3 de set de 2008

CONTROL

Não poderia existir melhor homenagem ao grupo e ao homem-rapaz por detrás da banda que imortalizou temas como Disorder, Love Will Tear Us Apart e, my personal favourite, Transmission. E essa dedicatória teria que surgir como aqui é apresentada, a p&b, opção do fotógrafo realizador Anton Corbjin que pretende assim partilhar o seu imaginário de adolescente em que esta banda reside em cores cinza e a sombreados.

A banda é Joy Division e o homem Ian Curtis, brilhante e depressivo em toda a sua magnitude de adolescente (naturalmente) amargurado. A sua purga era a música e a banda aqui metralha riffs de guitarra frame a frame enquanto acompanhamos a curta vida de Curtis decaindo após cada ataque de epilepsia.

O filme é brilhantemente interpretado e filmado, este filme é perfeito em tudo! Sam Riley como Curtis está soberbo e em conjunto com os restantes actores que representam a banda, encarnaram mesmo nos Joy - nos momentos em que entra a música são eles que a tocam, eles que a cantam, eles que a levam, eles que se agitam, eles que conduzem, eles que nos encantam. E a personagem do Toby Kebbell está deliciosa como manager do grupo!

O filme é um biopic assumido de Curtis e da sua absoluta necessidade de CONTROLe sobre a sua doença e a sua vida. E a nós sobre a nossa.

E a realização, a realização! É do melhor que tenho visto e terá a ver certamente com o percurso de Corbijn: fotógrafo reconhecido que chegou a colaborar com os Joy e outras bandas e que realizou diversos clips para grupos como os Depeche, Nirvana e os Metallica. As opções são tão trabalhadas, o trabalho de direcção é tão de ourives, tão rendilhada o trabalho de câmara que este filme se assume como uma obra prima. A ver e ouvir absolutamente!

Visto no Primeiro Couch Film Fest, LX, Julho de 2008

2 comentários:

Si disse...

Quando o filme estreou aqui, quis muito ve-lo mas nao tive oportunidade... Se voltar ao grande ecra nao poderei falhar!
Fiquei curiosa para ver como Ian Curtis "luta"/sobrevive com o facto de ser epiléptico.

Ana disse...

Mais um filme para riscar da lista.
Bom, a questão é mesmo essa: "como sobreviveu vivendo a vida como viveu". É que o "problema" (que para mim não é problema nenhum! Só não consegui arranjar outra palavra para que as pessoas entendam o que escrevo...) não estava em ser epiléptico, mas sim, viver naquela agonia e sofrimento diário por ser como era. O que eu imagino que um grande cantor deve ter, é a capacidade de Viver as Músicas em Palco. Músicas como pedaços de si e Palco como terreno emprestado para reviver tudo outra vez, tal qual sentiu quando escreveu a canção. E isso ele fazia. Por isso tentou sobreviver mais e mais um dia.
Bem, e as personagens estão muito bem conseguidas. A personagem principal, então... E a fotografia é realmente muito boa.