31 de ago de 2009

LISBON ENCOUNTER




Tinha que trazer este à baila até porque tive papel participante nele (assim como no Guia Lonely Planet Portugal). Colaborei muito próximo com a editora no Encounter e através dela ainda tive voz no Portugal. Coadjuvei-a sobretudo nos segmentos dedicados À arte contemporânea e street art e à vida nocturna ecléctica e desconhecida.

Espreitem ambos e talvez se surpreendam descobrindo algo que desconheciam sobre o nosso país.

Link | Lisbon Encounter

25 de ago de 2009

KAFKA À BEIRA-MAR



Ofereceram-me este livro de Murakami em Abril de 2007 - e se vos causa surpresa por só agora o ter lido (ou se não causa de todo pela minha implícita estupidez de ser tão lento leitor pelo facto de ter levado 2 anos e meio a ler um livro). Eu explico. Chegou-lhe a vez no meu monte de leitura, no meu pináculo de livros estacionados junto à cama, empilhados montando uma mesa de cabeceira. Vejo de seguida o Príncipe de Maquiavel, que agora releio.

Kafka à Beira Mar, é um dos ovnis mais saborosos que li ultimamente - o último que retenho que tenha lido e que era assim tão complexo e tortuoso terá sido o Fight Club de Palahniuk. Murakami constrói um labirinto de história que ao invés de correrem paralelas como parece inicialmente - convergem em apoteose de final de filme trágico. As duas personagens centrais - que nunca se tocam mas se vão aproximando em rota de colisão sem colidirem directamente mas provocando uma erupção de tragédia grega - Nakata e Kafka, vivem um rol de acontecimentos e provocam reacções em cadeia que lhes assistem aos propósitos que são para eles próprios desconhecidos.

O livro é um Lord of the Rings, este livro é uma verdadeira tragédia grega, é a epopeia de Ulisses escrita por Homero e reescrita por Murakami (ele próprio que estudou teatro clássico) e onde se revelam diversas constantes na obra do escritor nipónico: a música clássica e o jazz (Murakami foi dono de um bar de Jazz), o teatro e a literatura clássicas europeia e japonesa e o dono de bar solícito e cheio de ensinamentos. As referências musicais e literárias multiplicam-se e servem o misticismo desenvolto de Murakami num romance que chamaria mais ocidental que verdadeiramente japonês - mas que não perde essa vertente encantatória do país do Sol nascente.

A minha teoria epopéica é reforçada pelas personagens que vão surgindo e interagem com os heróis trágicos Nakata e Kafka orbitando entre o fantasmagórico e o corrente, o sobrenatural e o natural, o inacreditável e o existente , desde a sua génese até ao ocaso de um e a realização do outro: a prostituta deslumbrante e hipnótica em jeito de sereia, o louco escultor Johnny Walker que degola gatos por desporto, os camionistas filosófos, a figura paternal e mágica do Coronel Sanders que me lembra um duende, o solícito Hoshino, a doce e trágica Saeki que surge duplamente real e em espírito, o culto regedor da biblioteca de literatura japonesa clássica e transexual Oshimo a que junta a notável capacidade de conversar com gatos de Nakata e sua busca da Pedra da Entrada e a oportunidade de Kafka em lidar com situações extremas como a do espírito de Saeki adolescente, o retiro da montanha isolado de Oshimo e o reduto num universo paralelo guardado por dois militares desertores.

O livro poderá a tempos surgir monótono e irregular mas surgirá sempre algo que nos atira para as páginas seguintes e se de facto a história se prolonga em páginas não é de difícil consumo em 2 semanas de leitura - são mais de trezentas páginas aceleradas e carregadas de complexidade banhadas por toneladas de referências da cultura popular japonesas.

Leiam - valerá a pena. As cenas de sexo são intensamente gráficas e se o romance parecerá disparatado, não o é mais do que a Odisseia, a Eneida, a Ilíada e os Lusíadas a seu tempo.

Lido entre Wien e Lisboa.

Link : http://en.wikipedia.org/wiki/Kafka_on_the_Shore

13 de ago de 2009

VALSA COM BASHIR



Fazer terapia com o passado distante e partilhá-lo - ora aqui está como fria e cruamente definiria este belíssimo trabalho de animação por Ari Folman que andou no ano passado chocalhando inúmeros festivais de cinema pelo mundo afora.

Mais candidamente chamaria Waltz with Bashir terapia mas mais ainda como prodígio visual e monumento à paciência técnica que a mim, como amante incondicional da arte da animação, me fazem considerar este filme um portento do género. 4 anos de trabalho divididos por filmagens e entrevistas on set com personagens reais seguidos por pós-produção e esquematização em storyboards finalizados com desenho momento a momento e com animação frame a frame. Extraordinário. Só me faz apetecer rever Waking Life e Scanner Darkly e Coolworld.

Se de si a técnica é irrepreensível e recomendável sem mácula já o objecto do filme é a pasta para o molho neste cozinhado em perfeição. A experiência como soldado israelita durante os conturbados massacres nos campos de refugiados de Sabra e de Shatila durante a Guerra do Líbano de 82 - na qual Israel deixou cair completamente a máscara de nação insuficiente e se revelou como uma potência regional. Longe de fazer objecções políticas ou sequer de questionar quaisquer questões de ingerência ou abuso ou ainda recusando tomar partidos em profundidade, o filme serve como consulta ao passado que se teria encapotado e que surge após contacto com amigo que foi também combatente no mesmo cenário.

A consciência de Ari é despertada lentamente e relatam-se os episódios da guerra que vão reaparecendo agressiva e finalmente em contacto com companheiros da época ou em visões de deja vu. O que nos chega é um retrato da época - contaminado claro pela visão partir do olhar (e olhares) de um adolescente de 19 anos israelita, mas não engajado - um diário de guerra em pesquisa de retrocesso de vida. Vejam - aprendam e questionem. E amem como eu amo.

Visto no Monumental, acompanhado do MAL

Link 1 | http://www.imdb.com/title/tt1185616

10 de ago de 2009

Publicações Artistas Unidos



Escolhi esta imagem de entre tantas publicações saídas ao prelo pelos Artistas Unidos porque o tenho e porque me recordo perfeitamente de ter visto a peça do meio entre as três. Sempre admirei o trabalho deste colectivo de actores lisboetas que aliam esta aventura editorial dos Livrinhos de Teatro a uma produção contínua, profícua e dinâmica seja desde a sua sede ainda emprestada na Graça, o Convento das Mónicas ou a partir de gravitações mais ou menos intermitentes pela Malaposta, pelo IFP ou outros - enquanto não voltam de justiça para a sua natural e anterior sede no Teatro Paulo Claro no Edifício Capital ao Bairro Alto.

Sei que já se removeram bastantes barricadas quanto a isso e se quiserem saber mais da polémica e das sugestões para a recuperação e reconversão do edifício pelo Arqto Pedro Maurício Borges espreitem o site.
Enquanto isso desfrutem das peças e acompanhem-nas com a leitura destes livretos de bolso que se encontram na pequena livraria na entrada no Convento das Mónicas.

Lidos e vistos de Jean Luc Lagarce (Music Hall e As Regras da Arte de Bem Viver na Sociedade Moderna) no Instituto Franco-Português

Lido e visto de Juan Mayorga (Hamelin) no Convento das Mónicas

Ambas as peças e publicações pelos Artistas Unidos.
AU > http://www.artistasunidos.pt

ROJO vs UMBIGO



Não é que eu queira um confronto entre as duas publicações - não o desejo, só que as vejo tão próximas que tinha as aproximar - passe a redundância de forma. E são as duas duas grandes revistas que se preocupam em revelar e partilhar o que de mais interessante se vai fazendo no mundo das artes plásticas - street art - design - moda e escrita alternativa. Um dos nossos amigos - Si - já aqui veio publicado na Umbigo e outra minha amiga realizou o grafismo de um do números também da Umbigo.

Comprem e vejam - não se irão arrepender.

Folheadas por BCN - CBR e LX

Links

http://www.rojo-magazine.com
http://umbigomagazine.com

BÍBLIA



Falando de Bíblia não é imediato que se perceba que me refira a não outro do que ao livro sagrado das escrituras - mas de facto aqui falo da Revista Bíblia, publicação agora trimestral criada nuns já longínquos 96 e já reverenciada também; não sei se sem algum fanatismo à mistura. Solidificada a partir de uma base que chamaria de fanzine, Tiago Gomes montou uma revista que se suporta nos trabalhos de artistas e escritores, cronistas e poetas, designers e músicos que vale bem a pena espreitar.

Assinem - leiam - partilhem.

Folheada por LX

Link : http://revista-biblia.com

THE WAVE (livro) e THE WAVE (telefilme)





Tinha a vaga ideia de que o filme A Onda teria já sido comentado aqui no blog - mas não encontrei o link pelo que não estou certo se foi uma partida da minha memória, estou no entanto seguro de que os meus colegas de página irão responder-me quanto a isso. Mas o que comento aqui é o livro e não a sua versão alemã em filme. Melhor ainda - faço uma escatológica busca sobre o que deu origem ao filme e ao livro e aponho-lhe questões de ordem psicológica.


O filme The Welle por Dennis Gansel foi adaptado a partir do livro The Wave de Todd Strasser que o escreveu sob o pseudónimo de Morton Rhue. Este por sua vez foi baseado no telefilme The Wave de Norman Lear que adaptou para televisão o texto de Ron Jones chamado de Take as Directed baseado na experiência que implementou numa escola californiana e a que chamou The Third Wave. Inúmeras versões teatrais e musicais foram também realizadas. O livro que li foi o escrito por Todd Strasser na língua original mas isso levou-me também a ver o telefilme e a tentar perceber também melhor a experiência que se retrata.

O livro é interessante a um nível social e psicológico, na medida que levanta inúmeras questões quanto à manipulação das massas e ao anulamento do individual em detrimento do grupo. Aparte toda a polémica quanto à veracidade da experiência de Ron Jones alegadamente realizada por ele numa escola de Palo Alto em 67 - e que podem perceber no segundo link abaixo - é verdadeiramente interessante a um nível comportamental e histórico encontrar semelhanças entre este grupo de estudantes que foi encaminhado, seduzido e orquestrado em imensos episódios tenebrosos na humanidade. Mais propriamente do Nacional Socialismo e na WW2 em que se baseiam as obras.

É possível ainda acontecer hoje em dia toda esta manipulação de gentes? É. Acredito que o risco existe e que persiste ainda entre nós - sob a bandeira de partidos e movimentos e agremiações. Por isso mesmo - por esse perigo latente - é que o estado alemão oficializou a leitura do livro como obrigatório no ensino liceal.

O livro é simples e lê-se rapidamente - o seu interesse advém, como já disse, da experiência em si. O telefilme é anterior ao livro e este corresponde sílaba a sílaba ao que lá vem descrito.

Lido em Viena de uma assentada.
Visto em LX em complemento de tarde.

Vejam aqui o telefilme e o restante material : http://www.thewave.tk
Espreitem este também sobre a polémica da veracidade da experiência :
http://www.geniebusters.org/915/wave_statements.html

2 de ago de 2009

Slumdog Millionaire


Jamal e Latika. Os protagonistas deste filme britânico de 2008 baseado no livro "Q and A" de Vikas Swarup e que arrecadou 8 óscares.
Há quem diga que é um filme bollywood. Já vi alguns e acho que de bollywood tem pouco.

"Slumbdog Millionaire" apresenta-nos um pouco de tudo: romance, realidade, ficção, humor, alguma pancada, drama, um ou outro tiro.
A sinopse encontram-na aqui bem como o trailer.
Adorei o filme. Adorei as personagens. Os actores foram muito bem escolhidos para os papeis. A carinha de Jamal, não podia ser mais ternurenta para o papel que desempenha, tivesse ele 6 ou 18 anos ;D. É uma história de amor sim e que acaba, claro, com um e foram felizes para sempre. Ok, e com uma dança à bollywood!
E as crianças, demais! Os seus papéis foram muito bem conseguidos e as imagens onde entram são divinais.
Para terminar, deixo-vos uma das músicas da banda sonora que fica mesmo no ouvido! "Jay Hooooooo...!" :)