23 de jun de 2008

MÁ FILA

Realizada por Chuenmenkin, Francisco Antunez com Carlos Pedro Santana esta curta vai crescendo e surpreendendo a cada novo capítulo desenrolando o novelo deste sucedâneo de Reservoir Dogs rodado no exterior [Reservoir Dogs, Cães Danados, Tarantino].

A excelente BSO tempera este pequeno thriller- road-still-movie em que o melhor é o twist final.
Identifico o titulado com a personagem feminina do quarteto protagonista (3 criminosos e o raptado, o primeiro ministro de quem nunca vemos a cara). A vingança encomendada poderia ser uma nossa agora? Algum presságio, algum esquema?

Site da produtora U-HU FAZ MISSO! FILMES
http://www.myspace.com/uhufazmissofilmes

Com correcção via Francisco Antunez (Co-realizador, argumentista, produtor e autor da ideia original da peça). Obrigado.

22 de jun de 2008

Quem Mexeu no Meu Queijo?


O Queijo é o que cada um de nós procura na vida, "o que queremos alcançar - seja a nível pessoal, social ou profissional - e o labirinto representa o mundo real".
Li o livro em 40 minutos (se tanto), fiz o teste e conclui que sou o Gaguinho.
Ser um Fungadela, não é para qualquer um. Ou seja, ou se tem ou não se tem, a capacidade que esta personagem apresenta. Eu não tenho.
O Correria, só por vezes me sopra ao ouvido. A última vez que o ouvi, vim parar à Alemanha :D.
Quem de certeza eu JÁ FUI, mas com orgulho escrevo aqui e agora, JÁ NÃO SOU MAIS, é o Pigarro. Puf!... Se não fosse por questões financeiras (pois todos temos de sobreviver), aconselhava a todos a fazerem uma "pausa criativa de um ano", sem emprego... Aconselho! Garanto-vos que iriam descobrir coisas extraordinárias sobre vocês mesmos!

(livro escrito por Spencer Johnson)

NOSFERATU

Aparte as deficiências técnicas que se me apresentaram na minha última visita à Cinemateca PT (falhou legendagem e som de suporte - ambos prometidos e contentei-me em extrair o possível das imagens, já que não falo de todo alemão!), presenciei um dos clássicos dos filmes - e não só de terror, em grande tela.

Bem haja a Cinemateca por permitir recuperar todos estas obras em sala de cinema quando normalmente só as poderíamos ver em casa via DVD, longe da dimensão e da franqueza de uma verdadeira sala de cinema!

Este filme de Murnau, este Nosferatu é um filme genial e marcante para a história do cinema e, se bem que não transmita nenhum temor como o deveria ter feito quando estreou em 1922, Max Schreck permanece assustador ainda agora no papel de Conde Orlok - o Nosferatu.
Um dado interessante sobre este filme é que Murnau teve que alterar todos os nomes presentes no filme já que não tinha conseguido os direitos da adaptação ao cinema do Dracula de Bram Stoker (Coppola bem mais tarde iria poder fazê-lo). Assim o Conde Drácula passa a Orlok e Nosferatu é vampiro.

Visto na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema em Lisboa (a nossa mais interessante sala de cinema a nível nacional)

Coloco uma pergunta, para quando a criação da Cinemateca do Porto e da de Coimbra? Sei que há movimentações para a criação de um segmento da Cinemateca na Cidade Invicta, mas a entidade devia ser autónoma - como defende Bénard da Costa. Quanto à de Coimbra, é um sonho especial que tenho.

HOMENS ARANHAS

Homens-Aranhas (assim mesmo, justapostas) não é um livro que surpreende pelo facto de ser um livro de pequenos contos alinhavados ao desafio, desafiando-nos a lê-los todos de uma assentada - porque apetece mesmo ler todos de uma só vez, é um livro que surpreende pela temática que aborda:

Pequenos pecadilhos burgueses, urbanos e mundanos escalpelizados em curto formato através de palavras competentes e com um resultado nada razoável (saímos feridos nalguns dos contos). Os contos são infalíveis e alguns tremendamente bons (bons, caramba!) e os meus preferidos são sempre o Hotel Vitória e o Escalador de Paredes. Se no segundo reconheço algo remotamente de Borges, no segundo fui surpreendido com um delírio catastrofista onde ZInk assassina um personagem que só pode ser Cunhal!

Há que ler e divagar, ser o super herói nos contos dos outros e vestir a capa escalando sonhos e atingindo memórias!

Livros para férias

Quais são os vossos livros para férias? Que têm já alinhavado para levar na sacola a tiracolo para a praia ou para o campo? Partilhem e partilho!

21 de jun de 2008

TARANTINO'S MIND

Tarantino's Mind é uma curta do colectivo brasileiro 300ML onde surge a dupla inesperada Selton Melo e Seu Jorge e onde o primeiro discorre sobre as teses presentes nos filmes de Tarantino e no código que diz ter descoberto, colocando-se Seu Jorge no papel de ouvinte atento e interventivo.

A curta é brilhante e alerta-nos para detalhes nas longas do americano aos quais não tínhamos dado atenção (tinha reparado já na relação Vic - Vincent Vega) demonstrando que todo o trabalho de Tarantino se resume a um filme épico que foi dividindo para fazer todos esses seus diferentes filmes (Natural Born Killers, True Romance, Reservoir Dogs, Pulp Fiction, From Dusk Till Dawn, Kill Bill).

Mesmo que não se concorde em absoluto com a tese apresentada há que ver todos os filmes se tocam de facto e que há sequência de objectos, de tramas e de personagens de Tarantino.

Esta obra aproxima-se deliciosamente do Coffee and Cigarettes do Jarmusch e evoca (ironicamente) os diálogos informais e hilariantes do próprio Quentin Tarantino.

Vejam e maravilhem-se :: http://www.youtube.com/watch?v=op4byt-DtsI

nota : em True Romance, NBK e From Dusk Till Dawn Tarantino é o argumentista, nos restantes acumula o papel de realizador.

Couch Fest Films

Um projecto mais que interessante, uma experiência de sofá entre amigos que tentarei reproduzir em Lisboa; vejam todos os pequenos filmes - short films - são hilariantes!

http://www.couchfestfilms.com/

20 de jun de 2008

Os melhores dentre todos

Quais seriam para vocês os melhores livros e filmes de sempre? Compilem-me uma lista - ao género do filme Alta Fidelidade (High Fidelity, Stephen Frears) e apresentem-na aqui. Exponham os vossos gostos e razões!

R

Treze Badaladas

Acabei de colocar nas estreias desta semana o filme Treze Badaladas.
Quando o vi na lista de estreias estranhei - é que eu vi este filme em 2003, já lá vão 5 anos!
Como é que um filme dos nuestros hermanos e vizinhos só estreia em Pt agora??
Eu vi-o em Pt mas não num cinema convencional - foi projectado nos jardins do Palácio de S.Marcos, ali bem perto de Coimbra. Foi uma sessão especial só para convidados especiais. Eu só lá estava porque a minha amiga Raquel (que fazia parte da equipa de projecção) queria muito que eu conhecesse o projeccionista. ;-)
Voltei para casa a pensar no filme, que gostei muito, e não no projeccionista.

[Engraçado que ainda há dias me lembrei do filme e da situação!!]

18 de jun de 2008

Competição do 16º Curtas Vila do Conde




INSTANTES, curta-metragem de Miguel Clara Vasconcelos, foi seleccionado para a Competição Nacional e Internacional do 16º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Estreia dia 11 de Julho, às 23h00.

INSTANTES é a primeira curta-metragem de ficção realizada por Miguel Clara Vasconcelos e produzida por Pandora da Cunha Telles / Filmes de Fundo.
"Começar na realidade e voltar a ela. Esta foi desde o início a base do projecto. Começar por inserir a personagem num contexto real e terminar com testemunhos reais inseridos no local de filmagens. Confrontar duas energias, a de Eros com a de Thânatos. Provocar um encontro entre dois momentos extremos e opostos das relações amorosas. Deixar ao espectador a possibilidade de ditar a sentença, pondo-o no lugar do coro trágico, que aponta o dedo aos excessos do 'herói' e anuncia o seu fim." MCV

16º Curtas Vila do Conde IFF 5-13 Julho 2007
Auditório Municipal, Praça da Republica,
4480-715 Vila do Conde, Portugal
tel +351 252 638025 / 646516 fax +351 252 248 416


Conheço o Miguel há cerca de 10 anos. Pelas minhas mãos passou o Estrume dele e do Nuno Morão; pelo meu mail chegaram vários Instantes dele; e pela minha mana chegou-me o dvd Documento Boxe. Gosto dele e do trabalho que faz.

16 de jun de 2008

1as - LISBON FILM & VIDEO ARTS FESTIVAL
















Sendo este um veículo contaminante de cultura por excelência tanto da literatura como das 7ª e 9ª artes - partilho um Festival de Cinema e VideoArts a tomar forma por LX ; o primeiras
[ 1as ] :

http://movimentoacordalisboa.com/1as/

Partilhem com outros, divulguem e venham!!!

14 de jun de 2008

VINCENT

Trago-vos uma lindíssima animação de Tim Burton do já longínquo ano de 1982, a segunda obra, portanto e bastante anterior aos magníficos A Nightmare Before Christmas e The Corpse Bride (respectivamente O Estranho Mundo de Jack e A Noiva Cadáver).

Aponho aqui também o poema que serve a peça (admirem a parecença/reverência ao The Raven de Edgar Allan Poe) Tomem o link : http://youtube.com/watch?v=fxQcBKUPm8o


Vincent *A poem by Tim Burton*


Vincent Malloy is seven years old
He's polite and always does as he's told
For a boy his age, he's considerate and nice
But he wants to be just like Vincent Price

He doesn't mind living with his sister, dog, and cats
Though he'd rather share a home with spiders and bats
There he could reflect on the horrors he has invented and wander dark hallways alone and tormented

Vincent is nice when his aunt comes to see him
But imagines dipping her in wax for his wax museum
He likes to experiment on his dog Abocrombie
In the hopes of creating a horrible zombie
So that he and his horrible zombie dog
could go searching for victims in the London fog

His thoughts aren't only of ghoulish crime
He likes to paint and read to pass some of the time
While other kids read books like "Go Jane Go"
Vincent's favorite author is Edgar Allan Poe.

One night while reading a gruesome tale
he read a passage that made him turn pale
Such horrible news he could not survive
For his beautiful wife had been buried alive

He dug out her grave to make sure she was dead
Unaware that her grave was his mother's flower bed
His mother sent Vincent off to his room
He knew he'd been banished to the tower of doom
where he was sentenced to spend the rest of his life
alone with the portrait of his beautiful wife.

While alone and insane incased in his doom
Vincent's mother burst suddenly into the room
She said, "If you want, you can go out and play
It's sunny outside and a beautiful day."

Vincent tried to talk but he just couldn't speak
the years of isolation had made him quite weak
So he took out some paper and scrawled with a pen:
"I'm possessed by this house and can never leave it again."

His mother said, "You are NOT possessed and you are NOT almost dead
These games you play are all in your head
You are NOT Vincent Price, you're Vincent Malloy
You're not tormented or insane, you're just a young boy
You're seven years old, and you are my son
I want you to get outside and have some real fun."

Her anger now spent, she walked out through the hall
While Vincent backed slowly against the wall
The room started to sway, to shiver and creak
His horrored insanity had reached its peak
He saw Abocrombie, his zombie slave
and heard his wife call from beyond the grave

She spoke through her coffin and made ghoulish demands
While through cracking walls reached skeleton hands
Every horror in his life that had crept through his dreams
swept his mad laughter to terrified screams

To escape the badness, he reached for the door
but fell limp and lifeless down on the floor
His voice was soft and very slow
As he quoted "The Raven" by Edgar Allan Poe:
''And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted... Nevermore.''

DIAGNOSE

Diagnose é mais um filme de Condorcet que visionei e foi esta curta de entre todas as obras que lhe vi a que mais me surpreendeu! É extraordinária!

Diagnose - diagnóstico em alemão (este filme é da fase alemã do realizador coimbrão) dá o mote e triangula o que poderia ser um diagnóstico perfeito, mas que ilustra - em estilo bem lúgubre - uma sucessão de observações médicas erradas que conduzem um desafortunado doente de uma (quase) rotineira intervenção cirúrgica num polegar para uma decadente galeria de intervenções desnecessárias até à morte final!


De destacar a actuação do actor principal que, diz-se, foi encontrado num centro de emprego alemão, procurando hipótese de trabalhar como actor. Este filme, este material, é de grandeza absoluta, é material para o Fantas e para o Indie e com grandes hipóteses de sair premiado e é a demonstração de que temos grandes realizadores por aí trabalhando e esperando abertura ao seu trabalho!

Parabéns!

13 de jun de 2008

161

Respondendo mais atentamente ao desafio desse paginado 161, busco outro livro com mais páginas do que o outro e que me acompanha também na minha banca de trabalho. O livro é THE CITY SHAPED - URBAN PATTERNS AND MEANINGS THROUGH HISTORY, T&H, Spiro Kostof; específico de urbanismo e da triangulação histórica urbana.

E da dita página extraí, trunquei:

''It is still there [Palmanova - uma cidade no norte de Itália] today, near perfect and sad, proof of how suddenly single-purpose towns turn into anachronisms. The City as a diagram. ''

Desafio da página 161, aceite

"Os meandros da doutrina do Partido não lhe despertavam o mínimo interesse."

Aqui fica esta "migalha" do livro que ando a ler: "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro" de George Orwell. Estou quase a terminá-lo. Será sobre este livro o meu próximo Post, por isso, fico por aqui. :)

FLASH + INOPORTUNO + SINAIS




Apresento 3 curtas de Carlos Pedro Santana, jovem promessa da realização portuguesa; 3 trabalhos - seus ou em regime co-autoral :

FLASH


Com 'a ajuda dos amigos' , num hilariante intróito que abre esta curta, Carlos Pedro Santana filma uma cena de quotidiano interior que nos chega como a filmagem do monótono, da bonomia e da rotina de dentro de casa que poderia anunciar um filme desinteressante logo à partida - tempo perdido, tempo partido. Mas depois surge a surpresa em dois twists sucessivos que vão preenchendo os espaços que ainda não compreendíamos - e tudo vai evoluindo com o aparecimento de flashback.

Surgem aqui os temas do suícidio, da morte, do sexo, tudo enrolado em vista de comprometimento - a mulher e o homem treinam inicialmente todos os clichés de 'como levar uma mulher para a cama' e para Libby, o elemento feminino, a sua perda e do outro é revelada no final de maneira trágica.


INOPORTUNO


Inoportuno é uma curta violenta em que o único a sair ileso é o assassino de facto – todos os restantes matam e violam ou morrem por engano, castigo ou encomenda num pequeno cubículo sanitário de um qualquer espaço que não identificamos (pode ser de uma estação de comboios, de um centro comercial, uma qualquer casa de banho masculina de um parque de uma cidade que também não nos é dado a conhecer).

Matar alguém não é também violar-lhe o corpo e tirar-lhe algo de volta? A intromissão da faca aqui, em penetração de epiderme, é o resto da violação que ficou por consumar e que terminou castigada – da pior maneira possível – com a morte do violador.

A câmara viaja por entre os corpos, em traveling incómodo, levando-nos a entrar ainda mais dentro da cena e a reflectir ao quão descontrolada pode uma casualidade chegar - fatalidades!


SINAIS

Sinais é realizado em co-autoria com André Santos e filma uma cena banal de dia a dia de todos os dias entre dois casais com atitude oposta em relação aos parceiros - enquanto o elemento masculino grita fazendo-se ouvir num dos casais, no outro par o silêncio é castrador. Até que o primeiro cruzar num semáforo leva a troca de olhares entre o elemento masculino do casal calado e o feminino agredido do outro - terminando como previsível: novo encontro e começo.

Esta curta serve-nos um argumento que até é bastante desinteressante - nem boa ideia é, é uma ideia risível - complementando-o de muitas e boas ideias: o granulado do filme, a ausência do som ambiente, a intencional quebra de certas passagens como se fora cartoon (parece-me um trabalho académico). Demontra boas soluções e é bastante criativo também no genérico que me lembra um qualquer filme de Spike Lee de que não me lembro o nome.. Short Bus?

Site realizador: http://www.carlospedrosantana.com/
e onde se assiste ainda a outra curta realizada em co-autoria com Francisco Antunez


Epílogo :: em resposta ao desafio 161 :

Este livro a que cheguei, este meu livro mais perto de mim, este a que cheguei depois do desafio colocado, este volume aqui ali abandonado, este amontoado alinhavado de palavras aqui já à mão de semear, este livro, este livro... não tem 161 páginas, tem 124!

TAKE MAGAZINE

Faz agora um ano que a Hachette deixou de editar a revista Premiere, a única edição ligada ao cinema que tínhamos, com a alegação de que os custos de produção eram elevados e que não suplantavam os lucros. E até hoje, em Portugal, não mais tivemos qualquer edição em papel, ligada ao mundo da 7ª arte. Foi-me falado então que os jornalistas da Premiere se encontrariam a editar on-line desde Março deste ano, uma revista de cinema com a designação “TAKE”. E que o faziam em regime de voluntariado uma vez que nenhuma editora ainda teria assumido a sua publicação em papel.


A revista de Maio (ainda não consta a de Junho) apresenta um layout mais apelativo que a Premiere, com crítica, reportagem, destaques para entrevistas a realizadores e actores portugueses (Teresa Prata de “Terra Sonâmbula”, Nuno Lopes de “Goodnight Irene”), publicidade a festivais de cinema como o Festróia e passatempos. Eu sinto a falta do toque, do folhear da revista. E tu, não sentes? Agora que o público português está mais receptivo ao cinema, que pululam festivais e mostras de cinema cujos calendários se encavalitam nas nossas agendas, em que nos queixamos da falta de projecção dos jovens realizadores nacionais, porque razão não temos uma revista de cinema?

Vê mais em http://www.take.com.pt
Edição em pdf http://www.take.com.pt/pdf/Take3Mai08.pdf


* Comentário-artigo-explosão por Alice B. copypasteado do site do MAL : http://movimentoacordalisboa.com (serve como apresentação mas ainda mais como desejo de retorno de uma publicação portuguesa especializada em cinema).

Wine and Design



Um post de homenagem aos meus amigos e D_escritores arquitectos e engenheiros civis. Um livro de bolso (para aqueles que têm bolsos largos) com imagens e fotos (palavras, só meia dúzia e em meia dúzia de línguas) de adegas, de rótulos, de acessórios. Um bombardeamento visual de coisas bonitas (Sophie! Eu empresto-to!). Português só tem um rótulo do Niepoort, um produtor de Douro e de Vinho do Porto.

12 de jun de 2008

Desafio da página 161

"Aprendeu a fumar ao contrário, com a brasa dentro da boca, como fumavam os homens nas noites das guerras para não serem denunciados pela ponta incandescente do charuto.", in "O amor nos tempos de cólera", de Gabriel Garcia Marques.

Este excerto é a resposta a um desafio lançado pela minha amiga Sol Sustenido - 'Desafio da página 161', cujas regras são:
1. Pegar no livro mais próximo

2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blog
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo
6. Passar o desafio.

Passo o desafio aos restantes D_escritores do Lendas e Legendas.

Eternal Sunshine of the spotless mind



Eternal Sunshine of the spotless mind é um dos filmes mais interessantes que vi nos últimos tempos. Ganhou o Óscar de melhor argumento original, em 2005, e foi precisamente isso que gostei no filme: a originalidade da história!
E a história conta: Joel (Jim Carrey) verifica que a sua problemática relação amorosa está terminada quando descobre que a namorada Clementine (Kate Winslet) o apagou da memória; resolve então fazer o mesmo mas, já a meio do processo de apagar a memória, apercebe-se das coisas boas e tenta parar o processo. O final é surpreendente mesmo!
Gostei muito do filme e fiquei surpreendida (pela positiva) pois não esperava ver o Jim Carrey nem a Kate Winslet num filme assim. Eles estiveram muito bem e provaram que não se deve rotular actores só a um certo tipo de filmes.
O filme ficou a ganhar também com as interpretações de Elijah Wood, Mark Ruffalo e Kirsten Dunst.

Obrigada Alê pela sugestão!

8 de jun de 2008

MY BLUEBERRY NIGHTS

My Blueberry Nights é um belíssimo filme de desencontros e encontros, de pessoas que se aproximam e que se afastam, de desilusões, de ilusões, de desânimo e ânimo, tristeza e alegria em interrompida sucessão - é a face do amor e do ser humano como ser frágil e em constante irregularidade.

Este 'O Sabor do Amor' - título de promoção para Portugal - é não um 'Como Água para Chocolate' mas mais um 'Disponível para Amar' (também de Wong Kar Wai), a belíssima fotografia e as ideias felizes que percorrem a tela ilustram a evolução de seres necessitados de quem lhes queira, em eterna colisão de paixões - o afastamento entre as personagens centrais surge a meio do filme mas o final é feliz.

Agrada-me sobretudo a parte inicial em que somos conduzidos pelo exterior do café de Jeremy, acompanhando como Lizzie conquista um pouco mais e aos poucos o sabor pela vida enquanto saboreia uma blueberry pie. Cat Power surge linda - como sempre aliás - no papel de Katya e Norah Jones está mais que perfeita no seu papel de uma simples mulher simples e perdida.

As interpretações fecham com uns quantos actores que aprecio: Jude Law (doce doce), Rachel Weisz (uma mulher do sul), David Strathairn (surpreendente) e, principalmente, Natalie Portman. A banda sonora fecha este filme em qualidade suprema: Norah Jones, Cat Power e Ry Cooder. Retirei o amargo da boca por bastante tempo com esta obra poética!

7 de jun de 2008

ESCOLHA MORTAL

The Proposition é um western de John Hillcoat de 2005 com argumento e banda sonora de Nick Cave - desenrola-se na Austrália de 1880 e surpreende por isso e por trocar os povos ameríndios (índios, nativos americanos) por aborígenes, que a uma vez representam aqui os povos autóctones martirizados.

Este é um filme de género extraordinário que representa o estilo na perfeição, preenchendo-nos a vista com uma excelente fotografia e com muitos das constantes presentes em westerns (chamo-lhe eastern??) que funcionam aqui para nos contar a saga do Gang Burns e do capitão que os persegue. A partir da proposta - the proposition - feita pelo Capitão Stanley a um dos irmãos Burns para capturar/matar outro dos irmãos, os corpos ensanguentados vão-se acumulando em sucessão - nativos e europeus, dezenas e dezenas de mortes violentas numa fiel reconstituição da época com a luta constante entre esses dois povos ainda inconciliáveis.

A absolvição virá apenas no final, após todo o filme ser percorrido de remorsos e de culpa.
A infeliz escolha do título para português não esbate a qualidade do filme que se revela uma boa e amarga surpresa.

1 de jun de 2008

TRANSFORMERS

Transformers é daqueles filmes de que logo a seguir me esqueci - falamos de que filme, perdão? Ah, Transformers, the Movie, sim sim... Esta obra é um aparato tecnológico, uma desbunda visual, um arremessar constante de mensagens subliminares, de efeitos encantatórios em corropio, é verdadeiramente menos um filme e mais um abuso de efeitos especiais. Deixei-o de lado desiludido - lembrei-me da série T. com que cresci e que adorava e apeteceu-me vê-la de novo, só para me lavar deste gosto amargo com que fiquei...

TROPA DE ELITE

Era para ser um documentário e acabou por se tornar um documento sobre a cruel realidade brasileira na senda dos muitos já feitos; o Brasil tem um inesgotável e infeliz material temático sobre essa crueza e isso é visível nos Carandiru, Cidade de Deus, Favela Rising e isto citando apenas os mais reconhecíveis internacionalmente.

Tropa de Elite é o filme de José Padilha que abraçou o Leão de Ouro de Berlim e que domou o hype extraordinário que o acompanhou em fenómeno só comparável ao Blair Witch Project: antes de estrear em solo brasileiro já o filme era infinitamente copiado e visionado. Vem no seguimento de Ônibus 174 e só abandonou o formato doc desse, depois de Padilha se ter apercebido da dificuldade - leia-se impossibilidade - de conseguir depoimentos claros por parte tanto dos traficantes do Rio de Janeiro (o filme revela o tráfico no morro da Babilônia) como do BOPE (os caveiras, Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do RJ).

Essas duas forças em constante confronto alimentam o filme, vive-se aqui a atmosfera pesada do sobreviver entre as balas perdidas e os apetites do poder dos homens das armas - utilizando esquemas elaborados que atropelam todas as pessoas sem qualquer remorso. O incorruptível Capitão Roberto, oficial do BOPE, serpenteia entre este mundo que a nós nos escapa à compreensão e que para esse cansado polícia é sinónimo de pressão insuportável - acompanhamos as suas subidas constantes aos morros, a sua pequena vitória no semear da bala assassina no corpo de um drogado ou de um grupo de corruptos, partilhamos da sua luta desesperada para manter a família e pela sua humanidade que se vai esvaindo sem travão.

Vejam - sem atavios, sem preconceitos. Aceitem e percebam o quão confortáveis estamos nós, neste pequeno país.

vista em projecção do MAL (http://movimentoacordalisboa.com) no TELHEIRAS FEST

667, O VIZINHO DA BESTA

Esta pequena longa - em antecipada redundância - do meu conterrâneo Eduardo Condorcet, recorda-me Ingmar Bergman por inúmeras razões - pelo jeito teatral em que surge a disposição das personagens no espaço, pelos incómodos silêncios que se prolongam, pela crescente e ruidosa antipatia que se vai instalando entre os quatro elementos da família que nos é apresentada.

Seguindo a lógica da numerologia 666 seria o número da besta, mas este 667 que é o nosso vizinho do vizinho 666, é o tal que se vai tornando em besta - enlouquecendo-se e levando com ele toda a família e ainda tentando puxar-nos também para esse desespero de voyeur com que vigia incessantemente o tal vizinho que nunca vemos (imaginamo-lo pelos comentários do nosso 667). O pai é perturbador, vai-se despedaçando à nossa vista até à combustão final - a Vera é como se fosse um outro Donnie Darko, a incómoda tensão sexual entre pai e filha, que engravida, o filho que se vai instabilizando, a mãe que se dilui em mecanismos cada vez mais automáticos, perdendo-se.

667, O Vizinho da Besta é peça e a peça é peça realmente (os actores estão mais acostumados ao palco e esta produção era para um palco verdadeiramente). Vejam - ficarão surpreendidos por este cinema português mais do que independente - independente mais que perfeito. Gosta-se.

300

300 de Jack Snyder é a passagem para película da obra homónima de Frank Miller e Lynn Varley sobre a mítica batalha das Termópilas que opôs os gregos (cerca de 7000 mil, dos quais 300 espartanos sob Leónidas, um dos dois reis de Esparta) contra um gigantesco exército persa comandado pelo Imperador Xerxes (algo entre 200 mil a 2 milhões de soldados - a discrepância surge a partir dos diferentes relatos da época, Heródoto, Plutarco, etc..).

Feita a triangulação histórica avanço pelo meu entendimento do filme; esta é uma animação épica com gente dentro, não obedece rigorosamente à história [pelo menos aquela que se toma como a mais provável de ter ocorrido] mas apresenta primorosamente a história contada no comic de Miller (numa fiel transposição como já o tinham sido também Daredevil e Sin City - igualmente da sua criação).

O filme desenvolve-se a um ritmo avassalador - de batalha constante e arrebatadora, de sobrevivência de fim, de acelerada métrica de livro de banda desenhada - interessa-me aqui perceber melhor onde começou a grande decadência desse clássico império persa (e da evolução das Guerras Médicas) e de como se resume uma batalha em jeito de longa metragem, episódio de guerra ao detalhe - epopeia sintetizada.

O aspecto muito gráfico do filme - as expressões e as sombras foram retocadas
por computador e todo o filme e as suas paisagens suportam-se sobre fundo azul - não me chocam, aproximam-se sedutoramente à obra de Miller. A coisa mais surpreendente neste filme é descobrir Rodrigo Santoro no papel do imperador ditador deus Xerxes! Vejam, mais de três vezes.

Visto em calmaria de fim de semana pela tarde.