29 de out de 2010

"Está a brincar, Sr. Feynman!"


Este livro foi-me oferecido em 1995. Finalmente, passados 15 anos, decidi-me a lê-lo. E que bela decisão! Este livro é um baú de histórias interessantes, cómicas e, ao mesmo tempo, lições - da vida e de física. :)
Richard Feynman quando recebeu a notícia que ganhou o Nobel da Física, em 1965, teve a seguinte reacção: "são 4h da manhã, ligue-me amanhã a horas decentes!". Este prémio não o mudou enquanto pessoa, só deixou a sua agenda um pouco mais cheia.
Estas memórias foram gravadas, por um jovem amigo percussionista, em conversas informais e daí surgiu este livro. Aqui ficam alguns trechos interessantes e/ou cómicos.

" (...) a senhora começou a falar comigo em português: 'Fala português? Que bom! Como é que aprendeu?'. '(...) comecei a aprender espanhol, depois descobri que vinha para o Brasil...' Agora queria dizer: 'Por isso aprendi português', mas não conseguia descobrir a maneira de dizer por isso. Contudo, sabia construir palavras GRANDES, (...) acabei a frase desta maneira: 'CONSEQUENTEMENTE, aprendi português!". (...) ela disse: 'Oh, ele fala português! E com palavras maravilhosas: CONSEQUENTEMENTE!"

"Uma pessoa sensata poderia ter-me dito que aquilo era perigoso: quando estamos longe e temos apenas papel, e nos sentimos sós, lembramo-nos de todas as coisas boas e não nos conseguimos lembrar das razões por que discutimos. E não resultou. As discussões recomeçaram imediatamente e o casamento só durou dois anos."

"Quando somos novos, temos várias coisas com que nos preocupar - se devemos ir a determinada parte (...). E preocupamo-nos, tentamos decidir, mas depois aparece outra coisa qualquer. É muito mais fácil pura e simplesmente decidir. (...) Fiz isso uma vez (...), fartei-me de ter de decidir que tipo de sobremesa comer na cantina, pelo que decidi que seria sempre gelado de chocolate, e nunca mais me preocupei com isso - tinha a solução para aquele problema."

"(...) o tipo que falara comigo estivera apenas a certificar-se daquilo que pensava - os maridos gostam sempre de provar que as mulheres não têm razão - e descobriu, como acontece muitas vezes aos maridos, que a mulher tinha toda a razão. "

19 de out de 2010

DEIXA-ME ENTRAR (anglo-americano)


















O filme anglo-americano Let Me In (2010) não poderia ser introduzido sem lhe referir a ascendência sueca, ou seja, a parelha livro/filme escritos por John Ajvide Lindqvist que lhe serviram de base e com título internacional de Let The Right One In (filme por Tomas Alfredson de 2008 que teve estreia comercial em Portugal sob o nome Deixa-me Entrar). Este é um mais do que assumido orgulhoso remake em que a história e as personagens são adaptadas para o público americano e com ele todos nós: qualquer obra de sucesso em cinema que não anglófona será eventualmente adaptada.

(...) 


Ler o resto da crítica no Magazine HD n5, de Outubro de 2010, pág. 34 (suplemento Take)

17 de set de 2010

Presto


Presto é uma curta-metragem da Pixar.
Para ver clicar aqui.

11 de set de 2010

O vendedor de sonhos


Este livro, do escritor Augusto Cury, chegou-me pelas mãos de uma amiga que, ao entregar-mo, disse "quando terminares, dá-o a outra pessoa, pois foi isso que me disseram quando o recebi".
E agora entendo o porquê deste livro-prenda-temporária: há muita gente a precisar de aprender a vender sonhos. :)
Há uma aprendizagem constante, sobre nós mesmos e a sociedade, durante a leitura deste vendedor de sonhos. Aqui deixo duas verdades que li:
- "Não dialogar com os outros é um acto tolerável, mas não dialogar consigo mesmo é um acto insuportável."
- "Os trabalhadores que tinham salários satisfatórios, mas sem posição de liderança (...) nas empresas, tinham tempo para os amigos, para sentir o perfume dos alimentos, relaxar nos finais de semana, dormir e despertar sem ser asfixiados com preocupações. Enquanto para os líderes empresariais, essas experiências eram artigos de luxo. No bom sentido da palavra, 'os vassalos viviam pela primeira vez melhor do que o feudo'."
Canção do vendedor de sonhos:
Sou apenas um caminhante
que perdeu o medo de se perder
Estou seguro de que sou imperfeito
podem-me me chamar de louco
podem zombar das minha ideias
Não importa!
O que importa é que sou um caminhante
que vende sonhos para os passantes
Não tenho bússola nem agenda
não tenho nada, mas tenho tudo
Sou apenas um caminhante
à procura de si mesmo.
Vender sonhos já eu o fazia,mas agora tenho novas técnicas de "marketing" :)
Quem será o próximo dono desta prenda-temporária?...

8 de ago de 2010

SIGNS

23 de jul de 2010

10 filmes a ver (da década 2000-2009)

Vi num site uma lista dos 10 filmes estrangeiros mais importantes da última década (2000-2009).
Aqui vai então:
1- Pan's Labyrinth (2006)
2- O Tigre e o Leão (2001)
3- O escafandro e a borboleta (2007)
4- City of God (2004)
5- Habla con ella (2002)
6- Spirited away (A viagem de Chihiro) (2001)
7- In the mood for love (2001)
8- The lives of others (2006)
9- Amores Perros (2000)
10- Caché (Hidden) (2005)

Vi quatro destes filmes - tenho que me apressar, para ver os restantes, antes que se publique a lista da próxima década :)

20 de jun de 2010

The Arrival



Este livro de banda desenhada, do autor australiano Shaun Tan, é lindo e vê-se em 10 minutos. Vê-se, não se lê!
Esta história não tem palavras, só imagens. É como um filme mudo impresso em papel, e as tonalidades variam entre degradés de sépia.
Diz-se que uma imagem vale mais do que mil palavras - eu já vou em 59, por isso fico por aqui :)

24 de mai de 2010

MAGAZINE HD

Chegou uma nova revista sobre cinema ao mercado - apanhem, desfrutem, folheiem. Aqui o site > http://www.magazine-hd.com. Neste primeiro número participo eu :)

SHUTTER ISLAND



















intro

Shutter Island (2010) pode ser resumido e rotulado como um filme não-Scorsese, mas tal opinião será sempre redutora perante a obra – até porque o que não é alheio a todas as áreas de criação é a inovação; que surge naturalmente acompanhada com irregularidades na qualidade e  lado a lado com uma aceitação intermitente pela crítica e pelo público. O último filme de Scorsese é um objecto estranho na sua obra, mas não é por isso que se classifica como um mau filme, nem por sombras.

crítica

Compramos o último cd de uma determinada banda que já conhecemos e gostamos porque lhe identificamos um estilo e é pela continuidade desse que não abdicamos de termos o seu último trabalho. Qualquer alteração a esse estilo será sempre acompanhado com alguma estranheza. O mesmo se passa no cinema e se em David Lynch o magnífico Uma História Simples (The Straight Story - 1999) constituiu uma quebra consciente com a linha do realizador, Shutter Island não é nem uma quebra óbvia nem sequer uma consciente afirmação da diferença [na filmografia de Scorsese]. Ang Lee prova filme após filme que se pode abdicar absolutamente dum estilo vincado e continuar a fazer bom cinema, saltitando entre obras magníficas e tão diversas como Comer Beber Homem Mulher (Yin Shi Nan Nu - 1994) ou O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain - 2005). 

(...)

Restante da crítica no n1 da Magazine HD, Suplemento Take

2 de abr de 2010

Em Março

Filmes vistos ou revistos em Março e a comentar brevemente por aqui : 

SHUTTER ISLAND (Scorcese) | visto no Saldanha Residence 0000006000
LESBIAN VAMPIRE KILLERS | visto nas Flores Sessions 0003000000
WHERE THE WILD THINGS ARE (Spike Jonze) | visto nas Flores Sessions 0000006000
A SERIOUS MAN (Coen) | visto nas Flores Sessions  0000000080
FOOD (de Jan Svankmajer) | visto na LX Factory Sessions 0000000080
ALICE (de Jan Svankmajer) | visto nas Flores Sessions 0000000080
ALICE IN WONDERLAND (da Disney) | visto nas Flores Sessions 0000000700
ALICE IN WONDERLAND (Tim Burton) | visto nas Amoreiras 0000006000
THE HURT LOCKER (Kathryn Bigelow) | visto nas Vasco Sessions, Saldanha 0020000000
LITTLE OTIK (de Jan Svankmajer) | Visto nas Flores Sessions 0000000080
INVICTUS (Eastwood) | Visto nas Flores Sessions 0000006000
FAUST (de Jan Svankmajer) | Visto nas Flores Sessions 0000000080
THE BOY IN THE STRIPED PYJAMAS | Visto nas Flores Sessions 0100000000
O TAMBOR | Visto nas Flores Sessions 0000000009
NO QUARTO DE VANDA (Pedro Costa)  | Visto nas Flores Sessions 0000400000
MEAN STREETS (Scorcese) |  visto na LX Factory Sessions 0000000700
LION KING (Disney) |  Visto nas Flores Sessions 0000050000
ONCE UPON A TIME IN AMERICA (Leone) |  Visto nas Flores Sessions 0000006000

Livros de Março:

LOGICOMIXLido por LX 0000006000

Filmes de Abril, ainda a ver:

PRECIOUS Visto nas Flores Sessions 0000000700
TIME OF GYPSIES (Kusturika)Visto nas Flores Sessions 0000000700
WALKABOUTVisto nas Flores Sessions 0003000000
THE INNER LIFE OF MARTIN FROSTVisto nas Flores Sessions 0020000000
TAXI DRIVER Visto nas Flores Sessions 0000000080
INLAND EMPIRE Visto nas LX Sessions 0003000000
MANDERLAY Visto nas Flores Sessions 0000400000
PARANOID PARK Visto nas Flores Sessions 0020000000
RUÍNAS  Visto nas Lx Sessions 0000050000
MAR ADENTRO Visto nas Lx Sessions 0000000080  
LAST NIGHT  Visto nas Lx Sessions 0020000000 
LATE MARRIAGE  Visto nas Lx Sessions 0020000000 
MYSTERIOUS SKIN  Visto nas Flores Sessions 0000000700 
JAIME | Visto no Festival Panorama, São Jorge 0000400000 
COFFEE & CIGARETTES | Visto nas Lx Sessions 0000000700
THE EDUKATORS | Visto nas Lx Sessions 0000050000 
THE BEAT THAT MY HEART SKIPPED | Visto nas Lx Sessions 0000050000 

(...) 

Revistas de Abril:

MAGAZINE HD / TAKE

28 de fev de 2010

O SANGUE


















É a primeira longa do excessivamente homenageado Pedro Costa. É de 1989. Tem excelente trabalho de fotografia vindo da época em que se sabia pintar com a sombra - o director de fotografia é Martin Schafer que, estranhamente, vem na página do imdb dedicada a ele como tendo falecido um ano antes do filme ter sido feito.. bizarro. Enfim. Além da fotografia este filme é lixo. É mau. Tem péssima direcção de actores. Tem enormes erros de casting. Péssimo som. Não linearidade numa história que se pretende contar e não que se tenha assumido como não entendível. 

Tem evocações a Bergman - mas fica-se pelo querer, tem referência  ao neorealismo italiano (Ettore Scola, bla bla) mas perde-se em pretensiosas interpretações e não chega a lado nenhum. É doloroso ver este filme com o som correndo - mas doloroso numa maneira má, não numa maneira boa como em Cronemberg. Sugiro que se o veja sem som, com o som desligado e apreciar o excelente trabalho artístico que é a fotografia, porque o resto do filme é absolutamente mau! Nem a utilização dos edifícios dos Olivais de Raul Hestnes Ferreira ajudam a compor mais que um péssimo trabalho que foi financiado publicamente e que é elevado aos píncaros dentro da elite intelectual portuguesa. Porquê? Barriguices - umbiguices. 

Além da fotografia a única coisa que escapa - faço aqui uma pequena vénia e um apontamento merecido - é a interpretação de Nuno Ferreira no papel de Nino (o do cartaz). É pena que tenha sido o seu único filme, seria certamente melhor actor que muitos dos outros que passearam falta de qualidade neste filme e que vieram a fazer dezenas e dezenas de filmes.  Como curiosidade, aparece também Manuel João Vieira no seu primeiro papel em cinema.

Visto em Lx - Flores Cinema

filme :  0100000000  fotografia :  0000000009  

23 de fev de 2010

DUNE (livro)


















Não escondo que me senti ofuscado pela obra de Lynch (Dune - 1984) ao ler o livro original no qual se baseou, este Dune de Frank Herbert escrito em 1965. Se o processo tivesse sido o inverso - ou seja, se tivesse lido o livro e depois o completasse com o filme - porventura seria mais um dos fãs a clamar pela cabeça de David Lynch por se ter esquivado a fazer uma total fiel adaptação ao cinema. Mas o processo foi o contrário e foi o filme de Lynch que me abriu o apetite para este; e este que me fechou algumas áreas cinzentas ocultas no filme de Lynch

O livro é não menos do que genial - tornou-se o paradigma, a epítome do género sci-fi que surge original em referências proto-medievais aos povos judaico-cristãos e ao misticismo pré-árabe (em contraste com o corrente do género em que o futuro é o objectivo e ponto focal e não o veículo para conter uma história). As iniciais preocupações ecológicas de Frank Herbert frutificaram para uma saga contaminante que se lê em dias - interessante verificar a proximidade das figuras centrais, a Casa Atreides à mitologia Helénica dos Átridas.

Leiam - serão fãs instantâneos.

Lido por LX.

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CHILDREN OF DUNE



















Outra minisérie saída do universo Dune e que se foca nos livros seguintes e à continuação da história do livro Dune de Frank Herbert. O baixo orçamento investido percebe-se imediatamente e a série falha também em péssimas interpretações (nem Susan Sarandon se safa). É interessante para um fã do misticismo de Dune mas torna-se também a sua óbvia desilusão - pois não se consegue captar em toda a sua verdadeira dimensão. 

Agora que foi anunciado um novo projecto Dune, a ser realizado por Peter Morel (Banlieue 13) e a sair em 2012, espero que a saga de Herbert encontre uma justa passagem para o cinema que só encontra paralelo no ostracizado Dune de Lynch.

Visto por LX

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DUNE (extended)


















Surge aqui o comentário porque esta versão extended é bastante diferente da original de David Lynch de 1984. E é extended e não director's cut porque Lynch não participou nem aceitou esta edição feita unicamente pelos estúdios, obrigando até a substituir o seu nome dos créditos da direcção e do argumento, substituídos como Alan Smithee e como Judas Booth, respectivamente (é notória a insatisfação de Lynch aqui).

Aumentada em cerca de 30 minutos (versão anterior tinha 137 e esta tem 189, mas com créditos em duplicado) foi preparada pela Universal para a televisão e depois trabalhada para edição extended em DVD, com outras partes não incluídas nessa primeira versão. Existe ainda uma versão que junta todas as diferentes versões e que está disponível apenas online, via YT e que é uma fanedit

Diferenças substanciais é a expansão das personagens de Gurney Halleck e de Shadout Mapes e o final alternativo - colado na íntegra ao original do livro (e que de certa maneira me deixou desapontado, eu que me habituei ao filme de 1984). É no entanto uma versão cativante e mesmo que Lynch se tenha afastado do projecto - a sua marca é mostrada aqui em toda a sua glória.

Vista por LX, aqui e ali. 

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FRANK HERBERT'S DUNE



















Após toda a expansão do universo do Dune para o mundo dos jogos e ainda baseado nas tentativas de Lynch em fazer uma sequela - pois o livro de Herbert e a sua continuação seriam impossíveis de conter num filme só - surgiu com naturalidade uma versão televisiva em formato de minisérie que segue o mesmo período de tempo do filme Dune de 1984 e que corresponde ao primeiro livro da saga.

Perdeu-se muito da imagética criada por Lynch mas é também verdade que esta obra se aproxima muito mais ao livro, daí até o ter sido chamada de Frank Herbert's Dune (2000). É-me muito menos atractiva e a interpretação fica a léguas da do filme - num elenco que conta de actores conhecidos apenas com um cinzento William Hurt - e não falha completamente pois se cumpre a colagem ao mundo e iconografia medieval pretendida por Herbert

Vista em LX

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DUNE


















David Lynch surgiu de para-quedas num projecto que andou saltitão de produtor em produtor e de realizador em realizador. Já antes tinha sido alinhado Ridley Scott para passar a saga de Dune (começada a publicar por Frank Herbert em 1965) para o cinema. Ridley Scott deixou o projecto – para realizar o Blade Runner – por antever trabalhos de pré-produção ciclópicos na esteira do que já tinha sido tentado por Alejandro Jodorowsky (Holy Mountain) num filme que teria sido megalómano. Este não-filme juntou HR Giger (que desenhou as famosas cadeiras Harkonnen para este projecto), Moebius, Dan O' Bannon (argumentista de Alien, que seria dirigido por Ridley Scott), David Carradine e Salvador Dali.

Este filme de Lynch acompanhou-me desde sempre – faço uma compilação agora sobre o tema para um artigo e acabo por descobrir diversas derivações ao livro de Herbert. Este Dune (1984) é de todos o que é menos fiel ao livro e foi por isso rechaçado por críticos e fãs. O que teria sido entendido como a primeira de uma saga com várias sequelas acabou por se ficar por apenas este título – Lynch ainda trabalhou durante algum tempo numa primeira sequela, mas ficou-se pelo papel.

A liberdade criativa de Lynch surge explícita na reformulação do weirding way e na introdução de alguns elementos novos como os weirding modules – e, apesar desse afastamento, foi este filme que com o tempo se tornou de culto, que democratizou o acesso ao universo Dune e que o expandiu para jogos (Dune, Dune 2, Dune 2000, Emperor of Dune) e séries televisivas (Frank Herbert's Dune e Children of Dune).

O filme é notavelmente atraente e muito bem protagonizado com um elenco que conta com Kyle Mac Lachlan, Patrick Stewart e até Sting. Tudo foi realizado como uma obra de arte numa ópera rock no deserto e o filme é magnífico, com uma atenção de detalhe em todos os aspectos. Os detractores afirmam que esta é uma falhada homenagem aos livros de Herbert – mas além de o ver com uma justa homenagem, vejo-o como uma extraordinária passagem da saga do planeta Arrakis e da spice melange para o grande ecrã. 

Visto desde sempre.  

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15 de fev de 2010

O TIGRE E O DRAGÃO


















Grandioso, épico, mitológico e físico filme - um dos dois de Ang Lee que vi ultimamente sendo o outro o Eat Drink Man Woman já aqui comentado (Comer Beber Homem Mulher de 1994 e que já tem remake americano chamado de Tortilla Soup de 2001). 
 
Este Wo Hu Cang Long (2000), chamado pelo mais conhecido título americano de Crouching Tiger Hidden Dragon abriria totalmente as portas de Hollywood a Ang Lee já depois do Sense and Sensibility (1995) e depois com Hulk e com Brokeback Mountain.
 
Ang Lee é um realizador extraordinário, um daqueles dignos de não ostentar obviamente um sinal de marca, espraiando-se por todos os géneros possíveis dentro do cinema, versatilidade máxima. O mais incrível é que consegue manter o nível de qualidade padrão dos filmes que dirige muito acima do regular ou médio seja em que formato esteja a trabalhar.

Visto nas Flores Sessions, Lx

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IMPERDOÁVEL


















Unforgiven (1992) protagonizado e dirigido por Clint Eastwood foi o regresso deste à temática do Oeste num registo de homenagem a Leone mas bem sendimentado no cinema americano. Um homem atormentado pelo passado (mas agora com nome, Munny) é obrigado a recuperá-lo e à força de bala vingar-se do vilão na pessoa de Gene Hackman. O filme é bom na sua violência e simplicidade.

O melhor deste filme é a referência à literatura romanceira (frontier stories - western fiction) dedicada aos pistoleiros do Oeste - na sua grande maioria extrapolada e exagerada, como no casos de Buffalo Bill Cody e de Louis L'Amour. Recordei-me também agora de um excelente filme que tenho que comentar brevemente - o Dead Man (1995) de Jim Jarmusch com Johnny Depp e que também se passa no Oeste, filmado num atraente e sombrio preto e branco.

Visto por ali.

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O REBELDE DO KANSAS


















No seguimento do seu trabalho com Leone e que lhe terá deixado "um bichinho" pelo Oeste selvagem americano, empreendeu Clint Eastwood o fillme The Outlaw Josey Wales (1976) que viria a ter continuação já sem Clint no The Return of Josey Wales de 1986. O próprio Clint voltaria ao tema no seu aclamado Unforgiven.

Trabalho regular e de algum modo interessante. Se bem que mais violento graficamente que os filmes de Leone, este filme é menor nesse aspecto do que os deste realizador pois nesses a violência transpirava-se em pausas e ritmos de espera. A violência é mais violenta (passe o pleonamo) quando em compasso de crescendo de espera do que quando é explícita. 

ADENDA
16/02/10

Assim como também no High Plains Drifter (1973) - na personagem do The Stranger e no Pale Rider (1985) - na misteriosa personagem do The Preacher, ambos dirigidos e protagonizados por Clint Eastwood.

Visto aqui e ali. 

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ACONTECEU NO OESTE


















Ao encerrar a Trilogia do Homem Sem Nome e tendo o projecto de Aconteceu na América  (seria realizado somente em 1984, com o título original de Once Upon a Time in America) em carteira, foi Leone convencido pelos estúdios a  produzir mais uns títulos dentro do género Spaghetti Western, agora aclamados nos Estados Unidos. Com aquele título em mente, decidiu o realizador produzir mais uma trilogia em que o Aconteceu na América seria o corolário cronológico e último tomo da série. 

Já com o orçamento multiplicado em relação aos filmes anteriores, surgiu este primeiro C'era una volta il West (1968), seguido pelo Giù la testa (Aguenta-te Canalha, 1971) e o Once Upon a Time... já referido, intercalado por um Il mio nome è Nessuno (1973) que não se inclui nesta trilogia dedicada à América. 

Tal como no O Bom, o mau e o vilão anterior, neste filme surgem três personagens em disputa que são contrabalançadas pela presença de uma mulher (a lindíssima Claudia Cardinale). Charles Bronson toma o lugar de Clint Eastwood como o homem bom e sem nome (é chamado de Harmonica no crescer do filme),  Jason Robards é o bruto como Cheyenne e Henry Fonda o vilão, como um muito credível Frank. Ao contrário da Trilogia dos Dólares no entanto, em que era o dinheiro o catalisador para a acção e história, aqui a personagem de Harmonica é movida pela vingança em relação a Frank

Obra prima do género e um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, encontro milhentas qualidades neste filme que foi filmado em inverso sobre a banda sonora de Morricone: as faixas eram postas a tocar em set e os actores movimentavam-se de acordo com a cadência sonora. Obra magistral, é uma ópera da morte no Oeste selvagem - foi filmada ainda no Sul de Espanha e de Itália como é apanágio do género (aproveitando ainda uma construção que tinha sobrado de um filme de Orson Welles), mas os interiores foram filmados em Roma na Cinecittá e algumas tiradas exteriores já nos Estados Unidos, em pleno Monument Valley. 

Além de Leone a história (de que depois foi adaptado o guião) foi escrita também por (vejam isto), por Dario Argento e Bertolucci! A lentidão forçada da câmara de Leone, os close ups nas cenas de tiroteio e os longos silêncios intercalados por som ambiente dão ao filme um ritmo perfeito em que o mais marcante não é o que acontece, mas o que se adivinha como eminente. É um verdadeiro monumento ao Oeste americano, ao empreendedorismo dos colonos e ao avanço do cavalo de ferro pelas pradarias, forjado a sangue e a balas.

Falta referir a escola que este filme fez - com inúmeras referências e homenagens. Clint Eastwood realizaria e protagonizaria o The Outlaw Josey Whales (1976) e mais tarde o multi-premiado Unforgiven (1992). Robert Rodriguez faria a sua trilogia do El Mariachi, Desperado e Once Upon a Time in Mexico, Tarantino é devedor de Leone na saga Kill Bill e os Coen fariam o No Country For Old Men.

Visto aqui e ali.

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O BOM, O MAU E O VILÃO


















E eis que com o último filme da trilogia do Homem Sem Nome e já com a aclamação americana, Sergio Leone constrói uma obra-prima do género. Neste Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo (1966) Leone viu surgirem convites de Hollywood que levaram à seguinte trilogia já feita com um budget nada normal para os filmes do género. 

Sempre acompanhado pela excelente banda sonora de Ennio Morricone, Lee Van Cleef passa aqui a interpretar um odioso vilão (Il Cattivo - do italiano para mau mas que para português foi traduzido para vilão e que serve) em contraste com o filme anterior da trilogia., onde protagonizava uma personagem de meio espectro de bondade. Clint Eastwood (Il Buono - o bom) é chamado de blondie pela boca de Tuco (Il Bruto - traduzido injustamente para mau, quando deveria ser literalmente bruto). Os três homens percorrem o Oeste entre a Guerra Civil Americana em busca de um tesouro enterrado por um soldado, competindo, aliando-se e sucessivamente traindo-se.

É de notar que normalmente os filmes Spaghetti Western tomam como objecto a guerra entre o México e o Texas ou entre o México e os Estados Unidos e baseiam-se sempre em cenários de fronteira do Texas ou Novo México devido aos actores italianos e espanhóis utilizados.


Visto aqui e ali. 

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POR MAIS ALGUNS DÓLARES














Neste segundo filme da Trilogia do Homem Sem Nome (ou dos Dólares) regressa Sergio Leone e com ele Clint num registo de muito maior qualidade do que o primeiro - passa aqui a ideia de maturidade por parte de Leone onde se destacam em maior detalhe algumas características que marcariam a sua cinematografia. 

Aqui é também apresentado um excelente Lee Van Cleef que seria um convincente vilão no último filme da trilogia mas que aqui surge pacífico (o quanto possível que é dado ser a um gunman - lawman) ao lado de Clint ajudando-o nos seus esquemas de caçador de prémios (ambos são bounty hunters). Neste Per Qualche Dollaro in Più (1965) as personagens tornam-se também mais densas cedendo espaço à construção de um imaginário individual que permite adivinhar mais (motivos - passados - histórias pessoais) do que se permite entrever entre disparos de revólver em duelos e tiroteios; algo que vai bastante além do arquétipo de Spaghetti Western.


Visto aqui e ali. 

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POR UM PUNHADO DE DÓLARES


















Foi para escrever um artigo de fundo dedicado ao sub-género Spaghetti Western (Western Spaghetti ou o também chamado de raramente Italo Western) que revi os filmes de Sergio Leone a que serve essa etiquetagem. Longe de ter lançado o género foi com Leone que este atingiu qualidades que não faziam parte de um tipo de filmes que se resumem por terem muito baixo orçamento e por se caracterizarem por equipas de filmagem mistas espanholas e italianas (ou apenas italianas) e por serem filmados sobretudo no Sul de Itália ou no Sul de Espanha.

Neste Por Um Punhado de Dólares (Per un pugno di dollari - 1964) lança-se Leone na sua Trilogia dos Dólares ou Trilogia do Homem Sem Nome, títulos que lhe abririam as portas de Hollywood e que garantiriam o estrelato futuro para um  jovem actor chamado de Clint Eastwood (o tal homem sem nome). 

Sendo reverente a Kurosawa, este é de longe o filme que menos aprecio entre os que Sergio Leone dirigiria dedicados ao Oeste (6 - um deles co-realizado e sem créditos ao realizador italiano).

Visto aqui e ali. 

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2 de fev de 2010

MATRIZ


















E aí está finalmente a revista Matriz - número 1, a primeira revista generalista totalmente gratuita feita em Portugal. Para já em formato online - surgirá até ao fim desta semana em formato de papel. Conta também com a minha participação, com o artigo arqueológico urbanístico Aprender com Lisboa, nas páginas 45/46. As fotos do artigo são minhas também. 

Folheiem aqui : http://matrizmag.com

31 de jan de 2010

Energia sem limites


Deepak Chopra apresenta-nos um livro sobre a energia física, intelectual e emocional que existe em cada um de nós. Embora o objectivo principal deste livro seja ajudar pessoas com fadiga crónica, constitui uma fonte de informação sobre muitos aspectos da nossa vida como ser humano, acabando por ajudar também aqueles que não sofrem dessa doença.

O que achei interessante neste livro foi descobrir que existem várias "constituições únicas Mente/Corpo", nomeadamente: Vata, Pitta e Kapha. O livro diz que se conseguirmos identificar "quem somos" (entre os 3 tipos) estaremos a caminho de desvendar a origem dos problemas que afectam o nosso corpo e mente, e consequentemente, de como os poderemos resolver. Esses problemas poderão ser resolvidos (ou atenuados), por exemplo, por uma melhoria da nossa alimentação (a importância de uma boa digestão), pela redução do nosso stress (a importância da meditação) e pela geração da nossa energia (a influência dos ritmos da natureza).
Este livro representa uma outra "abordagem" para o desvendar dos nossos segredos como seres humanos: Porque sou como sou? Porque reajo como reajo?

(Se bem que para mim foi mais fácil identificar os "tipos da constituição Mente/Corpo" de amigos, do que o meu próprio. Ao que parece, faço parte de um caso raro, aquele que é um pouco dos três tipos: tridóshico Vata-Pitta-Kapha. Há quem diga que deve ser o melhor de todos, "aquele que tem o que de melhor existe dos 3 tipos" :P Mas para mim, soa mais a um "Bolas, fiquei na mesma... Agora vou ter de aprender sobre os três tipos e tirar as minhas conclusões. Nem daqui a um ano acabo isto!".)

25 de jan de 2010

1613


Este livro de Pedro Vasconcelos é o primeiro de uma trilogia ("1613,"1617" e "1621") que nos leva a viajar pela época das colónias portuguesas do Oceano Índico.
D.Manuel Álvares é o soldado encarregado da fortaleza de Solor e que tenta a todo custo evitar que esta seja tomada pelos holandeses. D.Manuel faz de tudo um pouco, entalado entre lutas bélicas e de feitiçaria, desde levar a cabo as diversas ideias que poderão substituir a falta de artilharia, coordenar tudo e ter oportunidade para levar avante o amor pela nativa Nenu.
Com a vitória dos holandeses, D.Manuel viaja até Goa para ser julgado por ter perdido a fortaleza (numa altura em que Portugal é regido pelos espanhóis) e aí tenta, mais uma vez, lutar pela sua "salvação", com a ajuda de frades franciscanos e dominicanos.
Gostei muito de ler este livro porque, além de me levar de volta a Goa, é sempre bom aprender alguns factos históricos lendo um romance.
Outra coisa que gostei (e quero acreditar que tenha sido mesmo assim!) foi aprender que os frades não tentavam só propagar a sua religião, mas também aprender sobre as crenças e costumes dos povos. Aqui vai uma parte que gostei particularmente:
"A Inquisição está cada vez mais assanhada (...). São tão poderosos e tão frágeis ao mesmo tempo... Incapazes de terem a nobreza de espírito para aceitarem a diferença, aceitarem que não existe uma só verdade, que há outras formas de Deus se manifestar."

23 de jan de 2010

The Office


Depois de algumas tentativas falhadas de ver The Office (eu acabava sempre por adormecer!), no Natal recebi a série completa e finalmente vi todos os episódios deste "mockmentary" (um documentário fingido).
The Office relata o dia-a-dia dum escritório (filial de uma empresa que vende papel) e David Brent (Ricky Gervais) é o chefe que ninguém gostaria de ter, constantemente a criar situações embaraçosas a quem o rodeia (até o espectador se sente embaraçado!) e coloca-se muitas vezes no máximo do rídiculo, mas sempre com a ideia que é o chefe melhor que pode exisitir. Só Gareth (Mackenzie Crook) vê nele um líder e quer a todo o momento estar a par das decisões do chefe. Tim (Martin Freeman) e Dawn (Lucy Davis) são o par romântico que nos faz constantemente "torcer" para que um dia venham a ficar juntos.
Além das séries 1 e 2 (com 6 episódios cada), existe também o "Especial Natal" (2 episódios), que mostra o regresso à empresa, alguns anos mais tarde (não esqueçam que é uma "espécie" de documentário) e mostra as mudanças que ocorreram na vida destas pessoas.
Disse-me o B. que o segundo episódio deste Especial Natal teve uma audiência maior do que o famoso discurso de Natal da Rainha de Inglaterra! :)

22 de jan de 2010

Razões para reciclar

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12 de jan de 2010

ÁGORA


















 Este foi o filme mais remotamente honesto que me recordo de ter visto sobre a época clássica. Dos que me vou recordando enquanto componho estas linhas não encontro nem um em que o interesse histórico e a curiosidade fílmica não tenham sido ultrapassadas por um gosto demasiado acre a falta de rigor histórico - mas convenhamos, um filme é um produto comercial e alguns dos ingredientes acrescentados e alterado a/em, e citando alguns de memória como exemplo, Gladiator, Cleópatra, Spartacus, só os fizeram ficar mais apetecíveis enquanto produto e portanto, mais apetecíveis para o público.

(...)

Ver restante crítica na Take n22 aqui : www.take.com.pt


Crítica alterada e composta para publicação (aparte primeiro parágrafo todo o restante texto foi refeito na íntegra)

3 de jan de 2010

A SCANNER DARKLY



















Não sei se deva começar a incluir fichas técnicas nos artigos - se receber três sim, então sim, senão não. Também a inclusão de enlaces (uma das palavras que temos disponíveis na nossa língua para designar links) é uma trabalheira. Não sei se os inclua, esse copipastear em arroto de teclas é um conturbado cansaço para mim. Enfim, filmes.

Uma colisão entre alguns poucos filmes de que me vou recordando é o que me ocorre, agora que evoco este filme de Richard Linklater e também enquanto vou formando linhas que se espremem do meu pensamento. Um pouco de Traffic - um travo a Naked Lunch (tanto filme como livro, leiam e vejam mas protejam-se bem) e ainda Rush a saltitar num filme adaptado dum livro de Philip K.Dick. Esse mesmo, o do magistral Blade Runner e do mais recente RM. A droga e a possibilidade de demência por ela induzida lado a lado, a luta constante e a assumpção da batalha perdida por parte de quem a combate diariamente e finalmente - o polícia, que se infiltra no submundo para que o contamine por dentro e por ele acaba contaminado.

Além de ser uma boa história habilmente contada por Linklater - terei que ler ainda o livro - este optou também e à maneira de Waking Life, por usar a técnica do Rotoscoping (desenho sobre acção real filmada). Se no Waking Life a técnica resulta necessariamente pela beleza estética e curiosidade técnica que se procurava, aqui acaba por ser uma nova camada de irrealidade a juntar à já bastante abstracta visão do mundo da personagem central - simultaneamente polícia infiltrado, traficante vigiado, terrorista acusado, vigilante dele próprio enquanto polícia e viciado na fictícia substância D.

Se a descrição não passa uma ideia de que é suficientemente confuso, o filme pode ser mesmo mais do que ligeiramente perturbador. 

Visionado nas Flores Sessions - Lx

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EAT DRINK MAN WOMAN



















Magnífico filme de Ang Lee - um dos três da sua fase de Taiwan, antes da aclamação com Brokeback Mountain, e que o  revelou um realizador detentor duma irregularidade bastante curiosa, no meu entender.

A sequência inicial em que o protagonista prepara o jantar de Domingo é encantatória - Chu esmera-se na cozinha pois é a forma que tem de comunicar com as suas três filhas, e é pelo detalhe da confecção, pelo esmero que tem na cuidada mistura dos ingredientes e na obtenção do sabor perfeito dos seus elaborados cozinhados tradicionais chineses que ele (mestre cozinheiro semi-aposentado) lhes tenta chegar.

Os jantares de Domingo são um ritual a que as filhas tentam silenciosamente escapar - ele, viúvo e com o seu mais necessário sentido desaparecendo, o paladar. Elas, três irmãs tão diferentes entre si no que fazem em vida mas tão idênticas no que buscam - o amor. O pai lentamente se vai aproximando delas à força de garfadas de vida enquanto que para cada uma delas a composição do prato do amor se prepara com resultados bem distintos, ora em excesso de tempero, ora em perfeição para o palato, ora agridoce ou insonso e talvez ainda bem amargo.

Os filmes que nos conquistam pela boca, os filmes que no enchem os olhos, os filmes que vivem de afeições de sabores, de cozinha, de tachos e panelas e dedicações às papilas gustativas. Lembrei-me agora assim de repente de Chocolate e do Como Água para Chocolate, filmes desde livros onde é o paladar (e o olfacto e a visão e até o tacto - que os sentidos dançam todos em proveito do estômago) o centro do prazer. Ou ainda, lembrei-me agora, do truculento O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Desta. A vida é um prato - há que a saborear demorada e prontamente. Ou engasgarmo-nos no processo.

Visto na Flores Sessions , Lx

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31 de dez de 2009

OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES (filme)


















Depois de ler o livro de Stieg Larsson - o primeiro da série Millennium com o nome de Os Homens que Odeiam as Mulheres, traduzido para inglês com o título The Girl with the Dragon Tattoo, vi agora o filme sueco-dinamarquês que é a primeira das adaptações ainda escandinavas. Nunca esperei vir a dizer que anseio pelas versões americanas e que sairão algures durante o próximo ano, para que se apague da minha memória esta péssima adaptação que vi ontem.

Além de centrar toda a história em torno de Lisbeth Salander - a tal da tatuagem com o dragão, aproximando-se aqui do Red Dragon - a história perde-se em infinitos detalhes que a deixam a  perder em relação ao livro. É certo que seria tarefa complicada transportar para o cinema uma obra de 500 e tal páginas e tão densa em personagens, genealogias e acontecimentos. Mas poderiam ter feito muito melhor, até porque lhe aponto dois grandes e graves erros:

1 - o filme foi feito para quem tenha lido o livro - fãs, portanto - mas apaga-lhe características importantes que - ironicamente - fizeram com que o livro fosse o sucesso que fosse. Assim nenhum fã ficará satisfeito e quem veja o filme sem ter lido o livro terá que recorrer a este para preencher os muitos buracos da história.

2-  o guião é ele todo um grande erro! Aponto-lhe milhentas falhas que fazem perder o filme em relação ao livro. E se é certo que um filme nunca poderá chegar à densidade que um livro oferece, este poderia e deveria ter ido mais além na construção do livro de Larsson e na sua muito esperada passagem para o cinema. Além do notório erro de casting na selecção da actriz para Lisbeth (eu vejo-a como a Nikita de Besson e como tal seria perfeita - misto de adolescente púbere e femme fatale, tal como no livro) outros erros saltam à vista, como geográficos (a ilha que funciona no esquema de sala fechada como nos clássicos da literatura policial) e que aqui não é assim mostrada, as relações de Michael que são importantes para o fluir da história e para os avanços das suas descobertas (e que no filme desapareceram) e muitos outros (como o polícia estar ainda no activo, as imprecisões de nomes e passados, o revelar tardio da morte de Gottfried, a morte precoce de Anita, etc).

Este filme é um rotundo falhanço e uma péssima homenagem ao livro. Venham os americanos, por favor!

Visto por LX - Flores Sessions

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