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30 de jan. de 2009

Caixa Dois


Como descobri na wikipedia: "O termo caixa dois refere-se a recursos financeiros não contabilizados e não declarados aos órgãos de fiscalização competentes. (...) Ou seja, caixa dois é um dos instrumentos utilizados para lavagem de dinheiro".
Um negócio sujo é então o ponto de partida deste filme Caixa Dois.
Um número mal colocado vai dar azo a algumas coincidências, que levam a várias tropelias, sempre com muito humor misturado!
Já vi duas vezes este filme e creio que o poderei ver muitas mais porque é mesmo muito cómico!
É engraçado ver estes actores, que eu conhecia de telenovelas brasileiras, a fazer cinema.
Pena que o cinema brasileiro não "invada" a televisão portuguesa da mesma forma que as telenovelas o fazem... É que o Brasil tem filmes muito bons!
[Este filme mostra como um erro "tão pequeno" pode ter consequências enormes - por isso é que se deve sempre conferir a papelada da nossa conta bancária!]

8 de out. de 2008

O CHEIRO DO RALO

Selton Mello é dos indivíduos mais interessantes e versatéis no cinema brasileiro da actualidade - vide tb o Tarantino's Mind neste blogue - e corre por aí que lutou afincadamente pelo papel de Lourenço neste hilariante filme de Heitor Dhalia de 2007.

Ele interpreta o demente e escatológico dono de uma loja de produtos usados atormentado pelo cheiro (vindo) do ralo da casa de banho que utiliza e que dá porta com porta com o seu gabinete. A cada pessoa que recebe Lourenço vê-se na necessidade - após o desconforto demonstrado por quem ali chega a vender, a vender-se - de justificar o cheiro que dali se solta.

Marionetando as pessoas, manejando as suas crenças e humilhando-as defecando-se, este Lourenço confunde-se ele próprio com esse cheiro que ele repetidamente rejeita e justifica - ele que terminou bruscamente o noivado com a noiva entretendo-se onanista defronte da televisão com programas de aeróbica 'Aye, aye!' e ele também que persegue carnal a bunda da rapariga da lanchonete que ironicamente o obriga a frequentar diariamente a latrina cujo cheiro o assola 'Eu dava tudo para ter essa bunda'!

O Cheiro do Ralo recorda-me os filmes de Guy Ritchie na sua essência suja e no descarnar da fealdade humana, é satírico e mordaz e ao se aproximar tanto ao fundo - vísceral - quase que tapamos o nariz com o cheiro desse ralo, enquanto aspiramos o ar fétido que julgamos cheirar, pela boca, de tão hilariante se revela.

Excelente filme ou como se diria por lá: isso aqui é de cu de rôla! A ver, rever, ver.

Visto nas Loff Sessions na Sede do MAL , Lisboa
Depois revisto no Pátio Fradique, Lisboa, CineLençol do MAL
Web OCheiroDoRalo

1 de jun. de 2008

TROPA DE ELITE

Era para ser um documentário e acabou por se tornar um documento sobre a cruel realidade brasileira na senda dos muitos já feitos; o Brasil tem um inesgotável e infeliz material temático sobre essa crueza e isso é visível nos Carandiru, Cidade de Deus, Favela Rising e isto citando apenas os mais reconhecíveis internacionalmente.

Tropa de Elite é o filme de José Padilha que abraçou o Leão de Ouro de Berlim e que domou o hype extraordinário que o acompanhou em fenómeno só comparável ao Blair Witch Project: antes de estrear em solo brasileiro já o filme era infinitamente copiado e visionado. Vem no seguimento de Ônibus 174 e só abandonou o formato doc desse, depois de Padilha se ter apercebido da dificuldade - leia-se impossibilidade - de conseguir depoimentos claros por parte tanto dos traficantes do Rio de Janeiro (o filme revela o tráfico no morro da Babilônia) como do BOPE (os caveiras, Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do RJ).

Essas duas forças em constante confronto alimentam o filme, vive-se aqui a atmosfera pesada do sobreviver entre as balas perdidas e os apetites do poder dos homens das armas - utilizando esquemas elaborados que atropelam todas as pessoas sem qualquer remorso. O incorruptível Capitão Roberto, oficial do BOPE, serpenteia entre este mundo que a nós nos escapa à compreensão e que para esse cansado polícia é sinónimo de pressão insuportável - acompanhamos as suas subidas constantes aos morros, a sua pequena vitória no semear da bala assassina no corpo de um drogado ou de um grupo de corruptos, partilhamos da sua luta desesperada para manter a família e pela sua humanidade que se vai esvaindo sem travão.

Vejam - sem atavios, sem preconceitos. Aceitem e percebam o quão confortáveis estamos nós, neste pequeno país.

vista em projecção do MAL (http://movimentoacordalisboa.com) no TELHEIRAS FEST