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12 de mar. de 2009

PLAYTIME



A personagem chave nos filmes de Jacques Tati - Monsieur Hulot, marcou gerações e continua ainda bem presente com a imagem do mimo desastrado que passava pelas mais diversas caricatas situações e que encontrava os mais estranhos personagens originando sempre situações hilariantes em sucessão de gags. Hulot foi o homem elástico muito antes de Carey ter aparecido e todos os seus filmes são de garantida gargalhada – tanto de inteligente convicção como de riso fácil em amálgama de humor.

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Leiam mais na Take n14, em http://www.take.com.pt

24 de ago. de 2008

A ESCOLA DOS CARTEIROS

A Escola dos Carteiros serviu também de escola para o posterior Jour de Fête que vi em complemento a este e em que Tati espraia todas as suas capacidades como mimo e animador. Este A Escola, de 1947, serve como treino para o filme maior e recai nas atribulações e trapalhadas da personagem do carteiro François, maravilhosamente preenchida de gestualidades patarecas por Tati. As cenas mais hilariantes são a do treino dos carteiros, com bicicletas amarradas ao chão dentro da estação central, em que François pede um copito após ouvir sermão sobre a necessidade de maior velocidade na entrega e a cena final com a sacola cheia de cartas a ser levada por um avião. Esta curta é linda, imperdível!

HÁ FESTA NA ALDEIA

Jacques Tati, de seu verdadeiro apelido Tatischeff - reduzido para um francófono Tati, é dos mais interessantes realizadores/actores do século passado, surgindo na linha cómica de Keaton e Chaplin. Começou a sua carreira cinematográfica filmando as suas actuações como mimo, panafernália física que o acompanhou em todas as obras e que levou à sua maior criação, a de Monsieur Hulot (presente também nos perfeitos Mon Uncle - que lhe valeu um Óscar e Cannes - e Playtime).

Hilariante como sempre, neste Há festa na Aldeia (Leão d'Ouro), Tati compõe um desastrado carteiro, cheio de barroquismos nos gestos e com especial tendência a meter-se em trapalhada sobre trapalhada enquanto tenta terminar a ronda de entrega de cartas. O filme é hilariante e vive sobretudo do gesto, toda a linguagem é mínima e por vezes abdica-se totalmente desta tornando-a imperceptível, ruído de fundo. Em todos os filmes de Tati isto é bem marcado, abundando o gesto em detrimento das falas (e existindo, quase todas inaudíveis), mas convenhamos, ele era mimo e como mimo, é a pantomima do seu corpo e face que nos atrai.

Jour de Fête tem cenas em que me desmancho completamente como a que o carteiro é desviado da ronda para coordenar a colocação do poste para a festa, ou a cena do café em que o embebedam conscientemente, ou ainda a da entrega de carta 'à americana' que termina com uma trapalhona queda a um rio.

Como curiosidade refira-se que este filme seria o primeiro francês - falamos de 1949 - filmado a cores, o que não aconteceu por falha da tecnologia que era ainda experimental. Salvou-se o filme pois Tati decidiu filmar simultaneamente a pb - o filme como ele o pretendia seria finalmente lançado em 1995, com cores que preenchem o ecrã e se assumem expressionistas.

A ver - é delicioso! Revisto em delicodoce manhã domingueira.