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28 de fev. de 2010

O SANGUE


















É a primeira longa do excessivamente homenageado Pedro Costa. É de 1989. Tem excelente trabalho de fotografia vindo da época em que se sabia pintar com a sombra - o director de fotografia é Martin Schafer que, estranhamente, vem na página do imdb dedicada a ele como tendo falecido um ano antes do filme ter sido feito.. bizarro. Enfim. Além da fotografia este filme é lixo. É mau. Tem péssima direcção de actores. Tem enormes erros de casting. Péssimo som. Não linearidade numa história que se pretende contar e não que se tenha assumido como não entendível. 

Tem evocações a Bergman - mas fica-se pelo querer, tem referência  ao neorealismo italiano (Ettore Scola, bla bla) mas perde-se em pretensiosas interpretações e não chega a lado nenhum. É doloroso ver este filme com o som correndo - mas doloroso numa maneira má, não numa maneira boa como em Cronemberg. Sugiro que se o veja sem som, com o som desligado e apreciar o excelente trabalho artístico que é a fotografia, porque o resto do filme é absolutamente mau! Nem a utilização dos edifícios dos Olivais de Raul Hestnes Ferreira ajudam a compor mais que um péssimo trabalho que foi financiado publicamente e que é elevado aos píncaros dentro da elite intelectual portuguesa. Porquê? Barriguices - umbiguices. 

Além da fotografia a única coisa que escapa - faço aqui uma pequena vénia e um apontamento merecido - é a interpretação de Nuno Ferreira no papel de Nino (o do cartaz). É pena que tenha sido o seu único filme, seria certamente melhor actor que muitos dos outros que passearam falta de qualidade neste filme e que vieram a fazer dezenas e dezenas de filmes.  Como curiosidade, aparece também Manuel João Vieira no seu primeiro papel em cinema.

Visto em Lx - Flores Cinema

filme :  0100000000  fotografia :  0000000009  

8 de jun. de 2008

MY BLUEBERRY NIGHTS

My Blueberry Nights é um belíssimo filme de desencontros e encontros, de pessoas que se aproximam e que se afastam, de desilusões, de ilusões, de desânimo e ânimo, tristeza e alegria em interrompida sucessão - é a face do amor e do ser humano como ser frágil e em constante irregularidade.

Este 'O Sabor do Amor' - título de promoção para Portugal - é não um 'Como Água para Chocolate' mas mais um 'Disponível para Amar' (também de Wong Kar Wai), a belíssima fotografia e as ideias felizes que percorrem a tela ilustram a evolução de seres necessitados de quem lhes queira, em eterna colisão de paixões - o afastamento entre as personagens centrais surge a meio do filme mas o final é feliz.

Agrada-me sobretudo a parte inicial em que somos conduzidos pelo exterior do café de Jeremy, acompanhando como Lizzie conquista um pouco mais e aos poucos o sabor pela vida enquanto saboreia uma blueberry pie. Cat Power surge linda - como sempre aliás - no papel de Katya e Norah Jones está mais que perfeita no seu papel de uma simples mulher simples e perdida.

As interpretações fecham com uns quantos actores que aprecio: Jude Law (doce doce), Rachel Weisz (uma mulher do sul), David Strathairn (surpreendente) e, principalmente, Natalie Portman. A banda sonora fecha este filme em qualidade suprema: Norah Jones, Cat Power e Ry Cooder. Retirei o amargo da boca por bastante tempo com esta obra poética!