13 de mai de 2008

MORTE EM VENEZA



















Morte em Veneza (Der Todt in Venedig) de Thomas Mann, é uma comovente descrição da decadência de um conhecido escritor - Gustav Aschenbach - por Veneza, apaixonado, fenecendo, decaindo, derrotando-se, mostrando-se, aniquilando-se completamente; partilhando connosco cada passo tomado pela cidade da Lagoa, Veneza e Lido (pelo existente mas com fictício nome de Hotel dos Banhos). Tadzio é a sua paixão e cada olhar conquistado representa uma vitória mais para o velho escritor, entre a sua solidão e os seus arrebatamentos de artista. Este ser assexuado cai e decai perante a doença - cólera asiática - e perante estoutra doença, talvez tão fatal, o amor.

Fui apontando as antíteses que fui encontrando - mas muitíssimas mais existirão:

Veneza vs Munique
Cólera vs Paixão
Juventude vs Velhice
Viagem vs Conformismo
Interior vs Exterior
Doença vs Amor
Efemeridade vs Perenidade

Outras observações interessantes que fui fazendo e apontando:

1_Segundo Cícero : Motus Animi Continuus - reside a eloquência nos momentos lúcidos de produção contínua
2_ Aproximação a Veneza por mar é algo que me lembra a descrição de Pessoa no seu livro-guia sobre Lisboa: What the tourist should see. Esta é a maneira ideal de nos aproximarmos e entrarmos numa cidade marítima.
3_Este é uma Lolita masculina, não por Nabukov, mas por Mann e sem a imensa reciprocidade e carnalidade, apenas platonismo
4_TInha visto primeiro o filme de Luchino Visconti que achei belíssimo - duro e trágico
5_Descrição perfeita de Veneza na página 97 - não irei transcrever, leiam!
6_Imagem do filme de Visconti, com Tadzio em 1º plano e Aschenbach em fundo.

O livro (e o filme) são belíssimos, são muito mais que uma mera atracção proibida escalpelizada ao ínfimo detalhe da aproximação e da tentativa, é a dissertação sobre o estado de alma do ser solitário e do pensamento do observador - escritor! Leiam + vejam!

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