26 de ago. de 2008

Paris


Bastou-me ver o trailer de Paris para pensar que não podia perder este filme do mesmo director de L'auberge espagnole (Cédric Klapisch).
Paris fala-nos de Pierre ( Romain Duris), um dançarino profissional que tem uma doença cardíaca e que espera por um transplante do coração; fala-nos também de Élise (Juliette Binoche), irmã de Pierre, e de muitas outras pessoas que, de diferentes formas, fazem parte das suas vidas.
Gostei mesmo muito deste filme. Das histórias, da Fotografia fenomenal e das interpretações dos actores.
Entre várias coisas, ficou-me na memória o ranger do chão da casa de Pierre (que me lembra o som da casa da minha tia, em Paris) e a cena em que Pierre fica a tomar conta dos sobrinhos (reparem na letra da música!!).
A não perder!

Wall.e

Com esta coisa de ver cinema em casa a toda a hora, já tinha perdido a conta aos meses sem fim que não ía a uma sala de cinema. Walle marcou o regresso...
Para mim, o mais fantástico, é sem dúvida a forma como os robôs comunicam entre si e com os humanos sem falar
. As expressões bastam... A Terra enfrenta uma crise de lixo tão grande que para garantir a sobrevivência dos Homens, estes refugiam-se numa giga-nave no espaço onde se deslocam numas cadeiras voadoras e comem, comem, engordam, comem. Programam o envio de robôs para pesquisar se ainda há vida na Terra e é aí que o Walle, último robô na terra, parte de uma operação falhada de limpeza do lixo, conhece a Eva, o robô que vai à procura de vida. E o resto é alegria, romantismo e diversão.

24 de ago. de 2008

A ESCOLA DOS CARTEIROS

A Escola dos Carteiros serviu também de escola para o posterior Jour de Fête que vi em complemento a este e em que Tati espraia todas as suas capacidades como mimo e animador. Este A Escola, de 1947, serve como treino para o filme maior e recai nas atribulações e trapalhadas da personagem do carteiro François, maravilhosamente preenchida de gestualidades patarecas por Tati. As cenas mais hilariantes são a do treino dos carteiros, com bicicletas amarradas ao chão dentro da estação central, em que François pede um copito após ouvir sermão sobre a necessidade de maior velocidade na entrega e a cena final com a sacola cheia de cartas a ser levada por um avião. Esta curta é linda, imperdível!

HÁ FESTA NA ALDEIA

Jacques Tati, de seu verdadeiro apelido Tatischeff - reduzido para um francófono Tati, é dos mais interessantes realizadores/actores do século passado, surgindo na linha cómica de Keaton e Chaplin. Começou a sua carreira cinematográfica filmando as suas actuações como mimo, panafernália física que o acompanhou em todas as obras e que levou à sua maior criação, a de Monsieur Hulot (presente também nos perfeitos Mon Uncle - que lhe valeu um Óscar e Cannes - e Playtime).

Hilariante como sempre, neste Há festa na Aldeia (Leão d'Ouro), Tati compõe um desastrado carteiro, cheio de barroquismos nos gestos e com especial tendência a meter-se em trapalhada sobre trapalhada enquanto tenta terminar a ronda de entrega de cartas. O filme é hilariante e vive sobretudo do gesto, toda a linguagem é mínima e por vezes abdica-se totalmente desta tornando-a imperceptível, ruído de fundo. Em todos os filmes de Tati isto é bem marcado, abundando o gesto em detrimento das falas (e existindo, quase todas inaudíveis), mas convenhamos, ele era mimo e como mimo, é a pantomima do seu corpo e face que nos atrai.

Jour de Fête tem cenas em que me desmancho completamente como a que o carteiro é desviado da ronda para coordenar a colocação do poste para a festa, ou a cena do café em que o embebedam conscientemente, ou ainda a da entrega de carta 'à americana' que termina com uma trapalhona queda a um rio.

Como curiosidade refira-se que este filme seria o primeiro francês - falamos de 1949 - filmado a cores, o que não aconteceu por falha da tecnologia que era ainda experimental. Salvou-se o filme pois Tati decidiu filmar simultaneamente a pb - o filme como ele o pretendia seria finalmente lançado em 1995, com cores que preenchem o ecrã e se assumem expressionistas.

A ver - é delicioso! Revisto em delicodoce manhã domingueira.

18 de ago. de 2008

O amor nos tempos de cólera



"Florentino Ariza não deixara de pensar nela um único instante desde que Fermina Daza o rechaçou sem apelação depois de uns amores longos e contrariados, e haviam transcorrido a partir de então cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias."
Este livro, inspirado na história real dos pais de Gabriel Garcia Márquez, conta-nos a história de Florentino Ariza e o seu amor por Fermina Daza - que surgiu na flor da idade e o acompanhou pela vida fora. E conta-nos todos os outros amores que foram ajudando Florentino Ariza a ultrapassar a dor de não ter Fermina Daza a seu lado.

Adorei ler este livro e estou super curiosa para ver o filme (que já anda por aí). Li a versão brasileira, o que me trouxe um desafio e faz-me pensar que não é um acordo ortográfico que nos vai fazer entender melhor...
Gostei de várias frases/excertos que partilho agora aqui:
- "(...) e Florentino Ariza compreendeu por fim que se pode ser amigo de uma mulher sem ir para a cama com ela."
- "Era a ele [Juvenal Urbino - o marido], e não às cunhadas imbecis e à sogra meio doida, que Fermina Daza atribuía a culpa pela armadilha de morte em que fora apanhada. Tarde demais desconfiava de que, por trás da sua autoridade profissional e seu fascínio mundano, o homem com quem se casara era um fraco sem redenção (...)"
- "(...) Fermina Daza os punha onde não se vissem. Pois não era tão ordenada quanto acreditava, mas tinha um método próprio e desesperado de parecer que era: escondia a desordem."
- "Solitário entre a multidão do cais, dissera a si mesmo com um toque de raiva: 'O coração tem mais quartos que uma pensão de putas'." [Concordo tanto com isto! O meu coração tem muitos cantinhos reservados às pessoas especiais da minha vida... :) ]

16 de ago. de 2008

RUGGED

Rugged é uma revista de distribuição gratuita e periodicidade quadrimestral - aborda as tendências urbanas ao género da DIF e da PARQ aqui por Portugal, sendo que a diferença é que a distribuição é mais abrangente e eu ainda a consigo apanhar aqui por LX, mesmo sendo feita em Dusseldorf, o que é explicável dado que surge em inglês e trata do que se passa no mundo da streetwear, streetart e música e não se fica pelo umbiguismo das nossas que se centram muito por Lisboa e que atiram para segundo plano o inglês. As nossas de casa são boas, mas a Rugged é, dentro do género, excelente! Vai já no nº 16, pós verão de 2008.

Imagem de capa do nº8 - foi a mais apelativa que encontrei, mesmo tendo aqui em mãos o nº 15, com interessantes artigos sobre José Posada e Wu Tang Clan, a descoberta da alemã Trust Mag e pérolas sobre Tattoo e urban art página após página. Altamente recomendável!

14 de ago. de 2008

A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS

Existe uma vida secreta nas palavras que é revelada apenas quando outras palavras nos vêm preencher os vazios. Hannah é uma tímida operária fabril surda e reservada que é obrigava a tirar um tempo de férias por revelar problemas de adaptação e de convivência com os outros operários.

Hannah desliga o aparelho auditivo que a aproxima do mundo e nesses longos momentos de ausência dos outros encontra a paz, parecendo aos outros que o isolamento a que se vota é uma afronta que lhes dedica - mais que uma intolerância perante o silêncio, é uma incompreensão perante a doce ausência das palavras em excesso. E Hannah usa as palavras como uma torneira mal fechada: gota a gota, comedida, sóbria e certeira.

Nesse seu mundo silencioso Hannah encontra o lugar perfeito quando, estando de férias junto à costa, surge-lhe a possibilidade de trabalhar como enfermeira de um operário ferido e cego provisoriamente, numa plataforma petrolífera. Este local é o poiso de homens perdidos e todos eles silenciosamente presos a palavras não ditas e memórias camufladas. Existe o cozinheiro italiano que para combater a monotonia dedica cada dia a um país diferente cozinhando, vestindo-se e ouvindo música desse país - pelo que é incompreendido pelos outros que lhe pedem um simples cheeseburguer. Temos aqui o biólogo que estuda o batimento da ondulação na plataforma e que se dedica à investigação da vida das ostras. Temos o amor entre dois homens com família lá fora que se vai revelando. E temos o homem na cama - um magistral Tim Robbins - queimado e provisoriamente cego que vai desvendando aos poucos toda a sua história enquanto tenta descobrir a de Hannah.

Hannah encaixa no perfil de silêncio e de inquietude que povoam esta plataforma repleta de fantasmas - os seus deleites secretos com a comida preparada pelo cozinheiro são para ela um pecado que aprecia a só, salvando-a um pouco mais - são pequenos passos para a sanidade que vai desbravando, ela que é louca por maçãs e paranóica por barras de sabão.

Este filme de Isabel Coixet, de representações acutilantes, de personalidades envolventes, de uma história dramática que se nos vai surgindo, de uma fotografia e filmagem sóbria e serena é uma bela lição sobre a relação entre pessoas que se vão descobrindo e absolvendo, mesmo perante si.

* Visto na mostra de cinema espanhol, Cinema São Jorge, LX - Julho de 2008

O MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO

Quando reparei na propaganda a este filme espalhada pelo Bairro Alto, notei uma pequena frase que a acompanhava e que tornava a obra ainda mais atraente: dos mesmos produtores da Melhor Juventude chega agora O meu irmão é filho único - Mio Fratello È Figlio Unico. Como tinha adorado o primeiro não iria deixar de ver este, ainda mais com o especial atractivo de ser dos mesmos criadores.

Este filme de Daniele Luchetti tem as mesmas preocupações de La Meglio Gioventù - ou seja, preocupa-se em contar a história recente de Itália associando-a a quem a construiu e viveu, os seus próprios cidadãos, os próprios italianos. Todos os temores presentes no crescimento estão aqui de lado a lado com as ideologias políticas e a luta social do pós-guerra na bota itálica. O fascismo e o comunismo, o socialismo e o terrorismo das Brigate Rosse e os irredutíveis fascistas das Camisas Negras surgem lado a lado e mesmo como combustível para a afirmação adulta de Accio e diferentes crenças políticas deste em relação a toda a família marcam-no como filho único - nem melhor nem pior como pessoa por apoiar inicialmente a doutrina fascista, nem como instável por mais tarde se aproximar ao ideário comunista. Ele é representativo da descoberta da juventude - essa melhor juventude que vai residindo nas memórias - cheio de erros, gritos, omissões, verdades, avanços e recuos.

O triângulo amoroso e político com o seu irmão e a namorada deste é um dos aspectos mais do seu avanço como homem que procura respostas e não as vai encontrando facilmente. Se é um filho único não deixa de ser irmão, e se combate dentro da própria família pela sua afirmação e daí para fora, para o mundo não é por isso que o afastam. O título - impecável - surge mais na própria incompreensão de Accio sobre si.

As interpretações são arrebatadoras e tudo no filme é magnífico, existe algo de profundamente enternecedor e novelístico nesta partilha da vivência com uma qualquer família italiana. Não fomos somos seremos assim também?

* Filme visto no Cinema King, LX, em excelente companhia de mim contigo.

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA

Outra das curtas de Condorcet que se rege pelas normas do Dogma. 4 de 6 das que vi - verei as restantes já já. Não consegui encontrar qualquer referência a esta obra online, nem no omnisciente IMDB me safei, por isso aproveito para postar a obra de Eduardo Condorcet disponível nesse site : Eduardo Condorcet no IMDB.

Em Verdade ou Consequência, um jogo que se joga na vida jogando com segredos de vida que se pretendem revelar mas não se partilham de facto, torna-se um jogo violento. Um choque entre o querer e o poder, entre o grito e o medo da expectativa da revelação, entre a revolta e o conformismo revelado.

Este é o filme do oprimido, em que o herói é esmagado por todos e apenas por si. É um herói fraco que odiamos por não se revelar mas que ao mesmo tempo acompanhamos a dor de querer ser o que todos querem que seja, uma ideia de, uma ideia. E é sob esta ideia de ser algo que não é, que permanece, levando-nos a um simultâneo amor-ódio que lhe vamos sentindo. E é um filme sobre a realidade, a realidade da discriminação, sobre a intolerância perante uma relação amorosa minoritária - uma relação homossexual e o odioso conformismo que se vai estabelecendo sem resolução. A compreensão poderia existir mas o novelo nunca é desenrolado - permanece após toda a tensão do jogo a situação que já existia.

As interpretações são capazes e bastante credíveis na sua constante frustração - a fotografia razoável e o trabalho de edição, sobretudo o trecho inicial, muito interessantes. Não é tramado qualificar seja o que for na expectativa que nos acreditem? Vejam e comentem.

Uma curiosidade ao anteriormente referido Máscaras do mesmo director - a personagem central, Ralf é protagonizada pelo mesmo actor que faz de primeiro médico assistente, Dr Wagner, da mãe comatosa no enternecedor Good Bye Lenin! de Wolfang Becker.

Visto algures em jeito esquecido e deleitoso.

12 de ago. de 2008

MÁSCARAS

Masken (no original alemão) :: http://www.imdb.com/title/tt0411633 :: é mais uma curta do realizador conimbricense Eduardo Condorcet incluído no Dogma 95, linha dogmática postulada por Lars von Trier e Thomas Vinterberg e que segue assim :

1. As filmagens devem ser feitas no exterior. Não podem ser usados acessórios ou cenografia (se a trama requer um acessório particular, deve-se escolher um ambiente externo onde ele se encontre).

2. O som não deve jamais ser produzido separadamente da imagem ou vice-versa. (A música não poderá ser utilizada a menos que ressoe no local onde se filma a cena).

3. A câmara deve ser usada na mão. São consentidos todos os movimentos - ou a imobilidade - devidos aos movimentos do corpo. (O filme não deve ser feito onde a câmara está colocada; são as filmagens que devem desenvolver-se onde o filme tem lugar).

4. O filme deve ser a cores. Não se aceita nenhuma iluminação especial. (Se há muito pouca luz, a cena deve ser cortada, ou então, pode-se colocar uma única lâmpada sobre a câmara).

5. São proibidos os truques fotográficos e filtros.

6. O filme não deve conter nenhuma acção "superficial". (Homicídios, Armas, etc. não podem ocorrer).

7. São vetados os deslocamentos temporais ou geográficos. (Isto significa que o filme se desenvolve em tempo real).

8. São inaceitáveis os filmes de género.

9. O filme deve ser em 35 mm, padrão.

10. O nome do director não deve figurar nos créditos.

Deixo para depois o enquadramento no Dogma 95 de todas as curtas deste realizador que são rotuladas como seguindo esses cânones - das 6 que os seguem vi 4.

Máscaras é a afirmação de que todos carregamos uma máscara - invariavelmente - mas também a percepção de que é esse esconder constante das nossas reais ambições que nos achincalha. Mesmo o mais suave esconderijo privado é uma camuflagem que usamos e carregamos neste teatro da vida. É na ténue resistência a um olhar mais profundo, a um deixar cair a máscara completamente que reside um quotidiano de que nem todos temos a consciência de ser castrador.

A consciência alargada, um acumular de constrangimento, uma angústia pesada, vai crescendo vai crescendo, cresce, até implodir até explodir. A personagem central do filme segue esse caminho acumulativo até à explosão final em que expõe tudo o que foi guardando enquanto homem amargurado. O ensinamento a tirar disto tudo é que as vidas não poderão voltar a ser as mesmas, para o pior ou melhor, seja isso o que for na cabeça de quem lhe fizer sentença - mas que a catarse de Ralf foi a necessário isso sim, é inquestionável.

Neste sólido filme de alcova colado ao Dogma destacam-se as interpretações extremamente credíveis e apetece-me dizer que as máscaras sobrevêm e não tão só no Carnaval.

Filme visto em deleite de tarde de casa - o meu sofá é o melhor cinema num Domingo ao crepúsculo de Lisboa.

TAKE MAG

Como tão bem anotou o Ricardo (http://axasteoque.blogspot.com) o artigo sobre a Take Magazine (http://www.take.com.pt) saia aqui inexacta. A recomendação é assim cumprida e como não tenho por hábito remover ou alterar seja o que for - deixo tudo seguir assim, torto, assumindo sempre o erro - cumpro o pedido do Ricardo com a colagem do texto original já revisto e mantendo o artigo anterior sem tags, para que não prolifere o erro mas que assuma a inexactidão daquele momento:

Faz agora 9 meses que a Hachette deixou de editar a revista Première, a única edição ligada ao cinema que tínhamos, com a alegação de que os custos de produção eram elevados e que não suplantavam os lucros. E até hoje, em Portugal, não mais tivémos qualquer edição em papel, ligada ao mundo da 7ª arte. Foi-me falado então que, por iniciativa de um jovem designer de comunicação, foi criada uma equipa, donde faz parte um dos jornalistas da Première, e que se encontrariam a editar on-line desde Fevereiro deste ano (a edição 0, a título experimental), uma revista de cinema com a designação “TAKE”.

E que o faziam em regime de voluntariado uma vez que nenhuma editora ainda teria assumido a sua publicação em papel. A revista de Maio, a Take 3 (ainda não consta a de Junho) apresenta um layout mais apelativo que a Première, com crítica, reportagem, destaques para entrevistas a realizadores e actores portugueses (Teresa Prata de “Terra Sonâmbula”, Nuno Lopes de “Goodnight Irene”), publicidade a festivais de cinema como o Festróia e passatempos.

Eu sinto a falta do toque, do folhear da revista. E tu, não sentes? Agora que o público português está mais receptivo ao cinema, que pululam festivais e mostras de cinema cujos calendários se encavalitam nas nossas agendas, em que nos queixamos da falta de projecção dos jovens realizadores nacionais, porque razão não temos uma revista de cinema?

7 de ago. de 2008

Mamma Mia!


Mamma Mia é uma comédia-musical que conta a história de Sophie (Amanda Seyfried), que vai casar com Sky (Dominic Cooper) no hotel da mãe, Donna (Meryl Streep), numa ilha grega. O único senão é que Sophie não conhece o pai. Mas, ao encontrar o diário da mãe, descobre que tem 3 possíveis pais! E, secretamente, resolve convidá-los para o casamento! Estes são os ingredientes necessários para muita risota ao som dos Abba!
É de realçar os dotes vocais dos vários actores! Assim como as representações dos 3 possíveis pais - Sam, Harry e Bill (Pierce Brosnan, Colin Firth e Stellan Skarsgård) - e das duas amigas de Donna - Rosie e Tanya (Julie Walters e Christine Baranski).

Este filme
fez-me rir muito mesmo! E fez-me "ouvir" as músicas dos Abba com outros "ouvidos " mais divertidos!
A única coisa desagradável, para mim, foi o público presente na sala. Uma coisa é rir quando algo tem piada, outra coisa é rir de cada vez que certos actores começavam a cantar! Achei uma falta de respeito enorme. Chegou a um ponto incomodativo mesmo... Mas paciência - espero que para a próxima não aconteça o mesmo - irei vê-lo uma segunda vez porque o meu B. ainda não o viu e eu não me importo de repetir esta sessão divertida. :)

29 de jul. de 2008

Sex and the City



Começa já a ser hábito ver séries televisivas a arriscarem-se na grande tela. Fui ver uma das que arriscou e que obteve bons resultados: Sex and the City.
Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon) mantêm a amizade que as une da forma divertida, e bem ao jeito feminino, a que nos acostumaram na série.
Estão agora em diferentes etapas da vida e, embora com mais maturidade, também com diferentes dúvidas, questões e mesmo decisões.
Depois de vários percalços, cada uma consegue encontrar o melhor caminho para si (mesmo que seja sozinha...) - e o suporte das amigas é um factor bem importante!

Antes de ir ver o filme, uma amiga disse-me "vais morrer de riso!". É verdade que me ri. Mas acho que saíram mais lágrimas de mim do que gargalhadas... Não imaginava que tal me iria acontecer com este filme e creio que assim foi porque tenho as mesmas dúvidas/questões de algumas das personagens. Não conheço o final do meu filme, mas poderei encontrar as respostas com as minhas amigas da minha cidade. :)

21 de jul. de 2008

The Edge of Love




The Edge of love, baseado na vida real do poeta Dylan Thomas, mostra a amizade que cresce entre as duas pessoas que o amam (a esposa e a melhor amiga de infância) e as consequências de certos acontecimentos.
A história passa-se em plena 2ª Guerra Mundial e é incrível como a fotografia do filme consegue ser tão "negra", como a guerra, e ter também cores fortes que dão uma beleza enorme ao filme.

Este filme, confirmou o que percebi quando vi Atonement - a Keira Knightley parece ter deixado a imagem de teenager e mostra que é capaz de agarrar em papéis adultos e interpretá-los de forma bem interessante.
Não consigo compreender como algumas pessoas falam que não gostam de certos actores por causa do tipo de filmes em que participaram ou até por outras coisas mínimas (por exemplo, o queixo/boca da Keira Knightley!). Acho que devemos ver mais além e perceber que há bons e maus actores e bons e maus filmes. The Edge of Love é um bom filme com bons actores!

Enquanto pesquisava informações sobre o filme encontrei esta frase que o define completamente: "There are some things friends should never share".

17 de jul. de 2008

1984

Li este livro há pelo menos um mês... Fui adiando e adiando escrever sobre ele. Sabia que não iria ser fácil. E não foi.
Mas depois lembrei-me do que os meus colegas do "Lendas e Legendas" sempre me disseram: "escreve sobre o que sentiste ao ler o livro". Na verdade, ao ler o livro senti... "Tenho de ler mais romances de ficção, pois deste gostei!" :)
A vantagem de se tirar um tempo para nós, fazer a tal "pausa criativa" (expressão dita pela minha professora de alemão: "Nao digam que estão desempregados! Digam antes que "fazem uma pausa criativa!" :D ), é sem dúvida termos tempo para ler bastante e informarmo-nos sobre o mundo que gira em nossa volta. Confesso que por vezes, após uma manhã de leitura de notícias sobre o mundo, desenvolve-se em mim um sentimento depressivo. Para mim, o mundo enlouqueceu de vez! Começo a pensar que o que preciso para me abstrair desse facto é "ter de me preocupar" com "problemazinhos": o stress do trabalho, uma molha que apanhei a caminho dos correios, o atraso dos transportes públicos, ter de pintar o cabelo outra vez (pois os brancos já voltaram a notar-se), ter de pagar 1,5 € por uma Bica, etc, etc... Apesar deste sentimento, o tempo que tenho disponível dá principalmente para começar a juntar as peças que vou recolhendo das minhas leituras e tomar consciência do que se passa à minha volta. Por esta consciência adquirida neste último ano, OBRIGADA "pausa criativa"!
Devo dizer que ver o filme "Zeitgeist", já mencionado neste blog, ajudou-me a juntar mais umas pecinhas do puzzle. Aconselho a verem primeiro o filme e depois ler "1984".

Curiosidade sobre o autor: Eric Arthur Blair sob o pseudónimo de George Orwell.
Curiosidade sobre o título: "o título vem da inversão dos dois últimos dígitos do ano em que o livro foi escrito, 1948" (!!!).
Curiosidade sobre o livro: "Orwell lutou pela implantação do comunismo em Espanha. Mesmo não tendo êxito, foi convidado a visitar a URSS. Voltou estarrecido e escreveu "1984"."
Curiosidade sobre o filme: o livro foi adaptado para o cinema em 1984.

O cenário do romance, é um tempo de guerra permanente em todo o mundo, pois este foi dividido em 3 grandes super-Estados: a Lestásia, a Eurásia e a Oceania, que se combatem mesmo sabendo que nenhuma sairá vencedora.

Opto por escrever algumas frases do livro. Ora, reparem nisto:

"De facto, a natureza da guerra mudou. Em rigor, o que mudou foi a ordem de importância das razões pelas quais se faz a guerra."
"Com a criação de economias fechadas em que a produção e o consumo são interdependentes, desapareceu a luta pelos mercados, que constituía uma das principais causas das guerras anteriores, ao mesmo tempo que a posse das matérias-primas deixou de ser questão de vida ou de morte. Cada qual dos três super-Estados tem, à partida, território tão vasto que aí encontra praticamente todas as matérias-primas necessárias."
"É pela posse de regiões densamente populosas, (...), que as três potências se batem continuamente. (...) Os habitantes dessas zonas, reduzidos mais ou menos abertamente ao estatuto de escravos, passam continuamente de conquistador em conquistador, e são consumidos literalmente, como carvão ou petróleo, na corrida aos armamentos, na ocupação de mais território,...".
" ..., não se pode dizer que a força de trabalho dos povos explorados da zona densamente populosa seja verdadeiramente indispensável à economia mundial. Ela nada acrescenta à riqueza do planeta, pois utiliza-se em exclusivo todo esse trabalho para fins bélicos, e o objectivo de cada guerra resume-se sempre a ficar em melhores condições de empreender outra guerra."
"De facto, se todos tivessem igual acesso ao lazer e à segurança, a grande maioria dos seres humanos, que normalmente vivem embrutecidos pela pobreza, instruir-se-iam e aprenderiam a pensar pela sua própria cabeça; a partir daí, cedo ou tarde concluiriam que a minoria privilegiada não desempenhava qualquer função, e acabariam com ela."
"O problema residia em descobrir como manter em funcionamento as engrenagens da indústria sem aumentar a riqueza efectiva do mundo. Impunha-se assim produzir bens, mas sem os distribuir. E, na prática, o único meio de consegui-lo era a guerra permanente. A essência da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas do produto do trabalho humano."
"Efectivamente, as necessidades da população são sempre subestimadas, do que resulta a escassez crónica de metade dos bens essenciais; mas tal surge também como uma vantagem. É política deliberada, mesmo aos mais favorecidos, mantê-los pouco acima do limiar da pobreza, porque a escassez generalizada aumenta a importância dos pequenos privilégios."
"Ao mesmo tempo, a consciência de se estar em guerra, e por conseguinte em perigo, faz surgir como condição natural e inevitável da sobrevivência a entrega de todo o poder a uma pequena casta."

Interessante. No mínimo faz-nos pensar, pelo menos a mim fez...

"Não restará lealdade, senão a lealdade ao Partido. Nem amor, senão o amor pelo Grande Irmão. Nem riso, senão o riso da vitória sobre um inimigo aniquilado. Nem arte, literatura ou ciência. Quando formos omnipotentes dispensaremos a ciência. Desaparecerá a distinção entre beleza e fealdade. Nao haverá curiosidade, nem o gozo de viver. Todos os prazeres que possam fazer concorrência ao partido serão destruidos. Mas haverá sempre (não te esqueças disto, Winston), haverá sempre a embriaguez do poder, cada vez mais intensa, cada vez mais subtil. Sempre, a todo o momento, a emoção da vitória, a sensação de esmagar um inimigo indefeso. Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota a pisar um rosto humano. Para sempre."

Até arrepia, não é?
No livro, como consegue o "Partido do Grande Irmão" tudo isto? Através de Ministérios: o Ministério da Verdade que trata da falsificação de documentos referentes ao passado (incluindo jornais, revistas,...); o Ministério da Paz que trata da existência de uma guerra permanente; Ministério da Fartura que trata de manter a fome dos que mais precisam; o Ministério do Amor que trata de espionar e controlar toda a população ( "Big Brother is watching you" ). Acrescente-se a esta lista uma "reforma oficial" da língua em que é "a primeira língua a reduzir os seus termos". O que não se conseguir definir, não existe, não se sente! (ex.: revolta, traição, mentira,...).
O lema do Grande Irmão é: "Guerra é paz, Liberdade é escravidão, Ignorância é força." (não vos faz lembrar nada?)

Mas é um romance! E este livro tem todos os pormenores referentes a uma história de amor. Apresentou um final surpreendente, para mim na altura que o li, mas que agora o entendo. O seu final não poderia ser de outra maneira.

7 de jul. de 2008

Krzysztof Kieslowski: I'm So-So...

O documentário Krzysztof Kieslowski: I'm So-So... fez-me entender um pouco mais o homem por trás da trilogia das três cores: Azul, Branco e Vermelho.
Aqui é o próprio Kieslowski que aparece à frente da câmara e fala da sua vida e de alguns dos filmes que realizou.
Gostei de o ouvir - era uma pessoa bem interessante!
Fiquei com vontade de ver o Blind Chance onde aparece a ideia também presente no Run Lola Run (que adorei!).
Para saber mais ver aqui os textos "Kieslowski documentarista" e "Do saber ao não saber".

23 de jun. de 2008

MÁ FILA

Realizada por Chuenmenkin, Francisco Antunez com Carlos Pedro Santana esta curta vai crescendo e surpreendendo a cada novo capítulo desenrolando o novelo deste sucedâneo de Reservoir Dogs rodado no exterior [Reservoir Dogs, Cães Danados, Tarantino].

A excelente BSO tempera este pequeno thriller- road-still-movie em que o melhor é o twist final.
Identifico o titulado com a personagem feminina do quarteto protagonista (3 criminosos e o raptado, o primeiro ministro de quem nunca vemos a cara). A vingança encomendada poderia ser uma nossa agora? Algum presságio, algum esquema?

Site da produtora U-HU FAZ MISSO! FILMES
http://www.myspace.com/uhufazmissofilmes

Com correcção via Francisco Antunez (Co-realizador, argumentista, produtor e autor da ideia original da peça). Obrigado.

22 de jun. de 2008

Quem Mexeu no Meu Queijo?


O Queijo é o que cada um de nós procura na vida, "o que queremos alcançar - seja a nível pessoal, social ou profissional - e o labirinto representa o mundo real".
Li o livro em 40 minutos (se tanto), fiz o teste e conclui que sou o Gaguinho.
Ser um Fungadela, não é para qualquer um. Ou seja, ou se tem ou não se tem, a capacidade que esta personagem apresenta. Eu não tenho.
O Correria, só por vezes me sopra ao ouvido. A última vez que o ouvi, vim parar à Alemanha :D.
Quem de certeza eu JÁ FUI, mas com orgulho escrevo aqui e agora, JÁ NÃO SOU MAIS, é o Pigarro. Puf!... Se não fosse por questões financeiras (pois todos temos de sobreviver), aconselhava a todos a fazerem uma "pausa criativa de um ano", sem emprego... Aconselho! Garanto-vos que iriam descobrir coisas extraordinárias sobre vocês mesmos!

(livro escrito por Spencer Johnson)

NOSFERATU

Aparte as deficiências técnicas que se me apresentaram na minha última visita à Cinemateca PT (falhou legendagem e som de suporte - ambos prometidos e contentei-me em extrair o possível das imagens, já que não falo de todo alemão!), presenciei um dos clássicos dos filmes - e não só de terror, em grande tela.

Bem haja a Cinemateca por permitir recuperar todos estas obras em sala de cinema quando normalmente só as poderíamos ver em casa via DVD, longe da dimensão e da franqueza de uma verdadeira sala de cinema!

Este filme de Murnau, este Nosferatu é um filme genial e marcante para a história do cinema e, se bem que não transmita nenhum temor como o deveria ter feito quando estreou em 1922, Max Schreck permanece assustador ainda agora no papel de Conde Orlok - o Nosferatu.
Um dado interessante sobre este filme é que Murnau teve que alterar todos os nomes presentes no filme já que não tinha conseguido os direitos da adaptação ao cinema do Dracula de Bram Stoker (Coppola bem mais tarde iria poder fazê-lo). Assim o Conde Drácula passa a Orlok e Nosferatu é vampiro.

Visto na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema em Lisboa (a nossa mais interessante sala de cinema a nível nacional)

Coloco uma pergunta, para quando a criação da Cinemateca do Porto e da de Coimbra? Sei que há movimentações para a criação de um segmento da Cinemateca na Cidade Invicta, mas a entidade devia ser autónoma - como defende Bénard da Costa. Quanto à de Coimbra, é um sonho especial que tenho.

HOMENS ARANHAS

Homens-Aranhas (assim mesmo, justapostas) não é um livro que surpreende pelo facto de ser um livro de pequenos contos alinhavados ao desafio, desafiando-nos a lê-los todos de uma assentada - porque apetece mesmo ler todos de uma só vez, é um livro que surpreende pela temática que aborda:

Pequenos pecadilhos burgueses, urbanos e mundanos escalpelizados em curto formato através de palavras competentes e com um resultado nada razoável (saímos feridos nalguns dos contos). Os contos são infalíveis e alguns tremendamente bons (bons, caramba!) e os meus preferidos são sempre o Hotel Vitória e o Escalador de Paredes. Se no segundo reconheço algo remotamente de Borges, no segundo fui surpreendido com um delírio catastrofista onde ZInk assassina um personagem que só pode ser Cunhal!

Há que ler e divagar, ser o super herói nos contos dos outros e vestir a capa escalando sonhos e atingindo memórias!

Livros para férias

Quais são os vossos livros para férias? Que têm já alinhavado para levar na sacola a tiracolo para a praia ou para o campo? Partilhem e partilho!

21 de jun. de 2008

TARANTINO'S MIND

Tarantino's Mind é uma curta do colectivo brasileiro 300ML onde surge a dupla inesperada Selton Melo e Seu Jorge e onde o primeiro discorre sobre as teses presentes nos filmes de Tarantino e no código que diz ter descoberto, colocando-se Seu Jorge no papel de ouvinte atento e interventivo.

A curta é brilhante e alerta-nos para detalhes nas longas do americano aos quais não tínhamos dado atenção (tinha reparado já na relação Vic - Vincent Vega) demonstrando que todo o trabalho de Tarantino se resume a um filme épico que foi dividindo para fazer todos esses seus diferentes filmes (Natural Born Killers, True Romance, Reservoir Dogs, Pulp Fiction, From Dusk Till Dawn, Kill Bill).

Mesmo que não se concorde em absoluto com a tese apresentada há que ver todos os filmes se tocam de facto e que há sequência de objectos, de tramas e de personagens de Tarantino.

Esta obra aproxima-se deliciosamente do Coffee and Cigarettes do Jarmusch e evoca (ironicamente) os diálogos informais e hilariantes do próprio Quentin Tarantino.

Vejam e maravilhem-se :: http://www.youtube.com/watch?v=op4byt-DtsI

nota : em True Romance, NBK e From Dusk Till Dawn Tarantino é o argumentista, nos restantes acumula o papel de realizador.

Couch Fest Films

Um projecto mais que interessante, uma experiência de sofá entre amigos que tentarei reproduzir em Lisboa; vejam todos os pequenos filmes - short films - são hilariantes!

http://www.couchfestfilms.com/

20 de jun. de 2008

Os melhores dentre todos

Quais seriam para vocês os melhores livros e filmes de sempre? Compilem-me uma lista - ao género do filme Alta Fidelidade (High Fidelity, Stephen Frears) e apresentem-na aqui. Exponham os vossos gostos e razões!

R

Treze Badaladas

Acabei de colocar nas estreias desta semana o filme Treze Badaladas.
Quando o vi na lista de estreias estranhei - é que eu vi este filme em 2003, já lá vão 5 anos!
Como é que um filme dos nuestros hermanos e vizinhos só estreia em Pt agora??
Eu vi-o em Pt mas não num cinema convencional - foi projectado nos jardins do Palácio de S.Marcos, ali bem perto de Coimbra. Foi uma sessão especial só para convidados especiais. Eu só lá estava porque a minha amiga Raquel (que fazia parte da equipa de projecção) queria muito que eu conhecesse o projeccionista. ;-)
Voltei para casa a pensar no filme, que gostei muito, e não no projeccionista.

[Engraçado que ainda há dias me lembrei do filme e da situação!!]

18 de jun. de 2008

Competição do 16º Curtas Vila do Conde




INSTANTES, curta-metragem de Miguel Clara Vasconcelos, foi seleccionado para a Competição Nacional e Internacional do 16º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Estreia dia 11 de Julho, às 23h00.

INSTANTES é a primeira curta-metragem de ficção realizada por Miguel Clara Vasconcelos e produzida por Pandora da Cunha Telles / Filmes de Fundo.
"Começar na realidade e voltar a ela. Esta foi desde o início a base do projecto. Começar por inserir a personagem num contexto real e terminar com testemunhos reais inseridos no local de filmagens. Confrontar duas energias, a de Eros com a de Thânatos. Provocar um encontro entre dois momentos extremos e opostos das relações amorosas. Deixar ao espectador a possibilidade de ditar a sentença, pondo-o no lugar do coro trágico, que aponta o dedo aos excessos do 'herói' e anuncia o seu fim." MCV

16º Curtas Vila do Conde IFF 5-13 Julho 2007
Auditório Municipal, Praça da Republica,
4480-715 Vila do Conde, Portugal
tel +351 252 638025 / 646516 fax +351 252 248 416


Conheço o Miguel há cerca de 10 anos. Pelas minhas mãos passou o Estrume dele e do Nuno Morão; pelo meu mail chegaram vários Instantes dele; e pela minha mana chegou-me o dvd Documento Boxe. Gosto dele e do trabalho que faz.

16 de jun. de 2008

1as - LISBON FILM & VIDEO ARTS FESTIVAL
















Sendo este um veículo contaminante de cultura por excelência tanto da literatura como das 7ª e 9ª artes - partilho um Festival de Cinema e VideoArts a tomar forma por LX ; o primeiras
[ 1as ] :

http://movimentoacordalisboa.com/1as/

Partilhem com outros, divulguem e venham!!!

14 de jun. de 2008

VINCENT

Trago-vos uma lindíssima animação de Tim Burton do já longínquo ano de 1982, a segunda obra, portanto e bastante anterior aos magníficos A Nightmare Before Christmas e The Corpse Bride (respectivamente O Estranho Mundo de Jack e A Noiva Cadáver).

Aponho aqui também o poema que serve a peça (admirem a parecença/reverência ao The Raven de Edgar Allan Poe) Tomem o link : http://youtube.com/watch?v=fxQcBKUPm8o


Vincent *A poem by Tim Burton*


Vincent Malloy is seven years old
He's polite and always does as he's told
For a boy his age, he's considerate and nice
But he wants to be just like Vincent Price

He doesn't mind living with his sister, dog, and cats
Though he'd rather share a home with spiders and bats
There he could reflect on the horrors he has invented and wander dark hallways alone and tormented

Vincent is nice when his aunt comes to see him
But imagines dipping her in wax for his wax museum
He likes to experiment on his dog Abocrombie
In the hopes of creating a horrible zombie
So that he and his horrible zombie dog
could go searching for victims in the London fog

His thoughts aren't only of ghoulish crime
He likes to paint and read to pass some of the time
While other kids read books like "Go Jane Go"
Vincent's favorite author is Edgar Allan Poe.

One night while reading a gruesome tale
he read a passage that made him turn pale
Such horrible news he could not survive
For his beautiful wife had been buried alive

He dug out her grave to make sure she was dead
Unaware that her grave was his mother's flower bed
His mother sent Vincent off to his room
He knew he'd been banished to the tower of doom
where he was sentenced to spend the rest of his life
alone with the portrait of his beautiful wife.

While alone and insane incased in his doom
Vincent's mother burst suddenly into the room
She said, "If you want, you can go out and play
It's sunny outside and a beautiful day."

Vincent tried to talk but he just couldn't speak
the years of isolation had made him quite weak
So he took out some paper and scrawled with a pen:
"I'm possessed by this house and can never leave it again."

His mother said, "You are NOT possessed and you are NOT almost dead
These games you play are all in your head
You are NOT Vincent Price, you're Vincent Malloy
You're not tormented or insane, you're just a young boy
You're seven years old, and you are my son
I want you to get outside and have some real fun."

Her anger now spent, she walked out through the hall
While Vincent backed slowly against the wall
The room started to sway, to shiver and creak
His horrored insanity had reached its peak
He saw Abocrombie, his zombie slave
and heard his wife call from beyond the grave

She spoke through her coffin and made ghoulish demands
While through cracking walls reached skeleton hands
Every horror in his life that had crept through his dreams
swept his mad laughter to terrified screams

To escape the badness, he reached for the door
but fell limp and lifeless down on the floor
His voice was soft and very slow
As he quoted "The Raven" by Edgar Allan Poe:
''And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted... Nevermore.''

DIAGNOSE

Diagnose é mais um filme de Condorcet que visionei e foi esta curta de entre todas as obras que lhe vi a que mais me surpreendeu! É extraordinária!

Diagnose - diagnóstico em alemão (este filme é da fase alemã do realizador coimbrão) dá o mote e triangula o que poderia ser um diagnóstico perfeito, mas que ilustra - em estilo bem lúgubre - uma sucessão de observações médicas erradas que conduzem um desafortunado doente de uma (quase) rotineira intervenção cirúrgica num polegar para uma decadente galeria de intervenções desnecessárias até à morte final!


De destacar a actuação do actor principal que, diz-se, foi encontrado num centro de emprego alemão, procurando hipótese de trabalhar como actor. Este filme, este material, é de grandeza absoluta, é material para o Fantas e para o Indie e com grandes hipóteses de sair premiado e é a demonstração de que temos grandes realizadores por aí trabalhando e esperando abertura ao seu trabalho!

Parabéns!

13 de jun. de 2008

161

Respondendo mais atentamente ao desafio desse paginado 161, busco outro livro com mais páginas do que o outro e que me acompanha também na minha banca de trabalho. O livro é THE CITY SHAPED - URBAN PATTERNS AND MEANINGS THROUGH HISTORY, T&H, Spiro Kostof; específico de urbanismo e da triangulação histórica urbana.

E da dita página extraí, trunquei:

''It is still there [Palmanova - uma cidade no norte de Itália] today, near perfect and sad, proof of how suddenly single-purpose towns turn into anachronisms. The City as a diagram. ''

Desafio da página 161, aceite

"Os meandros da doutrina do Partido não lhe despertavam o mínimo interesse."

Aqui fica esta "migalha" do livro que ando a ler: "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro" de George Orwell. Estou quase a terminá-lo. Será sobre este livro o meu próximo Post, por isso, fico por aqui. :)

FLASH + INOPORTUNO + SINAIS




Apresento 3 curtas de Carlos Pedro Santana, jovem promessa da realização portuguesa; 3 trabalhos - seus ou em regime co-autoral :

FLASH


Com 'a ajuda dos amigos' , num hilariante intróito que abre esta curta, Carlos Pedro Santana filma uma cena de quotidiano interior que nos chega como a filmagem do monótono, da bonomia e da rotina de dentro de casa que poderia anunciar um filme desinteressante logo à partida - tempo perdido, tempo partido. Mas depois surge a surpresa em dois twists sucessivos que vão preenchendo os espaços que ainda não compreendíamos - e tudo vai evoluindo com o aparecimento de flashback.

Surgem aqui os temas do suícidio, da morte, do sexo, tudo enrolado em vista de comprometimento - a mulher e o homem treinam inicialmente todos os clichés de 'como levar uma mulher para a cama' e para Libby, o elemento feminino, a sua perda e do outro é revelada no final de maneira trágica.


INOPORTUNO


Inoportuno é uma curta violenta em que o único a sair ileso é o assassino de facto – todos os restantes matam e violam ou morrem por engano, castigo ou encomenda num pequeno cubículo sanitário de um qualquer espaço que não identificamos (pode ser de uma estação de comboios, de um centro comercial, uma qualquer casa de banho masculina de um parque de uma cidade que também não nos é dado a conhecer).

Matar alguém não é também violar-lhe o corpo e tirar-lhe algo de volta? A intromissão da faca aqui, em penetração de epiderme, é o resto da violação que ficou por consumar e que terminou castigada – da pior maneira possível – com a morte do violador.

A câmara viaja por entre os corpos, em traveling incómodo, levando-nos a entrar ainda mais dentro da cena e a reflectir ao quão descontrolada pode uma casualidade chegar - fatalidades!


SINAIS

Sinais é realizado em co-autoria com André Santos e filma uma cena banal de dia a dia de todos os dias entre dois casais com atitude oposta em relação aos parceiros - enquanto o elemento masculino grita fazendo-se ouvir num dos casais, no outro par o silêncio é castrador. Até que o primeiro cruzar num semáforo leva a troca de olhares entre o elemento masculino do casal calado e o feminino agredido do outro - terminando como previsível: novo encontro e começo.

Esta curta serve-nos um argumento que até é bastante desinteressante - nem boa ideia é, é uma ideia risível - complementando-o de muitas e boas ideias: o granulado do filme, a ausência do som ambiente, a intencional quebra de certas passagens como se fora cartoon (parece-me um trabalho académico). Demontra boas soluções e é bastante criativo também no genérico que me lembra um qualquer filme de Spike Lee de que não me lembro o nome.. Short Bus?

Site realizador: http://www.carlospedrosantana.com/
e onde se assiste ainda a outra curta realizada em co-autoria com Francisco Antunez


Epílogo :: em resposta ao desafio 161 :

Este livro a que cheguei, este meu livro mais perto de mim, este a que cheguei depois do desafio colocado, este volume aqui ali abandonado, este amontoado alinhavado de palavras aqui já à mão de semear, este livro, este livro... não tem 161 páginas, tem 124!

TAKE MAGAZINE

Faz agora um ano que a Hachette deixou de editar a revista Premiere, a única edição ligada ao cinema que tínhamos, com a alegação de que os custos de produção eram elevados e que não suplantavam os lucros. E até hoje, em Portugal, não mais tivemos qualquer edição em papel, ligada ao mundo da 7ª arte. Foi-me falado então que os jornalistas da Premiere se encontrariam a editar on-line desde Março deste ano, uma revista de cinema com a designação “TAKE”. E que o faziam em regime de voluntariado uma vez que nenhuma editora ainda teria assumido a sua publicação em papel.


A revista de Maio (ainda não consta a de Junho) apresenta um layout mais apelativo que a Premiere, com crítica, reportagem, destaques para entrevistas a realizadores e actores portugueses (Teresa Prata de “Terra Sonâmbula”, Nuno Lopes de “Goodnight Irene”), publicidade a festivais de cinema como o Festróia e passatempos. Eu sinto a falta do toque, do folhear da revista. E tu, não sentes? Agora que o público português está mais receptivo ao cinema, que pululam festivais e mostras de cinema cujos calendários se encavalitam nas nossas agendas, em que nos queixamos da falta de projecção dos jovens realizadores nacionais, porque razão não temos uma revista de cinema?

Vê mais em http://www.take.com.pt
Edição em pdf http://www.take.com.pt/pdf/Take3Mai08.pdf


* Comentário-artigo-explosão por Alice B. copypasteado do site do MAL : http://movimentoacordalisboa.com (serve como apresentação mas ainda mais como desejo de retorno de uma publicação portuguesa especializada em cinema).

Wine and Design



Um post de homenagem aos meus amigos e D_escritores arquitectos e engenheiros civis. Um livro de bolso (para aqueles que têm bolsos largos) com imagens e fotos (palavras, só meia dúzia e em meia dúzia de línguas) de adegas, de rótulos, de acessórios. Um bombardeamento visual de coisas bonitas (Sophie! Eu empresto-to!). Português só tem um rótulo do Niepoort, um produtor de Douro e de Vinho do Porto.

12 de jun. de 2008

Desafio da página 161

"Aprendeu a fumar ao contrário, com a brasa dentro da boca, como fumavam os homens nas noites das guerras para não serem denunciados pela ponta incandescente do charuto.", in "O amor nos tempos de cólera", de Gabriel Garcia Marques.

Este excerto é a resposta a um desafio lançado pela minha amiga Sol Sustenido - 'Desafio da página 161', cujas regras são:
1. Pegar no livro mais próximo

2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blog
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo
6. Passar o desafio.

Passo o desafio aos restantes D_escritores do Lendas e Legendas.

Eternal Sunshine of the spotless mind



Eternal Sunshine of the spotless mind é um dos filmes mais interessantes que vi nos últimos tempos. Ganhou o Óscar de melhor argumento original, em 2005, e foi precisamente isso que gostei no filme: a originalidade da história!
E a história conta: Joel (Jim Carrey) verifica que a sua problemática relação amorosa está terminada quando descobre que a namorada Clementine (Kate Winslet) o apagou da memória; resolve então fazer o mesmo mas, já a meio do processo de apagar a memória, apercebe-se das coisas boas e tenta parar o processo. O final é surpreendente mesmo!
Gostei muito do filme e fiquei surpreendida (pela positiva) pois não esperava ver o Jim Carrey nem a Kate Winslet num filme assim. Eles estiveram muito bem e provaram que não se deve rotular actores só a um certo tipo de filmes.
O filme ficou a ganhar também com as interpretações de Elijah Wood, Mark Ruffalo e Kirsten Dunst.

Obrigada Alê pela sugestão!

8 de jun. de 2008

MY BLUEBERRY NIGHTS

My Blueberry Nights é um belíssimo filme de desencontros e encontros, de pessoas que se aproximam e que se afastam, de desilusões, de ilusões, de desânimo e ânimo, tristeza e alegria em interrompida sucessão - é a face do amor e do ser humano como ser frágil e em constante irregularidade.

Este 'O Sabor do Amor' - título de promoção para Portugal - é não um 'Como Água para Chocolate' mas mais um 'Disponível para Amar' (também de Wong Kar Wai), a belíssima fotografia e as ideias felizes que percorrem a tela ilustram a evolução de seres necessitados de quem lhes queira, em eterna colisão de paixões - o afastamento entre as personagens centrais surge a meio do filme mas o final é feliz.

Agrada-me sobretudo a parte inicial em que somos conduzidos pelo exterior do café de Jeremy, acompanhando como Lizzie conquista um pouco mais e aos poucos o sabor pela vida enquanto saboreia uma blueberry pie. Cat Power surge linda - como sempre aliás - no papel de Katya e Norah Jones está mais que perfeita no seu papel de uma simples mulher simples e perdida.

As interpretações fecham com uns quantos actores que aprecio: Jude Law (doce doce), Rachel Weisz (uma mulher do sul), David Strathairn (surpreendente) e, principalmente, Natalie Portman. A banda sonora fecha este filme em qualidade suprema: Norah Jones, Cat Power e Ry Cooder. Retirei o amargo da boca por bastante tempo com esta obra poética!

7 de jun. de 2008

ESCOLHA MORTAL

The Proposition é um western de John Hillcoat de 2005 com argumento e banda sonora de Nick Cave - desenrola-se na Austrália de 1880 e surpreende por isso e por trocar os povos ameríndios (índios, nativos americanos) por aborígenes, que a uma vez representam aqui os povos autóctones martirizados.

Este é um filme de género extraordinário que representa o estilo na perfeição, preenchendo-nos a vista com uma excelente fotografia e com muitos das constantes presentes em westerns (chamo-lhe eastern??) que funcionam aqui para nos contar a saga do Gang Burns e do capitão que os persegue. A partir da proposta - the proposition - feita pelo Capitão Stanley a um dos irmãos Burns para capturar/matar outro dos irmãos, os corpos ensanguentados vão-se acumulando em sucessão - nativos e europeus, dezenas e dezenas de mortes violentas numa fiel reconstituição da época com a luta constante entre esses dois povos ainda inconciliáveis.

A absolvição virá apenas no final, após todo o filme ser percorrido de remorsos e de culpa.
A infeliz escolha do título para português não esbate a qualidade do filme que se revela uma boa e amarga surpresa.

1 de jun. de 2008

TRANSFORMERS

Transformers é daqueles filmes de que logo a seguir me esqueci - falamos de que filme, perdão? Ah, Transformers, the Movie, sim sim... Esta obra é um aparato tecnológico, uma desbunda visual, um arremessar constante de mensagens subliminares, de efeitos encantatórios em corropio, é verdadeiramente menos um filme e mais um abuso de efeitos especiais. Deixei-o de lado desiludido - lembrei-me da série T. com que cresci e que adorava e apeteceu-me vê-la de novo, só para me lavar deste gosto amargo com que fiquei...

TROPA DE ELITE

Era para ser um documentário e acabou por se tornar um documento sobre a cruel realidade brasileira na senda dos muitos já feitos; o Brasil tem um inesgotável e infeliz material temático sobre essa crueza e isso é visível nos Carandiru, Cidade de Deus, Favela Rising e isto citando apenas os mais reconhecíveis internacionalmente.

Tropa de Elite é o filme de José Padilha que abraçou o Leão de Ouro de Berlim e que domou o hype extraordinário que o acompanhou em fenómeno só comparável ao Blair Witch Project: antes de estrear em solo brasileiro já o filme era infinitamente copiado e visionado. Vem no seguimento de Ônibus 174 e só abandonou o formato doc desse, depois de Padilha se ter apercebido da dificuldade - leia-se impossibilidade - de conseguir depoimentos claros por parte tanto dos traficantes do Rio de Janeiro (o filme revela o tráfico no morro da Babilônia) como do BOPE (os caveiras, Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do RJ).

Essas duas forças em constante confronto alimentam o filme, vive-se aqui a atmosfera pesada do sobreviver entre as balas perdidas e os apetites do poder dos homens das armas - utilizando esquemas elaborados que atropelam todas as pessoas sem qualquer remorso. O incorruptível Capitão Roberto, oficial do BOPE, serpenteia entre este mundo que a nós nos escapa à compreensão e que para esse cansado polícia é sinónimo de pressão insuportável - acompanhamos as suas subidas constantes aos morros, a sua pequena vitória no semear da bala assassina no corpo de um drogado ou de um grupo de corruptos, partilhamos da sua luta desesperada para manter a família e pela sua humanidade que se vai esvaindo sem travão.

Vejam - sem atavios, sem preconceitos. Aceitem e percebam o quão confortáveis estamos nós, neste pequeno país.

vista em projecção do MAL (http://movimentoacordalisboa.com) no TELHEIRAS FEST