a ver o filme pois nem poderia, estava exausto para caraças! Mas tenho-o aqui em DivX - junto com uma dezena de filmes que ainda não vi para depois o retomar!

Bj