19 de dez de 2008

SHIBLY BAND


Uma noite árabe que nos fez viajar além mares...
Pude apreciar sons muito diferentes do que eu costumo ouvir. Aqui em Hamburgo tudo é possível! Hamburgo recebe de braços abertos culturas de diferentes cantos do mundo. Não foi só a música que invadiu a Fabrik naquela noite mas também os movimentos de senhoras que me faziam inveja (também quero saber dançar assim!!!).
O convite surgiu de um colega meu, Ali Shibly :) , pertencente à banda e que há já vários anos percorre os 5 continentes de instrumento às costas.
No intervalo chegou a vez do famosíssimo (pelo que consta) Tanoura Wirling Derwish, que a princípio ainda pensei que fosse algum tipo de streep-tease masculino ;)
Mas gostei imenso! Danke sehr!!!

16 de dez de 2008

STARWARS - GUERRA DOS CLONES



Como mais que fiel seguidor da saga Starwars fui sempre olhando com desconfiança para todas as tentativas de o passar para outros formatos, seja BD, televisão ou, como neste caso, animação. Esta obra de Dave Filoni de 2008 acaba por ser a súmula de todos os restantes formatos já que é a passagem das séries televisivas de animação Starwars para o formato fílmico. E é interessante notar como funciona toda a potente máquina do merchandising da Guerra das Estrelas pois já encontra disponível a BD e as action figures deste filme, num encadeamento natural dentro deste universo criado pelo movie brat George Lucas.

(...)

Ler mais na Take n11, em http://www.take.com.pt

A arte das listas


Dominique Loreau apresenta-nos um livro diferente (Editora Bizâncio): como "simplificar, organizar e enriquecer a sua vida".
Não é mais um livro para ser devorado mas como não o consigo evitar, li-o de uma vez.
Listas. Quem é que nunca fez uma lista? Lista de convidados para um festa; lista de comes e bebes para essa festa; lista de prendas a pedir ao Pai Natal; lista de prendas a oferecer no Natal; etc, etc..
E se agora eu vos disser que, para além das listas que já fizeram na vossa vida (e que até acham que foram demais...) ainda poderiam fazer uma lista de:
"tipos de festas que gostava de dar": Havaiana, Anos 60, do Bikini, da T-shirt,...
"coisas que gostava de estar a fazer daqui a um ano"
"lugares do mundo a visitar antes de ter filhos"
"a quem enviar os 10 postais que comprei numa loja de antiguidades"
e por aí em diante!

Eu também gosto de acontecimentos espontâneos! Mas as listas podem ajudar muito não só na organização de um evento, como também, a descobrirem um pouco mais sobre vocês mesmos.
Tentem lá colocar num papel as seguintes listas sobre vocês:
1. Defeitos
2. Qualidades
3. Pontos fracos
4. Pontos fortes
5. O que nao suporto
6. O que me faz rir
Já estão fartos? Agora imaginem o que podem fazer/melhorar/modificar da vossa vida depois de conseguir definir estas e muito mais pequeninas... listas!

(não consegui encontrar na internet a capa do livro...)

11 de dez de 2008

STORY OF STUFF



Doc realizado pelo colectivo Free Range Studios com Annie Leonard, elucidativo do muito que temos e não temos actualmente (e a tirar seguramente ilações) :

http://www.storyofstuff.com/index.html

Espreitar também : http://www.alrdesign.com/blog/labels/activism.html

Face the music

Chegou-me este vídeo e quero partilhá-lo, visto que sou super ecologista.
Aqui fica Face the music.

SOBREVIVER COM OS LOBOS



Baseado nas falsas memórias de Misha Defonseca (e que foram reveladas como tal muito recentemente) este filme franco-belga-alemão de 2007 de Véra Belmont, relata a história de sobrevivência de uma criança judia à segunda grande guerra. Separada dos pais, Misha sobrevem a tudo o que lhe surge, enquanto peregrina pelo devastado leste da Europa procurando reencontrar-se com os progenitores.

(...)

ler resto da crítica na TAKE n10 em http://www.take.com.pt

10 de dez de 2008

Easy Virtue


Regressei aos anos 20 a ver Easy Virtue - o convite para ir a uma festa 20's foi o que me levou a ver este filme. [Vi a versão de 2008, não a de 1928 - dirigida por Alfred Hitchcock.]
Easy Virtue conta-nos a história de um recém-casal: Larita (Jessica Biel), uma americana super moderna para os anos que correm, e John (Ben Barnes), um inglês de uma família very-very-british mesmo!
As diferenças culturais, assim como os diferentes pontos de vista entre nora e sogra (Kristin Scott Thomas), juntando a passividade do sogro (Colin Firth) e a má disposição/limitação das cunhadas, são os ingredientes desta comédia romântica.
Ri-me muito mesmo com algumas cenas, mas também senti o coração apertado por ver que a "falta de tomates" de John põe em risco a relação com Larita - e isso deixou-me tão consciente que essa característica é tão comum nos homens, neste tipo de situações, seja nos anos 20, seja agora...

27 de nov de 2008

Itinerário do Sal

Ontem fui à ópera. Quer dizer, não era bem ópera... Mas também não era um espectáculo musical. Parece que era ópera multimédia, pelo que ouvi dizer. Mas também já o vi caracterizado como ópera electroacústica.

Foi o primeiro espectáculo contemporâneo a que assisti, e confesso que ia um pouco curiosa.
A performance, a composição, os textos e a dramaturgia de Itinerário do Sal são da autoria de Miguel Azguime, português :), compositor, poeta e percursionista.

"Reflexão sobre a criação e a Loucura, a ópera multimédia Itinerário do Sal gira em torno da linguagem, da palavra-sentido e da palavra-som; ambas tratadas como dimensões da voz, da voz enquanto extensão do corpo e ambas totalmente integradas na construção cénica como projecção tangível da ressonância das palavras através do som e da imagem."
"Áudio, Vídeo e processamento electrónico em tempo real associados à projecção espacial da voz, da poesia, do gesto, da música e do traço, desenvolvem uma polifonia de sentidos, um contraponto de significados, uma exuberância de emoções."


É um espectáculo cheio de sons, e muitas imagens. A atenção do espectador centra-se no actor, no que ele vai dizendo bem como nos sons que vai produzindo
. Essa mesma atenção distribui-se por toda a sala de espectáculo, não à procura de algo que esteja a acontecer (porque nada acontece), mas sim do significado dos sons que estamos a ouvir.

Os sons. Num princípio sim, são palavras, mas que no fim se transformam em... Sons. Sons que vão representando algo. Algo que o autor quer transmitir e fazer o espectador sentir. Mas acho que o autor não espera que o espectador perceba tudo, mas sim, que sinta qualquer coisa. Espera que a peça em si “provoque” tudo, menos a indiferença de quem assiste.

E o que senti eu? Várias coisas. Senti frio perante os sons que se assemelharam ao barulho do vento, desconforto perante uma discussão em japonês, serenidade ao ouvir um poema em francês, e muito mais... Quando partes da peça eram em português, como me concentrava demasiado no significado das palavras (porque as entendia) não senti grande coisa. Interessante, não?

(Não sei se me fiz entender, mas quando escrevo "discussão em japonês" ou "poema em francês", quero referir-me ao que me soou... Porque até podiam começar numa língua mas poucos segundos depois tratava-se já de um conjunto de sons sem significado.)

Aqui ficam uns links para os interessados:

http://www.misoensemble.com/
http://de.youtube.com/watch?v=NN8xk7xTWLg&feature=related

O espectáculo aconteceu no pavilhão Kampnagel, outrora uma fábrica de gruas. O local tem por hábito apresentar programas um pouco mais alternativos e o espectáculo português não foi excepção.

26 de nov de 2008

Casablanca

Decidi dedicar um fim-de-semana a clássicos do cinema. Um deles foi Casablanca, realizado em 1942 por Michael Curtiz.
A história passa-se na altura da Segunda Guerra Mundial, e gira em torno de uma história de amor, nascida e interrompida em Paris (aquando da sua ocupação pelo exército alemão), reencontrada em Casablanca.
Casablanca é na altura a cidade de passagem para várias pessoas fugidas de uma Europa em guerra que pretendem chegar até aos E.U.A., a sua última esperança para reencontrarem uma vida normal. Aguardam então, na maior cidade de Marrocos, por vistos que lhes permitirão viajar até Lisboa e daí até ao outro lado do Atlântico.
Quem não se lembra de já ter ouvido a célebre frase "Play it once, Sam, for old times' sake" dita pela personagem Ilsa Lund?
Um clássico é sempre um clássico. Uma história de amor é sempre uma história de amor.
Mas este filme não se deixa ficar por aí, no amor, e vai mais além conseguindo também histórias engraçadas, paralelas, como no caso do enredo entre o exército francês e o italiano que mesmo noutro continente disputam por poder.

Blindness


Finalmente estreou o filme pelo qual espero há tanto tempo!
Depois de acompanhar os acontecimentos das filmagens, através do blog do realizador Fernando Meirelles, fiquei super curiosa para ver o resultado final.
Blindness, baseado no livro "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago, mostra-nos o quão importante a visão é e o caos em que a vida se pode tornar quando não se vê: uma misteriosa cegueira branca cega toda uma população, com a excepção de uma mulher, e assim surge o desespero e, consequentemente, o caos.
Julianne Moore está fantástica como mulher do médico (a mulher que não cega) - até a sua pele pálida é perfeita para este papel. Gostei dos actores do grupo de personagens principais - acho que encaixam bem nas suas personagens. Tenho ainda que acrescentar o (meu adorado) Gael García Bernal no papel de Rei da camarata 3 - até a ser mau ele é bom ;-) ;-)
Adorei o livro, adorei o filme.
Muita gente diz que os filmes baseados em livros nunca são a mesma coisa (óbvio que não - impossível ter num filme todos os pormenores que um livro tem!), mas acho que este filme passa muito bem a ideia do livro e para mim valeu a espera! :-)
VER trailer.

24 de nov de 2008

Linha de Passe


O filme Linha de Passe mostra-nos a dura realidade da cidade de São Paulo, no Brasil.
Entre as vidas de uma mãe e os seus quatros filhos, vamo-nos apercebendo dos diferentes pontos de vista da vida complicada que muita gente tem e dos sonhos que vão ficando para trás (ou não...).
Não é um filme agressivo como outros filmes que retratam a pobreza das grandes cidades brasileiras e chega a ter cenas bem cómicas, interpretadas pelo moleque mais novo da família.
O realizador, o brasileiro Water Salles, foi também quem realizou Central do Brasil e Diários de motocicleta, entre outros.

12 de nov de 2008

COLLAPSING NEW BUILDINGS - LISTEN WITH PAIN



Chegou-me às mãos um magnífico doc dedicado aos 20 anos de Einstürzende Neubaten, o Collapsing New Buildings - Listen with Pain (a tradução do nome da banda é sensivelmente essa, Collapsing New Buildings). Agrada-me sobremaneira o som dos E.Neubaten, esse som puro, agressivo, improvisado, rock industrial feito com tudo o que se encontra à mão para lhe tirar som, percussão de metais e totalmente representativo dessa Alemanha suja e crua de pós guerra e de durante a Guerra Fria. Não significa que a banda deixou de ter significado depois de 89, nada disso, apenas carrega com ela essa identidade de um país e uma cidade - Berlim - retalhada e sempre vigiada, vivendo o espectro da espionagem e do escapismo.

Agora Berlim é o centro da Europa e o seu maior centro artístico e os Neubaten continuam a tocá-la e a levar esse dinamismo industrial para todo o lado (tocaram em LX este ano).

O que mais me surpreendeu neste filme foi - não a devoção incondicional de Nick Cave - mas o facto de eu ter descoberto que no primeiro concerto que vi deste no Porto, no já desaparecido festival Imperial, que quem acompanhava o australiano nos vocais era Blixa Bargeld, o frontman dos Neubaten!

Txs Andreia . visto em conformismo de constipação à noite em noite de semana.

11 de nov de 2008

BELIO



Belio
é uma revista construída por um colectivo de artistas da mais diversa ordem (Dj, Vj, designers, músicos, street artists..) sedeada em Madrid e de peridiocidade quadrimestral e que se preocupa, além de desenvolver projectos próprios, de dar voz a outros tantos que vão surgindo por ali. n28 já por aí - não conheço local de distribuição em PT mas se conhecerem partilhem - capa da n14 em destaque.

http://www.beliomagazine.com/

Primeiro contacto com o folhear em BCN, Jan 2004

SINFUL

''That you may show your saving justice when You pass sentence, and your victory may appear when you give judgement, remember I was born guilty, a sinner from the moment of my conception''

Psalm 51:5

Mais uma curta de Eduardo Condorcet que se debate sobre a vertente pecaminosa da estrutura da Igreja - não por o ser de facto na essência, mas pelo contrariar as pulsões sexuais e humanas dos seus ministros. O filme é indolente e não serve a realidade portuguesa, certamente por cá as reacções a um filho nascido de um dos representantes de Deus na Terra teria outras repercussões e não se assume nem moralista nem nada, é ausente. É no entanto extremamente bem filmado e surge estruturado como uma pequena novela em jeito de ensaio. O ensinamento, a existir, acrescentamo-lo nós depois ao filme.

visto nas LOFF Sessions, Nov 08

CIGARETTE

Outra das curtas de Condorcet que encaixam dentro da (sua) ideia de Dogma 95 e que não se encontraram por aí em festivais de PT - prova de que há muito material interessante que circula de mão em mão falando-se de boca em boca e que nunca passa para uma tela maior do que a pantalha das casas de amigos e curiosos que vai encontrando.

O filme não é Dogma porque lhe falta o cumprimento a muitos dos cânones (cumpre a recusa a iluminação artificial mas recorre depois a acontecimentos fictícios - como o assassinato de um dos protagonistas, não possui a continuidade em tempo real preceituada e desconfio também que a utilização de bw é contrária ao Dogma 95) mas não deixa por isso de ser interessante, só não etiquetável como tal.

É um videoclip sem música, é cinema com cigarro, fumo, sexo e morte, é uma curta sobre o excesso, sobre o hedonismo e sobre o vício. Sinful é a marca de cigarro que a femme fatale deixa cair quando se afasta do local do crime depois de uma noite com o seu amante de ocasião. A beleza de uma curta é deixar-nos por vezes demasiados caminhos para que os trilhemos: seria realmente um amante de ocasião? Aquele último cigarro vem depois do prazer da morte acrescendo ao prazer do cigarro pós coital? Preenchemos nós os vazios que nos apresentam? Construímos sempre também a nossa própria história?

visto nas LOFF Sessions do MAL, Nov de 2008

A CASA E A ESCURIDÃO

Hoje compreendo os rios.

A idade das rochas diz-me palavras profundas.

Hoje tenho o teu rosto dentro de mim.

A última das curtas de Condorcet que tinha aqui comigo para ver faz tempo e que fui adiando da mesma maneira que se adia tudo o resto: com a esperança de amanhã o realizar. Este é dos melhores filmes que lhe vi pela complexidade exposta que se baseia em texto de José Luís Peixoto e aqui completada com imagens e sempre narrada evoluindo com essa como se fora videoart. Belíssimo - pudesse o dvd que me chegou às mãos estar em melhor estado e conseguiria apercebê-lo todo, será uma das poucas cópias que por aqui circulam.

visto em sessão contínua de catarse cinéfilo de domingo, pudessem todos os DVD dizer: estou vivo, funciono!

LIVING DRAW + LIVING DRAW DANIELA LEHAMNN PERFORMANCE + LIVING DRAW KATERINA VALDIVIA BRUCH PERFORMANCE



É sempre tão complicado inserir videoart num trecho dedicado ao cinema, não porque se desloque da ideia de cinema em si, da arte por si, mas pelo nosso entendimento condicionado do que é um filme e grosso modo videoart escapa a todos os cânones estabelecidos (argumento, personagens, linearidade espaço-tempo). É no entanto cinema porque é captado em película ou formato digital e não o deixa de ser por acharmos que tal, tão simples como isto.

Comento 3 peças de um artista (João Bruno) que se filmou em processo de criação, completando também as performances de outras 2 artistas; este trabalho em progresso é bem servido com as faixas pintadas que cobrem todas as paredes e que passam a ideia de obra inacabada. Seria como filmar um sonho que tivéssemos tendo - inadvertidamente algo no processo escaparia incontrolável à nossa interpretação que quereríamos controlada, puro e verdadeiro mesmo sendo fabricada a envolvente.

visto no Festival Primeiras 1as! do MAL
1ª peça no Príncipe Real, por debaixo da copa do cedro
2ª peça na Alameda, escadaria da Fonte Luminosa
3ª peça em Alfama, Largo de Santo Estevão

W.



W. não diaboliza nem elogia o ainda e pelo segundo mandato presidente americano, George W. Bush (vi o filme uma semana antes do feliz acto eleitoral que se me afigura histórico para a história do mundo no contexto em que nos encontramos). Não o critica nem realça traços especiais, antes deixa que Bush se ricularize pelo que é ou pelo que não é ou ainda pelo que pretende ser, numa magnífica interpretação de clone de Josh Brolin (já o tinha demonstrado em Esta Terra Não é Para Velhos).

O último filme do realizador da trilogia do Vietname (Nascido a 24 de Julho, Platoon - Os Bravos do Pelotão e Quando o Céu e a Terra Mudaram de Lugar) e de outros biopics sobre Presidentes (JFK e Nixon, Comandante não o é) não é de todo elogioso perante Bush Filho mas não na medida em que se coloca como crítico - nada disso, longe disso - mas sim na perspectiva de que precisamente pelo realizador não tomar posição assumindo-se como documentarista num biopic por si construído sobre um presidente decadente e já cessante, marca este mesmo como o fantoche controlado por um gabinete ditatorial que vai controlando a seu gosto os destinos do mundo cuja potência sobre a qual reina foi construindo enquanto a esboroa.

Essa é a maior contradição americana - construir enquanto de destrói é a melhor maneira de simplificar o que tem sido a regência americana em assuntos externos que neste filme encontramos bem demonstrada. Há que ver o filme para compreender melhor este monstro simpático, este dub-ya; assume-se interessante para debatermos um pouco mais muitas das questões que nos afectam e também nos desperta para nunca cairmos dormentes perante ameaças extremistas e intolerantes sempre presentes (mesmo num mundo ainda considerado maniqueísta e considerando-o como tal - ameaças até do nosso lado da barricada).

http://wthefilm.com/index2.html

visto no Cine Monumental, ao Saldanha LX em companhia do MAL

BERLIM




Julian Schnabel tem das obras mais consistentes que reconheço em cinema e tenho uma certa cautela em etiquetá-lo completamente como realizador – ele é sobretudo um esteta e, como Anton Corbijn (o tal do magnífico Control) deambula em áreas artísticas eminentemente assessórias do cinema: este fotografia, aquele pintura (tem trabalhos expostos no Berardo).

(...)

ler resto da crítica na TAKE n9 em http://www.take.com.pt

COMANDANTE



A figura charmosa do Ditador é tão atractiva para quem não é directamente reprimido que alimenta inúmeras peças de cinema de qualidade diversa, exterior à definição de ditador que cada um tem consigo. Ditador é alguém que dita, que controla, que se guia pela sede pelo poder e que se prolonga nele, sobrepondo-se a outros. E assim é Fidel ditador, independentemente das simpatias partidárias.

(...)

ler resto da crítica na TAKE n9 :: http://www.takecom.pt

6 de nov de 2008

007: Casino Royale & Quantum of Solace


Anteontem vi o dvd do Casino Royale.
Gostei imenso e fiquei quase 24h em pulgas para ver a sequela Quantum of Solace - o título significa (+/-) "uma pequena quantidade de conforto" - nao foi bem isso que senti, mas quase, pois não fiquei entusiasmada como com o anterior...
Mesmo assim foi interessante "inserir-me" um pouco mais na vida deste agente secreto (creio que antes só tinha visto um filme do 007!).
Gostei de ver o Daniel Craig na pele de James Bond, assim como a Judi Dench no papel de M.
A bond girl do Quantum of Solace (Olga Kurylenko) não está tão presente como a do Casino Royale (Eva Green) mas ambas estão bem nas personagens que representam.

Creio que agora vou ali até ao clube de vídeo alugar todos os outros filmes do 007, pois parece que me tornei fã :)

5 de nov de 2008

Leitura "in progress"

A minha professora de espanhol emprestou-me um livro de contos de um escritor espanhol.
Li o primeiro conto e achei-o tão interessante que resolvi partilhá-lo aqui.
Começar aqui. Continuar aqui. Acabar aqui.
E comentar aqui :)

20 de out de 2008

O Crime do Padre Amaro



Li o livro há já alguns anos por recomendação de um amigo. Ontem à noite vi o filme, emprestado por esse mesmo amigo, e onde esse amigo representa um dos polícias (boa, Liminha!).
Corrijam-me se estou enganada, mas parece-me que é o primeiro post de um filme português no nosso blogue. Assim sendo, se é facto que não costumo ver filmes portugueses, vocês provavelmente também não. E fiquei deveras surpreendida com a qualidade dos actores! Nicolau Breyner, Cláudia Semedo, Hugo Sequeira, achei estes 3 realmente muito bons!
Do argumento nem vale a pena falar. É uma história do Eça, que tal como todos os grandes autores não se perde com o passar dos séculos. Contarmos uma história que seja actual passados muitos anos sobre ela, não está na caneta de qualquer um. O assédio sexual e a ausência de castidade dentro da Igreja Católica, a gravidez adolescente, o aborto, a mentira, a homossexualidade, a promiscuidade, a violação, mas também a cumplicidade e a lealdade... E uma coisa que acho muito interessante, que é a repetição nas nossas vidas, daquilo que vemos e temos em casa. Aquilo que os nossos pais nos mostram, a sociabilização primária. Como a Amélia repetia a vida dela ao exemplo da mãe e fruto da violação de um Cónego mentiroso e muito sacaninha.

19 de out de 2008

Por que é que os homens nunca ouvem nada e as mulheres não sabem ler os mapas de estradas


Allan e Barbara Pease são um casal dedicado a assuntos da comunicação humana. Neste livro apresentam-nos algumas explicações sobre o porquê da relação homem/mulher ser como é: complexa.
Foi com base em estudos científicos, médicos, psicológicos e sociológicos (na grande maioria por universidades europeias) que este casal escreveu este livro, e por isso, mesmo que o título leve o leitor a pensar que se trata de mais um cliché, aconselho a ler primeiro o livro e depois tirar as suas conclusões.
Quando me ofereceram o livro, a indicação foi a de não ler o livro de seguida, mas sim, ir lendo de forma aleatória, uma página. A verdade é que este livro dá para fazer tal coisa, pois a maneira como foi organizado, dá para o ler até mesmo de "trás para a frente". É constituído por capítulos onde se podem encontrar parágrafos (que raramente ocupam mais do que uma página) relativos a uma certa questão. E como em cada questão aparece uma breve descrição do seu contexto, o leitor não se perde se optar por uma leitura mais baralhada. Eu pessoalmente, gosto de começar no princípio e levar o livro até ao fim, sem grandes interrupções. E o facto é que este livro prende a atenção do leitor até à última página pois aborda questões interessantes como: Porque tem as mulheres necessidade de falar?; Porque falam os homens consigo mesmo em silêncio?; Porque são as mulheres indirectas e os homens directos?; Porque saberão os homens para onde vão e porque as mulheres não sabem ler os mapas de estradas? E ao que parece a resposta está pura e simplesmente na química e na genética.
Por várias vezes os autores chamam a atenção para uma questão. Obviamente que nem todos os leitores vão conseguir identificar-se nos textos a si ou ao seu/sua companheiro/a. Os estudos foram feitos a um grupo de pessoas que não representam toda a espécie humana, obviamente, mas que podem representar com um bom grau de aproximação ao que se poderá chamar "comportamento médio" (em média, as mulheres agem de uma forma e em média os homens agem de outra forma).
Ao ler o livro, deparei-me com dicas interessantes que o homem e a mulher poderão aplicar para aperfeiçoar a comunicação entre si. E a verdade é que muitas já eu as utilizava quando era directora de obra e tinha de gerir equipas de trabalho. Desde cedo percebi que tinha de comunicar de maneira diferente àquela que estava a habituada, pois o meu "público" passara a ser de um só tipo: masculino.
A quem se aventurar à leitura deste livro, e em particular em alguns parágrafos, parece que pegaram na sua vida privada e a escancararam num texto público.
Bom, e mais não digo! Leia e descubra você mesmo do que falo!

11 de out de 2008

Lord of War


No último ano os filmes que tenho visto têm servido para me questionar sobre muita coisa. A cada filme que via, despertava para mais um dos problemas que assombram a vida de qualquer ser no planeta Terra: guerras, crises económicas, fome, poluição, miséria, tráfico de armas, tráfico de pessoas,...
E filme a filme (livro a livro, conversa a conversa, imagem a imagem, etc.) comecei a tomar consciência de que a verdade que conheço, afinal nada significa. E que afinal os vários problemas que me desinquietam a mente, não são mais do que um só problema, constituído pelos vários problemas (que se relacionam entre si).
Não consigo escrever sobre o filme que aqui vos falo. Nao me saem as palavras. Porque tudo me parece demasiado pequeno perante a vida real.
O pensamento e a reflexão sobre certos filmes dói tanto, que no fim deste, perguntei apenas: "Não temos por aí nenhuma comédia romântica para ver e relaxar... E esquecer a realidade...?".

Lord of War, como se costuma dizer: Um filme a não perder!

Mais um filme que me vem mostrar que afinal eu já não posso salvar o mundo. E assim, já não quero salvar o mundo. Apenas posso/quero construir o meu mundo. E poder fechar os olhos quando a imagem não me agrada... Pois muito mais que isso não poderei fazer pelo mundo.

9 de out de 2008

Campanha WWF

video

Recebi este vídeo por mail e achei por bem partilhá-lo.

Dá que pensar, não?...

8 de out de 2008

FUNNY GAMES (1997)



Este é um dos filmes mais aterradores a que assisti nos últimos tempos e será um dos mais intensos em terror psicológico, em horror de entre portas, em susto de momento e se o vi entre cem pessoas no exterior, pelo menos isso serviu-me para refrear o temor ~ eu, imaginativo eu, que me assumo como sugestionável imaginando sombras e coisas esperando por mim no escuro.

Vejo neste filme de Michael Haneke, na sua versão original austríaca de 1997 que seria refeita 20 anos depois nos Estados Unidos, referências e proximidade a outros tais como The Shining, Scream, Psico, Rosemary's Baby, Misery, Talented Mr Ripley ...

O filme envolve-nos numa atmosfera claustrofóbica, toma-nos de assalto, coloca-nos vulneráveis clamando impotência! A ver ~ previno que o susto pode ser fatal.

Visto no
CineLençol
Alameda do
MAL
com audiência de + de 100 pessoas.

Objecto quase

Objecto Quase é um livro de contos de José Saramago, editado pela primeira vez em 1978.
Dos 6 contos, o que mais me deixou agarrada ao livro foram Embargo e Coisas. Também gostei do conto Centauro, mas os outros têm uma escrita que é o que me fascina no Saramago: algo que acontece sem lógica (aparente), e que nos agarra às palavras enquanto não descobrimos o porquê de tal acontecer! É fantástico mesmo!

Acrescento uma passagem do conto Coisas que achei cómica pelo facto de ser surreal:
"Tempo houve em que o processo de fabrico tinha atingido um tal grau de perfeição, que os defeitos vieram a tornar-se raríssimos, a ponto de o governo compreender que não era conveniente retirar aos cidadãos utentes o gosto cívico e o prazer da reclamação."

O CHEIRO DO RALO

Selton Mello é dos indivíduos mais interessantes e versatéis no cinema brasileiro da actualidade - vide tb o Tarantino's Mind neste blogue - e corre por aí que lutou afincadamente pelo papel de Lourenço neste hilariante filme de Heitor Dhalia de 2007.

Ele interpreta o demente e escatológico dono de uma loja de produtos usados atormentado pelo cheiro (vindo) do ralo da casa de banho que utiliza e que dá porta com porta com o seu gabinete. A cada pessoa que recebe Lourenço vê-se na necessidade - após o desconforto demonstrado por quem ali chega a vender, a vender-se - de justificar o cheiro que dali se solta.

Marionetando as pessoas, manejando as suas crenças e humilhando-as defecando-se, este Lourenço confunde-se ele próprio com esse cheiro que ele repetidamente rejeita e justifica - ele que terminou bruscamente o noivado com a noiva entretendo-se onanista defronte da televisão com programas de aeróbica 'Aye, aye!' e ele também que persegue carnal a bunda da rapariga da lanchonete que ironicamente o obriga a frequentar diariamente a latrina cujo cheiro o assola 'Eu dava tudo para ter essa bunda'!

O Cheiro do Ralo recorda-me os filmes de Guy Ritchie na sua essência suja e no descarnar da fealdade humana, é satírico e mordaz e ao se aproximar tanto ao fundo - vísceral - quase que tapamos o nariz com o cheiro desse ralo, enquanto aspiramos o ar fétido que julgamos cheirar, pela boca, de tão hilariante se revela.

Excelente filme ou como se diria por lá: isso aqui é de cu de rôla! A ver, rever, ver.

Visto nas Loff Sessions na Sede do MAL , Lisboa
Depois revisto no Pátio Fradique, Lisboa, CineLençol do MAL
Web OCheiroDoRalo

Palombella Rossa



Nunca um filme me disse tanto. Nunca senti tanta cumplicidade em todos os pormenores, em todas as cenas. Parecia que estava a falar para mim.
O Palombella Rossa passa-se praticamente dentro de água, na piscina do Acireale, na Catania, Sicília. Michele Apicella, interpretado pelo realizador, Nanni Moretti, perde a memória num acidente de carro e tenta reconstruir a memória do que é durante um jogo de pólo aquático que dura uma tarde e uma noite (o que parece ridículo porque nenhum jogo dura tanto, mas foi porque o húngaro partiu a baliza e tiveram que a substituir).
O que lá tinha de mim?

PÓLO AQUÁTICO - As viagens, os autocarros, os restaurantes, os bolos que passam de mão em mão pela equipa, as palestras do treinador. Para nós era impossível estar tão caladas a ouvir o treinador como aqueles estavam, porque uma dúzia de mulheres enérgicas juntas raramente conseguem silêncio. Mas quando conseguem o silêncio marcam golo :)

AS PALAVRAS - Le parole sono importanti. Dois estalos (no filme, porque na rodagem foram mais!) que o Michele dá à jornalista por esta falar mal: cheap, kitsch,... E quem fala mal, pensa mal, vive mal.

COMUNISMO - Ho paura. Michele não consegue fazer um passe para o contra-ataque da equipa porque tem medo. Tem medo de ir para o centro (do campo/da vida política) porque é fundo. Che significa essere comunista? Numa altura de crise ideológica da esquerda italiana, ele tenta redescobrir o que é ser comunista. É ser igual mas ser diferente. É ser católico? Ou ser crente? Defender as massas? Defender a humanidade? Defender o sindicalismo? É ser um movimento de revolução?
Engraçado como me lembrei de uma ligação entre o pólo e a política que se passou comigo. Uma vez, num treino com um treinador de outra equipa, em experiência - ele mal me conhecia - me diz: «- Tu para seres assim revolucionária só podes ser bloquista!» Também... também é ser revolucionária.

ITALIANO - Várias vezes voltava as cenas alguns segundos atrás para ouvir novamente as frases em italiano e decorá-las. Me manca tantissimo parlare italiano.

NÁPOLES - A vista da piscina junto ao porto de Nápoles levou-me há quase 10 anos atrás (!!!) quando em 1999 lá vivi. O mar era dos poucos locais onde era fácil encontrar paz.

Normalmente gosto que passe muito tempo até rever (ou não, caso não valha a pena) um filme. Veria o Palombella logo à noite outra vez.

30 de set de 2008

Eminente e iminente

Para inaugurar o nosso «Português Perfeito», trago-vos o iminente e o eminente. Praticamente os dizemos da mesma forma e querem dizer coisas tão diferentes. Assim sendo, sem mais complicações ou demoras:
IMINENTE - pendente, que ameaça suceder de um momento para o outro
EMINENTE - alto, sublime, superior
O terramoto político está iminente.
O eminente Gabriel Garcia Marquez publicou mais um livro :)

25 de set de 2008

ROCKnROLLA


RocknRolla mostra-nos Londres e as tramóias e jogos de corrupção que várias pessoas usam para alcançar os seus objectivos. Um "simples" assalto acaba por dar azo a muitas peripécias, algumas bem cómicas, e a história tem um desfecho surpreendente.
Não posso contar muito mais porque este filme só visto mesmo! E eu vou ter que o ver uma segunda vez, porque, com sotaques tão fortes, metade passou-me ao lado. :)
Mesmo assim gostei imenso da história e da forma como foi contada, da imagem, dos actores [fiquei de olho nuns quantos ;) ].
Li algures que este filme do Guy Ritchie não era tão bom como o seu Snatch. - eu não vi o Snatch mas então calculo que seja fantástico!

22 de set de 2008

GOLDEN GUIDE

É uma revista gratuita de periodicidade mensal que vai já no seu segundo ano, número 13 e que se debruça sobre diversos temas escapistas como (e retirando literalmente do que se revela na capa) de arte | cultura | eventos . restaurantes | vida nocturna . lojas | desporto.

Ou seja, epicurista ao expoente máximo e em revista exposto, o meu género de publicação. Pena é que na Golden Guide seja tudo tratado e revelado duma maneira demasiado comercial, com excesso de marketing e umbiguismo pedante que não me agrada e que me faz pô-la de lado imediatamente quando a vejo por aí, solta em cafés, bares e lojas por LX.

Não encontrei nem site nem foto - partilho-a para não a omitir.

16 de set de 2008

101 Reykjavík


101 Reykjavík fala-nos de Hlynur (Hilmir Snær Guðnason), um rapaz de 30 anos que vive em casa da mãe e que passa os dias a a ver filmes porno, surfar na net e beber nos bares de Reykjavik, capital da Islândia. Isto até ao dia em que a mãe convida a espanhola Lola (Victoria Abril), sua professora de flamenco, para passar o Natal com eles. Lola, sempre provocadora, questiona Hlynur e espicaça-o para mudar de estilo de vida. Acontecimentos inesperados fazem Hlynur questionar-se a si e tudo o que o rodeia e leva-nos a um fim surpreendente.
Este filme bem inteligente é uma comédia fantástica a não perder! Adorei!

10 de set de 2008

Perfekt Deutsch

Pela primeira vez, apresento-vos neste blogue uma revista. Aliás, a única que ultimamente me tem acompanhado por estas terras germânicas: Perfekt Deutsch.
É uma revista mensal direccionada a quem tem interesse em aprender a língua alemã e que se encontre a residir na Alemanha. O público alvo é, portanto, o imigrante.
Tem por objectivo apresentar textos de fácil compreensão comparativamente aos jornais habituais nas bancas dos quiosques, ajudando quem está a aprender a língua alemã a ter contacto com informação sobre o mundo que nos rodeia, mas de uma maneira menos desmotivante, como acontece quando ouvimos o telejornal e não percebemos o que dizem (de tão rápido que falam e até pelo vocabulário que usam).
Para quem já viveu uma situação parecida, viver num país estrangeiro cuja língua se está a tentar aprender, sabe perfeitamente o quanto desmotivante pode ser, não nos sentirmos verdadeiramente integrados na sociedade do respectivo país de emigração. Uma revista que seja feita para Nós (sim, sou emigrante!) é uma maneira de nos sentirmos acolhidos e principalmente compreendidos!
Os textos abordam temas actuais nacionais e internacionais sobre economia, cultura, educação, turismo, etc.. Enfim, todos os temas que se pode encontrar num jornal "normal" mas redigido para Nós. Ao lado de cada texto existe sempre um quadro explicando as palavras do texto de difícil compreensão. Para além dos temas que já mencionei dão também informações úteis sobre políticas de controlo de imigração, que do meu ponto de vista, costumam ser claras, sucintas e úteis.
É acompanhada de exercícios gramaticais, de argumentação e até de simulação de situações de rotina, como p.ex., a ida a um médico.
Podem também oferecer como "brinde" uns pequenos glossários (de vocabulário mais "básico") acompanhado pela respectiva ilustração (p.ex.: vestuário, utensílios de cozinha, etc..).

De várias acções desenvolvidas na Alemanha para ajudar na integração dos imigrantes na sua sociedade, várias iniciativas são de louvar. Inclusivamente esta revista. Quando tive conhecimento desta revista pensei: e o que se desenvolve em Portugal para ajudar os imigrantes? O que será ser imigrante em Portugal? Sentir-se-ão bem acolhidos ou muito pelo contrário, apenas marginalizados?
Eu não sei o que é ser imigrante em Portugal, mas começo a perceber o que é sê-lo na Alemanha. E dou por mim a pensar naqueles que escolheram Portugal como "país das oportunidades" e acabo por... Não saber o que pensar.
Claro que ser emigrante tem os seus "momentos menos bons", mas no geral, o português é muito bem recebido por estas bandas! Pelo menos em Hamburgo! Misturamo-nos, damo-nos a conhecer, participamos, e principalmente não criamos problemas.

Aqui fica então uma perguntinha: para quando a revista "Português Perfeito"?

8 de set de 2008

Caramel

O ambiente em que se desenvolve a história é basicamente feminino. Temos várias histórias que sendo diferentes entre si, com a sua respectiva protagonista, têm algo em comum: a cumplicidade e o apoio que as personagens apresentam entre si.

As poucas personagens que o filme tem são portanto principais: a dona do salão de beleza que tem uma relação amorosa com um homem casado e que espera pelo dia em que finalmente ele se separe da mulher (que nunca irá acontecer); uma lésbica que se encanta por uma cliente, casada; uma noiva que já não é virgem e que tenta resolver o seu problema através de cirurgia; uma vizinha, costureira, com os seus 60 anos que tem a seu cargo a sua irmã mais velha que empata todas as suas relações amorosas; uma cliente, actriz, também com os seus 50 anos que se recusa a envelhecer;

"Caramel" (o caramelo utilizado no método de depilação deste salão de beleza) representa assim o elo que as une, num momento onde partilham as suas alegrias e as suas angústias num ambiente de intimidade e de cumplicidade.

É um filme que retrata um Líbano diferente do que estamos habituados a ver.
Qualquer assunto relacionado com a sexualidade das personagens é tratado com muita delicadeza, mas que não deixa de conseguir transmitir ao público sentimentos como a paixão, amor e cumplicidade.
Os sonhos, as frustrações, as desilusões e esperanças que estas personagens (libanesas) vão revelando ao longo do filme, podiam ser os de qualquer mulher em qualquer lugar do mundo. Por muito distante que esse ponto seja do nosso país, mesmo com tradições e culturas diferentes, todas nós queremos o mesmo: ser feliz.

Nota: O filme foi dirigido pela própria actriz Nadine Labaki (que interpreta o papel de dona do salão), e foi apresentado no Festival de Cannes de 2007.

5 de set de 2008

CARTAS A UM JOVEM POETA


Chegou-me às mãos um pequeno volume de Rainer Maria Rilke intitulado Cartas a um Jovem Poeta - via dádiva de amigo.

Já tinha lido outros volumes de Rilke - incluindo peças dedicadas a Rodin, obras de Rilke com ilustrações desse e ainda trechos da biografia dedicada a esse portento de escultor de quem foi secretário, mas foi este livrinho que me atingiu agora.

Este pequeno livro é recheado de belas observações que servem a Rilke para conduzir um jovem poeta que o tinha contactado para que o medisse (e aconselhasse) e que nos serve para perceber melhor o pensamento do escritor e a sua relação com as palavras escritas 'se sentir que pode viver sem escrever, não escreva'.

As cartas são uma colectânea do que melhor poderá ser transmitido a quem (quer e deseja) respira(r) literatura, palavras, textos, histórias, contos, poesia, ensaio e onde o autor renuncia aos críticos quase agressivamente e em que aponta a infância - os episódios de infância - como o melhor princípio, a mais recheada arca, a mais bem lembrada memória, o perfeito campo de colheita para as obras seminais de quem se quer escriba. Belo.

SUPERBAD

Nunca tinha eu visto um título realmente tão apropriado para um filme - esta peça aqui é fielmente revelada pelo titulado em letras ao carregar play: Superbad! Esta coisa é SuperSuperBad e nem me apetece colocar link ou acrescentar seja o que fôr, perder tempo a digitar uns poucos mais caracteres? Acha! Não! Um filme mau rotulado de diversão tem que servir pelo menos para um Domingo à tarde, e este nem os requisitos de Domingo de manhã preenche. Adiante.

Visto em reclusão intencionada - LX é feia quando não é desejada realmente.

O SEGREDO DE UM CUSCUZ

Nem vale a pena discutir a triste adulteração do título na sua passagem para português - até porque nem é das mais falhadas e o filme recompensa grandemente o que se perdeu no traduzido titulado.

O Segredo de um Cuscuz é um filme belíssimo de Abdel Kechiche que conta com a presença de inúmeros actores amadores que se representam em perfeição - deixam-se estar, vão ficando, deixam-se filmar. É uma cumplicidade tremenda que se estabelece entre nós e esta família multiracial e problemática como todas - paralelamente ao correr do grande rio da história principal (a luta de Habib em montar um restaurante num barco, ajudado pela mulher que deixou e apoiado pela mulher com que está), outros pequenos afluentes existem, diversos apêndices núcleos familiares com a sua espantosa riqueza e realismo das personagens. Arrisco em chamar-lhes não de personagens ou actores vestindo um boneco, mas pessoas, gente verdadeira, real.

Este filme é absolutamente mágico - vai do luminoso ao escuro, do absoluto ao vazio - mexemo-nos na cadeira tanto impotentes como sorrindo, pontapeia-nos com o feio que existe na vida como também nos embala com o que de mais extraordinário pode ser contado. E é tudo filmado próximo, o realizador não nos dá tréguas, nem tréguas a estas pessoas que se deixaram filmar no seu quotidiano - este filme é um documentário de câmara solta na mão, gesticulando perante as faces, os trejeitos, os defeitos e as imperfeições de quem lhe surge pela frente.

O ternurento momento da refeição em família onde se partilha o cuscuz feito pela anciã é o tempero da vida. Já a catarse da Julia, mulher traída e só um destroço, que grita chora se contorce para a tela durante mais de uns longos 10 minutos obriga-nos a tapar a cara, a afastar o olhar, a pensar em sair dali, a evitá-la. É um desconforto atroz que sentimos no que será possivelmente um dos momentos mais - simultaneamente - duro e intenso do cinema. A dança do ventre empresta-nos a festa da alegria após a dura batalha para erguer o restaurante (através de inúmeras barreiras burocráticas e obstáculos raciais - falamos de um árabe em França) até ao trágico final.

O filme é longo, são 151 minutos de montanha russa sentimental, experimentamos e compartilhamos de tudo o que se passa em tempo real à nossa frente. É como se nos vissemos, é como se nos pintassem, nos documentassem. Este é um magnífico documentário da vida -´e é para mim o melhor filme do ano.

Visto no cinema King, LX - um belo par que se acompanhava.

3 de set de 2008

FREESURF MAG

FreeSurf é a primeira revista gratuita dedicada ao surf em Portugal seguindo o modelo da original hawaiana e replicando para Pt, com os ajustes necessários à nossa realidade, a revista que se multiplica um pouco por todo esse mundo de países fortemente aficcionados do desporto de beira de praia, ondas e pipes.

O site é muito fraco graficamente e muito pouco intuitivo; o suporte escrito tem bom conteúdo, contando com excelentes artigos não tão só de surf como de generalidades políticas e sociais (o que a abre a um público mais amplo) mas peca também pela pouco apelativa aparência gráfica. Mesmo com todos os downsides, é fantástico receber esta publicação - que vai já no 3º número, foto ao lado.

A periodicidade é bimestral e recolhe-se por aí, da Ericeira ao Supertubos, de Santa Cruz ao Amado, da Praia do Norte à Arrifana, de Sagres a Peniche, do Baleal a Ribeira de Ilhas - dos bares do Bairro Alto às lojas de surfwear.

CONTROL

Não poderia existir melhor homenagem ao grupo e ao homem-rapaz por detrás da banda que imortalizou temas como Disorder, Love Will Tear Us Apart e, my personal favourite, Transmission. E essa dedicatória teria que surgir como aqui é apresentada, a p&b, opção do fotógrafo realizador Anton Corbjin que pretende assim partilhar o seu imaginário de adolescente em que esta banda reside em cores cinza e a sombreados.

A banda é Joy Division e o homem Ian Curtis, brilhante e depressivo em toda a sua magnitude de adolescente (naturalmente) amargurado. A sua purga era a música e a banda aqui metralha riffs de guitarra frame a frame enquanto acompanhamos a curta vida de Curtis decaindo após cada ataque de epilepsia.

O filme é brilhantemente interpretado e filmado, este filme é perfeito em tudo! Sam Riley como Curtis está soberbo e em conjunto com os restantes actores que representam a banda, encarnaram mesmo nos Joy - nos momentos em que entra a música são eles que a tocam, eles que a cantam, eles que a levam, eles que se agitam, eles que conduzem, eles que nos encantam. E a personagem do Toby Kebbell está deliciosa como manager do grupo!

O filme é um biopic assumido de Curtis e da sua absoluta necessidade de CONTROLe sobre a sua doença e a sua vida. E a nós sobre a nossa.

E a realização, a realização! É do melhor que tenho visto e terá a ver certamente com o percurso de Corbijn: fotógrafo reconhecido que chegou a colaborar com os Joy e outras bandas e que realizou diversos clips para grupos como os Depeche, Nirvana e os Metallica. As opções são tão trabalhadas, o trabalho de direcção é tão de ourives, tão rendilhada o trabalho de câmara que este filme se assume como uma obra prima. A ver e ouvir absolutamente!

Visto no Primeiro Couch Film Fest, LX, Julho de 2008

26 de ago de 2008

Paris


Bastou-me ver o trailer de Paris para pensar que não podia perder este filme do mesmo director de L'auberge espagnole (Cédric Klapisch).
Paris fala-nos de Pierre ( Romain Duris), um dançarino profissional que tem uma doença cardíaca e que espera por um transplante do coração; fala-nos também de Élise (Juliette Binoche), irmã de Pierre, e de muitas outras pessoas que, de diferentes formas, fazem parte das suas vidas.
Gostei mesmo muito deste filme. Das histórias, da Fotografia fenomenal e das interpretações dos actores.
Entre várias coisas, ficou-me na memória o ranger do chão da casa de Pierre (que me lembra o som da casa da minha tia, em Paris) e a cena em que Pierre fica a tomar conta dos sobrinhos (reparem na letra da música!!).
A não perder!

Wall.e

Com esta coisa de ver cinema em casa a toda a hora, já tinha perdido a conta aos meses sem fim que não ía a uma sala de cinema. Walle marcou o regresso...
Para mim, o mais fantástico, é sem dúvida a forma como os robôs comunicam entre si e com os humanos sem falar
. As expressões bastam... A Terra enfrenta uma crise de lixo tão grande que para garantir a sobrevivência dos Homens, estes refugiam-se numa giga-nave no espaço onde se deslocam numas cadeiras voadoras e comem, comem, engordam, comem. Programam o envio de robôs para pesquisar se ainda há vida na Terra e é aí que o Walle, último robô na terra, parte de uma operação falhada de limpeza do lixo, conhece a Eva, o robô que vai à procura de vida. E o resto é alegria, romantismo e diversão.

24 de ago de 2008

A ESCOLA DOS CARTEIROS

A Escola dos Carteiros serviu também de escola para o posterior Jour de Fête que vi em complemento a este e em que Tati espraia todas as suas capacidades como mimo e animador. Este A Escola, de 1947, serve como treino para o filme maior e recai nas atribulações e trapalhadas da personagem do carteiro François, maravilhosamente preenchida de gestualidades patarecas por Tati. As cenas mais hilariantes são a do treino dos carteiros, com bicicletas amarradas ao chão dentro da estação central, em que François pede um copito após ouvir sermão sobre a necessidade de maior velocidade na entrega e a cena final com a sacola cheia de cartas a ser levada por um avião. Esta curta é linda, imperdível!

HÁ FESTA NA ALDEIA

Jacques Tati, de seu verdadeiro apelido Tatischeff - reduzido para um francófono Tati, é dos mais interessantes realizadores/actores do século passado, surgindo na linha cómica de Keaton e Chaplin. Começou a sua carreira cinematográfica filmando as suas actuações como mimo, panafernália física que o acompanhou em todas as obras e que levou à sua maior criação, a de Monsieur Hulot (presente também nos perfeitos Mon Uncle - que lhe valeu um Óscar e Cannes - e Playtime).

Hilariante como sempre, neste Há festa na Aldeia (Leão d'Ouro), Tati compõe um desastrado carteiro, cheio de barroquismos nos gestos e com especial tendência a meter-se em trapalhada sobre trapalhada enquanto tenta terminar a ronda de entrega de cartas. O filme é hilariante e vive sobretudo do gesto, toda a linguagem é mínima e por vezes abdica-se totalmente desta tornando-a imperceptível, ruído de fundo. Em todos os filmes de Tati isto é bem marcado, abundando o gesto em detrimento das falas (e existindo, quase todas inaudíveis), mas convenhamos, ele era mimo e como mimo, é a pantomima do seu corpo e face que nos atrai.

Jour de Fête tem cenas em que me desmancho completamente como a que o carteiro é desviado da ronda para coordenar a colocação do poste para a festa, ou a cena do café em que o embebedam conscientemente, ou ainda a da entrega de carta 'à americana' que termina com uma trapalhona queda a um rio.

Como curiosidade refira-se que este filme seria o primeiro francês - falamos de 1949 - filmado a cores, o que não aconteceu por falha da tecnologia que era ainda experimental. Salvou-se o filme pois Tati decidiu filmar simultaneamente a pb - o filme como ele o pretendia seria finalmente lançado em 1995, com cores que preenchem o ecrã e se assumem expressionistas.

A ver - é delicioso! Revisto em delicodoce manhã domingueira.

18 de ago de 2008

O amor nos tempos de cólera



"Florentino Ariza não deixara de pensar nela um único instante desde que Fermina Daza o rechaçou sem apelação depois de uns amores longos e contrariados, e haviam transcorrido a partir de então cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias."
Este livro, inspirado na história real dos pais de Gabriel Garcia Márquez, conta-nos a história de Florentino Ariza e o seu amor por Fermina Daza - que surgiu na flor da idade e o acompanhou pela vida fora. E conta-nos todos os outros amores que foram ajudando Florentino Ariza a ultrapassar a dor de não ter Fermina Daza a seu lado.

Adorei ler este livro e estou super curiosa para ver o filme (que já anda por aí). Li a versão brasileira, o que me trouxe um desafio e faz-me pensar que não é um acordo ortográfico que nos vai fazer entender melhor...
Gostei de várias frases/excertos que partilho agora aqui:
- "(...) e Florentino Ariza compreendeu por fim que se pode ser amigo de uma mulher sem ir para a cama com ela."
- "Era a ele [Juvenal Urbino - o marido], e não às cunhadas imbecis e à sogra meio doida, que Fermina Daza atribuía a culpa pela armadilha de morte em que fora apanhada. Tarde demais desconfiava de que, por trás da sua autoridade profissional e seu fascínio mundano, o homem com quem se casara era um fraco sem redenção (...)"
- "(...) Fermina Daza os punha onde não se vissem. Pois não era tão ordenada quanto acreditava, mas tinha um método próprio e desesperado de parecer que era: escondia a desordem."
- "Solitário entre a multidão do cais, dissera a si mesmo com um toque de raiva: 'O coração tem mais quartos que uma pensão de putas'." [Concordo tanto com isto! O meu coração tem muitos cantinhos reservados às pessoas especiais da minha vida... :) ]

16 de ago de 2008

RUGGED

Rugged é uma revista de distribuição gratuita e periodicidade quadrimestral - aborda as tendências urbanas ao género da DIF e da PARQ aqui por Portugal, sendo que a diferença é que a distribuição é mais abrangente e eu ainda a consigo apanhar aqui por LX, mesmo sendo feita em Dusseldorf, o que é explicável dado que surge em inglês e trata do que se passa no mundo da streetwear, streetart e música e não se fica pelo umbiguismo das nossas que se centram muito por Lisboa e que atiram para segundo plano o inglês. As nossas de casa são boas, mas a Rugged é, dentro do género, excelente! Vai já no nº 16, pós verão de 2008.

Imagem de capa do nº8 - foi a mais apelativa que encontrei, mesmo tendo aqui em mãos o nº 15, com interessantes artigos sobre José Posada e Wu Tang Clan, a descoberta da alemã Trust Mag e pérolas sobre Tattoo e urban art página após página. Altamente recomendável!

14 de ago de 2008

A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS

Existe uma vida secreta nas palavras que é revelada apenas quando outras palavras nos vêm preencher os vazios. Hannah é uma tímida operária fabril surda e reservada que é obrigava a tirar um tempo de férias por revelar problemas de adaptação e de convivência com os outros operários.

Hannah desliga o aparelho auditivo que a aproxima do mundo e nesses longos momentos de ausência dos outros encontra a paz, parecendo aos outros que o isolamento a que se vota é uma afronta que lhes dedica - mais que uma intolerância perante o silêncio, é uma incompreensão perante a doce ausência das palavras em excesso. E Hannah usa as palavras como uma torneira mal fechada: gota a gota, comedida, sóbria e certeira.

Nesse seu mundo silencioso Hannah encontra o lugar perfeito quando, estando de férias junto à costa, surge-lhe a possibilidade de trabalhar como enfermeira de um operário ferido e cego provisoriamente, numa plataforma petrolífera. Este local é o poiso de homens perdidos e todos eles silenciosamente presos a palavras não ditas e memórias camufladas. Existe o cozinheiro italiano que para combater a monotonia dedica cada dia a um país diferente cozinhando, vestindo-se e ouvindo música desse país - pelo que é incompreendido pelos outros que lhe pedem um simples cheeseburguer. Temos aqui o biólogo que estuda o batimento da ondulação na plataforma e que se dedica à investigação da vida das ostras. Temos o amor entre dois homens com família lá fora que se vai revelando. E temos o homem na cama - um magistral Tim Robbins - queimado e provisoriamente cego que vai desvendando aos poucos toda a sua história enquanto tenta descobrir a de Hannah.

Hannah encaixa no perfil de silêncio e de inquietude que povoam esta plataforma repleta de fantasmas - os seus deleites secretos com a comida preparada pelo cozinheiro são para ela um pecado que aprecia a só, salvando-a um pouco mais - são pequenos passos para a sanidade que vai desbravando, ela que é louca por maçãs e paranóica por barras de sabão.

Este filme de Isabel Coixet, de representações acutilantes, de personalidades envolventes, de uma história dramática que se nos vai surgindo, de uma fotografia e filmagem sóbria e serena é uma bela lição sobre a relação entre pessoas que se vão descobrindo e absolvendo, mesmo perante si.

* Visto na mostra de cinema espanhol, Cinema São Jorge, LX - Julho de 2008

O MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO

Quando reparei na propaganda a este filme espalhada pelo Bairro Alto, notei uma pequena frase que a acompanhava e que tornava a obra ainda mais atraente: dos mesmos produtores da Melhor Juventude chega agora O meu irmão é filho único - Mio Fratello È Figlio Unico. Como tinha adorado o primeiro não iria deixar de ver este, ainda mais com o especial atractivo de ser dos mesmos criadores.

Este filme de Daniele Luchetti tem as mesmas preocupações de La Meglio Gioventù - ou seja, preocupa-se em contar a história recente de Itália associando-a a quem a construiu e viveu, os seus próprios cidadãos, os próprios italianos. Todos os temores presentes no crescimento estão aqui de lado a lado com as ideologias políticas e a luta social do pós-guerra na bota itálica. O fascismo e o comunismo, o socialismo e o terrorismo das Brigate Rosse e os irredutíveis fascistas das Camisas Negras surgem lado a lado e mesmo como combustível para a afirmação adulta de Accio e diferentes crenças políticas deste em relação a toda a família marcam-no como filho único - nem melhor nem pior como pessoa por apoiar inicialmente a doutrina fascista, nem como instável por mais tarde se aproximar ao ideário comunista. Ele é representativo da descoberta da juventude - essa melhor juventude que vai residindo nas memórias - cheio de erros, gritos, omissões, verdades, avanços e recuos.

O triângulo amoroso e político com o seu irmão e a namorada deste é um dos aspectos mais do seu avanço como homem que procura respostas e não as vai encontrando facilmente. Se é um filho único não deixa de ser irmão, e se combate dentro da própria família pela sua afirmação e daí para fora, para o mundo não é por isso que o afastam. O título - impecável - surge mais na própria incompreensão de Accio sobre si.

As interpretações são arrebatadoras e tudo no filme é magnífico, existe algo de profundamente enternecedor e novelístico nesta partilha da vivência com uma qualquer família italiana. Não fomos somos seremos assim também?

* Filme visto no Cinema King, LX, em excelente companhia de mim contigo.

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA

Outra das curtas de Condorcet que se rege pelas normas do Dogma. 4 de 6 das que vi - verei as restantes já já. Não consegui encontrar qualquer referência a esta obra online, nem no omnisciente IMDB me safei, por isso aproveito para postar a obra de Eduardo Condorcet disponível nesse site : Eduardo Condorcet no IMDB.

Em Verdade ou Consequência, um jogo que se joga na vida jogando com segredos de vida que se pretendem revelar mas não se partilham de facto, torna-se um jogo violento. Um choque entre o querer e o poder, entre o grito e o medo da expectativa da revelação, entre a revolta e o conformismo revelado.

Este é o filme do oprimido, em que o herói é esmagado por todos e apenas por si. É um herói fraco que odiamos por não se revelar mas que ao mesmo tempo acompanhamos a dor de querer ser o que todos querem que seja, uma ideia de, uma ideia. E é sob esta ideia de ser algo que não é, que permanece, levando-nos a um simultâneo amor-ódio que lhe vamos sentindo. E é um filme sobre a realidade, a realidade da discriminação, sobre a intolerância perante uma relação amorosa minoritária - uma relação homossexual e o odioso conformismo que se vai estabelecendo sem resolução. A compreensão poderia existir mas o novelo nunca é desenrolado - permanece após toda a tensão do jogo a situação que já existia.

As interpretações são capazes e bastante credíveis na sua constante frustração - a fotografia razoável e o trabalho de edição, sobretudo o trecho inicial, muito interessantes. Não é tramado qualificar seja o que for na expectativa que nos acreditem? Vejam e comentem.

Uma curiosidade ao anteriormente referido Máscaras do mesmo director - a personagem central, Ralf é protagonizada pelo mesmo actor que faz de primeiro médico assistente, Dr Wagner, da mãe comatosa no enternecedor Good Bye Lenin! de Wolfang Becker.

Visto algures em jeito esquecido e deleitoso.