31 de dez de 2009

OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES (filme)


















Depois de ler o livro de Stieg Larsson - o primeiro da série Millennium com o nome de Os Homens que Odeiam as Mulheres, traduzido para inglês com o título The Girl with the Dragon Tattoo, vi agora o filme sueco-dinamarquês que é a primeira das adaptações ainda escandinavas. Nunca esperei vir a dizer que anseio pelas versões americanas e que sairão algures durante o próximo ano, para que se apague da minha memória esta péssima adaptação que vi ontem.

Além de centrar toda a história em torno de Lisbeth Salander - a tal da tatuagem com o dragão, aproximando-se aqui do Red Dragon - a história perde-se em infinitos detalhes que a deixam a  perder em relação ao livro. É certo que seria tarefa complicada transportar para o cinema uma obra de 500 e tal páginas e tão densa em personagens, genealogias e acontecimentos. Mas poderiam ter feito muito melhor, até porque lhe aponto dois grandes e graves erros:

1 - o filme foi feito para quem tenha lido o livro - fãs, portanto - mas apaga-lhe características importantes que - ironicamente - fizeram com que o livro fosse o sucesso que fosse. Assim nenhum fã ficará satisfeito e quem veja o filme sem ter lido o livro terá que recorrer a este para preencher os muitos buracos da história.

2-  o guião é ele todo um grande erro! Aponto-lhe milhentas falhas que fazem perder o filme em relação ao livro. E se é certo que um filme nunca poderá chegar à densidade que um livro oferece, este poderia e deveria ter ido mais além na construção do livro de Larsson e na sua muito esperada passagem para o cinema. Além do notório erro de casting na selecção da actriz para Lisbeth (eu vejo-a como a Nikita de Besson e como tal seria perfeita - misto de adolescente púbere e femme fatale, tal como no livro) outros erros saltam à vista, como geográficos (a ilha que funciona no esquema de sala fechada como nos clássicos da literatura policial) e que aqui não é assim mostrada, as relações de Michael que são importantes para o fluir da história e para os avanços das suas descobertas (e que no filme desapareceram) e muitos outros (como o polícia estar ainda no activo, as imprecisões de nomes e passados, o revelar tardio da morte de Gottfried, a morte precoce de Anita, etc).

Este filme é um rotundo falhanço e uma péssima homenagem ao livro. Venham os americanos, por favor!

Visto por LX - Flores Sessions

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BUFFALO 66


















Vi finalmente o filme Buffalo 66 de Vincent Gallo - produzido, realizado, composto e protagonizado por este. Agora falta-me o The Brown Bunny - o polémico TBB. Buffalo 66 é um bom filme, é aquilo que esperava, ou seja, um pequeno épico sobre um anti-herói marginal - oprimido, acossado, abusado, agressivo, à margem da sociedade e completamente ignorado pelos pais.

Ao sair da prisão e na expectativa de reencontrar os pais - que acreditam que ocupa posição de destaque num serviço governamental - encontra uma rapariga para que se faça passar por sua mulher. É necessário dizer que o seu interesse é eliminar o jogador de futebol que falhou uma jogada no SuperBowl fazendo com perdesse uma aposta - tendo para isso e para pagar uma dívida para com o mafioso que lhe deu crédito (um pequeno papel de Mickey Rourke) tomar culpa e ocupar o lugar de um criminoso na cadeia. É necessário dizer também que a rapariga que rapta acaba por se apaixonar por ele e em isso, relutantemente, ele lhe retribui.

Falhando na vida, falhando como marginal e afectivamente um desastre é dessa partilha do seu difícil progredir diário que vive o filme. E é bom, é um road movie urbano - um Kerouac feito filme que me lembra o díptico do Coppola - Rumble Fish e o The Ousiders, mas com um homem só.

Visto nas Flores Sessions, Lisboa

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30 de dez de 2009

ÁGORA


















Este foi o filme mais honesto que me recordo de ter visto sobre a época clássica. Dos que me vou recordando enquanto componho estas linhas não encontro nem um em que o interesse histórico e a curiosidade fílmica não tenham sido ultrapassadas por um gostinho demasiado acre a falta de rigor histórico. O recurso à espectacularidade é desnecessário, mas convenhamos, um filme é um produto comercial e alguns dos ingredientes acrescentados a (por exemplo) Gladiator, 300, Cleópatra, Ben Hur, Quo Vadis, Spartacus e outros tantos, só os fizeram ficar mais apetecíveis enquanto produto e portanto, mais vendáveis.

Em Ágora encontram-se alguns retoques ao guião com esse propósito mas nada que o estrague verdadeiramente, até porque a incursão americana de Amenábar não é assim tão profunda (desde The Others e seguido por Mar Adentro). Ágora conta a história da filósofa / astrónoma e matemática Hipátia de Alexandria no Século IV. Encontramos o Império Romano em decadência e em plenas lutas religiosas - os diversos grupos confundem-se com os estratos sociais e afirmam-se com crescente extremismo e violento antagonismo. Se os pagãos são ainda a classe política e intelectual dominante dos cidadãos patrícios romanos e os judeus os comerciantes, são os cristãos - ainda não divididos pelo primeiro Cisma - que constituem o grosso das classes baixas e da classe escrava. Enquanto o Império se desmancha é no seu seio, muito alimentado pelas diferenças económicas e sociais, que frutifica a religião cristã em detrimento das anteriores divindades (e hierarquia social) do Império. Hipátia pertence à classe dirigente de origem helénica - ensina na Biblioteca de Alexandria e preocupa-se apenas com o avanço do conhecimento filosófico, longe das terrenas questões teológicas.

A história de Hipátia - que se encontra documentada - é extremamente bem contada e serve para nos introduzir dentro da época conturbada de então, o rigor histórico é extraordinário (sobretudo na reconstituição da cidade de Alexandria e da sua biblioteca, por via de maquetes e computação gráfica), os desvios são mínimos e destinam-se a adocicar a história (a morte de Hipátia é bastante mais leve no filme do que o foi realmente - presume-se) e a tornar o filme emocionalmente mais acessível (o amor platónico do escravo de Hipátia por esta e o seu interesse pela astronomia). O único erro que aponto a Amenábar é a recriação do líder religioso cristão como um fanático - o que até pode não andar muito longe da verdade, não fosse a actuação do actor se aproximar perigosamente à ideia que temos de extremista e terrorista.

O filme é excelente e recomendo. Deslumbrem-se como eu com as vistas aéreas de Alexandria.

Visto contigo - Picoas, LX

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22 de dez de 2009

AVATAR


















Não é arbitrário que eu considere Avatar insuficiente e não o considero assim por tomar de ponta o cinema dito “mainstream” norte-americano (ou seja, os filmes saídos do ventre da poderosa máquina dos estúdios norte-americanos - lide Hollywood - em oposição ao cinema independente americano e em forte contraste com o cinema europeu e os fenómenos Bollywood e Nollywood).

É precisamente por ser um seguidor entusiasta do cinema de aventura e entretenimento com o qual etiqueto Avatar (definitivamente mais próximo na forma de um Indiana Jones do que de um Star Trek), que o questiono por ser exigente com esse formato - não destacando um cinema de autor em detrimento de um cinema de massas. É exigência e não purismo, pois seria absurdo apelar a uma pureza num género que se resume em não se resumir.

(...)

Leiam a crítica completa na Revista Take n21 em http://take.com.pt

UNS BELOS RAPAZES


















A curiosidade maior é ver que este filme é uma adaptação do comic realizado pelo próprio Riad Sattouf - que recupera a sua obra e aqui a transforma em filme. A paisagem de subúrbio francês é facilmente perdida em devaneios de acne e de bullies de escola e o que poderia ser uma possibilidade interessante para escalpelizar as diferenças sociais e culturais francesa é perdida - assumindo que existem e não apenas as aflorando sem as escavar minimamente como aqui.

Eu não peço um novo La Haine nem peço que tudo o que venha deste meio se preocupe em mostrar o feio e o real - mas também estou farto de filmes ocos em que o acontecimento mais explosivo seja o de o rebentamento de uma borbulha ou o espionar dos vizinhos da frente enquanto se banqueteiam em sexo.

Apesar de tudo, gargalha-se neste filme - mas só. A secura de garganta veio depois e ao me perguntarem que descrevesse com alguma exactidão o que tinha visto já as palavras se atropelavam tentando constituirem-se em frases. É difícil resumir o não resumível por falta de substância. Ficou o grito pela aparição dos primeiros pêlos púbicos.

Visto no King - LX

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RIDICULE


















Ridículo é ter visto um filme que podia até ser sido interessante com legendagem em inglês mal feita. Como o filme vive do jogo da palavra, do axioma e da parábola e o meu francês não lhe chega a tanto - vi-me limitado a pouco mais do que ir entendendo a espaços o que esta obra de intriguismo palaciano e de alcova ia discorrendo.

Sub-titulagem em francês teria sido melhor e perde-se a hipótese de lhe achar apenas alguma graça quando poderia ser mais do que engraçado. Similar no estilo a um Barry Lyndon e recordando-me na forma o Ligações Perigosas ficou no entanto o sabor de algo que faltava - o esquivar a uma conclusão capaz contribuiu para tal, mas assumo que o não entendimento total do jogo da linguagem de que vive o filme tenha talvez feito com que dele não gostasse.

A repetir.

Visto em LX - Flores Sessions.

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O LAÇO BRANCO












Palma de Ouro de Cannes em 2009 e multi-premiado filme austro - whatever - alemão, este não é decididamente um filme tipo de Haneke. Mais do que um filme delimitado por desconfianças territoriais, financiado a partir de diversas localizações europeias, contando com um alinhamento de actores sobretudo austríaco, filmado e retratando uma cidade alemã - o filme é de Haneke e também um produto europeu.

Tem condimentos de Haneke mas afasta-se do que poderia ser categorizável como absolutamente seu. Mais do que um produto com uma marca - é este filme uma marca e deixa alguma marca. A vida de província corre monótona a preto e branco mas é interrompida por pequenos crimes que permanecerão por decifrar. Assiste-se a movimentos sub-reptícios e demasiadas palavras que ficam por dizer - ou umas quantas outras que se gritam quando não eram necessárias - e a atmosfera geral é pesada, claustrofóbica e geradora de confusão. Haneke portanto. Mas falta-lhe bastante mais de jogo mental e de mal-estar para que sejam mais do que uns simples "Funny Games".

O postal que é gerado preocupa-se mais em mostrar a vida pachorrenta e a tempos brutal de uma vilória germânica pouco antes do eclodir da primeira grande guerra.

Visto em LX - Flores Sessions

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21 de dez de 2009

OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES


















Foi-me oferecido e apresentado como um libelo feminista, coisa que vim a verificar não corresponder - com exactidão - à verdade. Este é um livro de literatura policial sueco e, passe as curiosidades, escrito nas horas vagas por Stieg Larsson, activista feminino e social que faleceu ainda antes de os livros - este é a primeira parte da trilogia Millennium - fossem publicados. Depois de um sucesso de vendas galopante em 2008 e depois também de adaptados ao cinema na sua língua materna, já se fala de adaptações americanas (surge sempre um remake made in Hollywood quando o hype gerado é dramático como aqui foi).

Gostei verdadeiramente do livro e mal posso esperar pelos restantes e pelos filmes - que me preocupo em sacar ainda antes que estreiem todos. Fiquei contaminado pela personagem central, pela anti-heroína Lisbeth Salander (lembra-me Nikita do Luc Besson) e pelas atribulações da demasiado disfuncional família Vanger. É uma leitura que recomendo vivamente. Só para que percebam ao grau que cheguei de avidez ao lê-lo é que me tomou apenas três dias e o romance tem 500 e pico páginas.

Lido por LX


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4 de dez de 2009

Nativity!


Martin Freeman é o professor Maddens indicado para dirigir a peça de teatro de Natal da escola onde trabalha; para o ajudar é-lhe atribuído um assistente (Marc Wootton) completamente "fora do normal", mas que faz imenso sucesso entre as crianças. Um pequeno desentendimento faz com que a escola se torne notícia ao tornar-se público que Hollywood vai filmar a peça e torná-la num filme! Como irá o professor resolver esta situação?...

Ri-me imenso com este Nativity!. Muito cómico mesmo! Cheio de situações hilariantes com um desempenho muito bom das crianças, assim como dos dois actores principais.


3 de dez de 2009

Rumba


Rumba é um filme muito interessante, super colorido, cheio de ritmo e movimento e também alguma fatalidade. Embora o acidente, que transforma a vida destes dois fãs de dança, seja trágico, é interessante ver como o optimismo permanece e não deixa a fatalidade vencer.
Uma lição de vida? Talvez sim (sejamos optimistas!) :)

Think Again - WWF

Cá vai mais um vídeo que mostra o porquê da importância de se ser "verde".