28 de jan de 2008

O SILÊNCIO DO MAR



de Vercors, pseudónimo de Jean Brulle

O Silêncio do Mar é uma belíssima história de silêncios e de ocasiões, um conto sobre a tolerância e sobre o belo que se pode encontrar ainda nas pessoas e na vida, mesmo em tempo terrível da guerra. É uma elegia, é uma ode, é toda uma descrição poética do que encontramos de melhor sobre o pior dos momentos.

nota : Li primeiro esta colectânea de contos há muitos anos atrás numa edição da Atlântida Editora de Coimbra, que consegui encontrar numa Festa do Livro e fui surpreendido pelo conto Uma Mentira Política, que se desenrola nessa cidade ao tempo de Pombal, tão mais admirável por ter sido escrito por um francês em altura da Segunda Grande Guerra.

[adenda ao 'O Silêncio do Mar', para cumprir a ânsia dos super-comentadores] :

3 personagens preenchem o cenário desta história que é um conto, mas que podia bem ser um detalhe da vida autêntica; 3 personagens emudecem no espaço enquanto se sente o inexorável rolar das horas e apercebem-se as suas emoções e expressões; 3 personagens digladiam-se na França ocupada, num momento intermédio da Segunda Grande Guerra; das 3 personagens uma é o ocupante (o esperançoso e poético oficial alemão Werner) e as outras duas as ocupadas (caladas mas não subservientes, tio e sobrinha franceses).

Toda a acção se desenrola num pequeno espaço e estuda o comportamento humano - e funcionaria lindamente num palco. As duas personagens francesas existem na pequena sala central à história como se peças de mobiliário fossem, imóveis e indiferentes à presença do soldado, que longe de os acossar - mesmo estando no papel de conquistador - os tenta de todos os meios arrebatar. O final é um final concreto, e não o revelo porque estraga toda a beleza do avançar da relação amor-ódio que se vai estabelecendo.

Mas é o saber o final o propósito em si, ao ler uma obra? Se assim fosse, proporia, uma galeria interminável de finais, uma Biblioteca de Babel escrita pelo meio, pelo fim.

[adenda minha]

O nome original do livro é 'Le Silence de la Mer', de 1942 e foi adaptado ao cinema em 1947, por Jean-Pierre Melville.

3 comentários:

Eurídice Furtado Monteiro disse...

Olá Su

Recebi o teu email com as novas do novo blog e passei para mergulhar no “Mar de Silêncios”.

Bjs a todas
Eury

rafa disse...

beijos a todas e beijos para mim, 'o' ele ;)

Eurídice Furtado Monteiro disse...

Olá Rafa

não fiques triste. mereces também um beijinho!...