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31 de ago. de 2009

LISBON ENCOUNTER




Tinha que trazer este à baila até porque tive papel participante nele (assim como no Guia Lonely Planet Portugal). Colaborei muito próximo com a editora no Encounter e através dela ainda tive voz no Portugal. Coadjuvei-a sobretudo nos segmentos dedicados À arte contemporânea e street art e à vida nocturna ecléctica e desconhecida.

Espreitem ambos e talvez se surpreendam descobrindo algo que desconheciam sobre o nosso país.

Link | Lisbon Encounter

29 de jun. de 2009

FADO TONIGHT




Poucos filmes me mostraram tanto de Lisboa - da minha já agora e ainda não o sabia antes, querida Lisboa - como a curta Fado Tonight deste jovem realizador nascido e crescido no característico bairro da Graça, por onde também já passei os dias e descansei as noites. Por ser lisboeta de gema e perambular pelos bairros da baixa e pelas ruelas e largos do Castelo e de Alfama o Henrique conseguiu captar em filme a essência castiça da cidade como poucos ou nenhuns antes dele (Pêra divaga e injecta-lhe videoart a rodos mostrando Lisboa em videoclip - César Monteiro é demasiado o retrato de César Monteiro e de João de Deus, Pedro Costa não relaxa sobre o feio e Cotinelli vai já lá muito rebuscar à memória).

Lisboa ainda é como em Fado Tonight, Alfama, Graça, Mouraria e Marvila ainda são assim, inocentes e pitorescos, honestos e emotivos, capazes de ceder apaixonados e de se verem enleados pelos seus becos em beijo húmido cantado a fado - ironicamente o título recorda que Alfama e o Bairro Alto e também em menor escala a Bica, estão pejados de sítios caracterizados para estrangeiro.

Fado Tonight conta como um cantoneiro se apaixona por uma fadista e ao ver-se trocado por um guitarrista, afunda-se na bebida para ser felizmente salvo por uma rapariga que trabalha num restaurante que deseja ser fadista - sofrível - mas que se apaixona por ele. O final é feliz e mesmo que a história pareça simples, ela é de facto lisboa!

O filme é uma banda sonora constante em que as falas são mínimas e os gestos são mais esclarecedores - recordando-me Mário Viegas, discorrendo Deolinda, Naifa, Marceneiro, Madredeus e Fado por todos os poros das calçadas que percorre e das tabernas que lhe servem de mote, como o Jaime da Graça, a Ginginha de Alfama e a Baiuca.

Belíssimo e a alma daqui. Uma história de amor que se serve destas ruas como postal cheio de gente e de fado e apesar de bem jovem, Henrique Barroso filma e mostra Lisboa como gente grande.

Visto no CineLençol do MAL em pleno miradouro da Graça : http://movimentoacordalisboa.com
Contactem a produtora para terem mais do que o trailer : http://www.uzifilmes.com
Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=ItMRqWOI3iY

Nota : grafa-se Fado quando se refere o género e deixa de se capitular a palavra quando o assunto é destino e saudade.

12 de mar. de 2009

ZOOT



Emprestado o nome dos Monty Python and the Holy Grail e de uma qualidade gráfica e de conteúdos extraordinária! A ZOOT é feita em Lisboa - com escritórios no Think Tank da LX Factory e é trimestral. Moda, design, entrevistas e afins servidos em inglês e que se pode encontrar em PT, Tóquio, Ny, Paris e London. Fantástica!

http://www.zootmag.com/

8 de out. de 2008

FUNNY GAMES (1997)



Este é um dos filmes mais aterradores a que assisti nos últimos tempos e será um dos mais intensos em terror psicológico, em horror de entre portas, em susto de momento e se o vi entre cem pessoas no exterior, pelo menos isso serviu-me para refrear o temor ~ eu, imaginativo eu, que me assumo como sugestionável imaginando sombras e coisas esperando por mim no escuro.

Vejo neste filme de Michael Haneke, na sua versão original austríaca de 1997 que seria refeita 20 anos depois nos Estados Unidos, referências e proximidade a outros tais como The Shining, Scream, Psico, Rosemary's Baby, Misery, Talented Mr Ripley ...

O filme envolve-nos numa atmosfera claustrofóbica, toma-nos de assalto, coloca-nos vulneráveis clamando impotência! A ver ~ previno que o susto pode ser fatal.

Visto no
CineLençol
Alameda do
MAL
com audiência de + de 100 pessoas.

22 de set. de 2008

GOLDEN GUIDE

É uma revista gratuita de periodicidade mensal que vai já no seu segundo ano, número 13 e que se debruça sobre diversos temas escapistas como (e retirando literalmente do que se revela na capa) de arte | cultura | eventos . restaurantes | vida nocturna . lojas | desporto.

Ou seja, epicurista ao expoente máximo e em revista exposto, o meu género de publicação. Pena é que na Golden Guide seja tudo tratado e revelado duma maneira demasiado comercial, com excesso de marketing e umbiguismo pedante que não me agrada e que me faz pô-la de lado imediatamente quando a vejo por aí, solta em cafés, bares e lojas por LX.

Não encontrei nem site nem foto - partilho-a para não a omitir.

14 de ago. de 2008

O MEU IRMÃO É FILHO ÚNICO

Quando reparei na propaganda a este filme espalhada pelo Bairro Alto, notei uma pequena frase que a acompanhava e que tornava a obra ainda mais atraente: dos mesmos produtores da Melhor Juventude chega agora O meu irmão é filho único - Mio Fratello È Figlio Unico. Como tinha adorado o primeiro não iria deixar de ver este, ainda mais com o especial atractivo de ser dos mesmos criadores.

Este filme de Daniele Luchetti tem as mesmas preocupações de La Meglio Gioventù - ou seja, preocupa-se em contar a história recente de Itália associando-a a quem a construiu e viveu, os seus próprios cidadãos, os próprios italianos. Todos os temores presentes no crescimento estão aqui de lado a lado com as ideologias políticas e a luta social do pós-guerra na bota itálica. O fascismo e o comunismo, o socialismo e o terrorismo das Brigate Rosse e os irredutíveis fascistas das Camisas Negras surgem lado a lado e mesmo como combustível para a afirmação adulta de Accio e diferentes crenças políticas deste em relação a toda a família marcam-no como filho único - nem melhor nem pior como pessoa por apoiar inicialmente a doutrina fascista, nem como instável por mais tarde se aproximar ao ideário comunista. Ele é representativo da descoberta da juventude - essa melhor juventude que vai residindo nas memórias - cheio de erros, gritos, omissões, verdades, avanços e recuos.

O triângulo amoroso e político com o seu irmão e a namorada deste é um dos aspectos mais do seu avanço como homem que procura respostas e não as vai encontrando facilmente. Se é um filho único não deixa de ser irmão, e se combate dentro da própria família pela sua afirmação e daí para fora, para o mundo não é por isso que o afastam. O título - impecável - surge mais na própria incompreensão de Accio sobre si.

As interpretações são arrebatadoras e tudo no filme é magnífico, existe algo de profundamente enternecedor e novelístico nesta partilha da vivência com uma qualquer família italiana. Não fomos somos seremos assim também?

* Filme visto no Cinema King, LX, em excelente companhia de mim contigo.

16 de jun. de 2008

1as - LISBON FILM & VIDEO ARTS FESTIVAL
















Sendo este um veículo contaminante de cultura por excelência tanto da literatura como das 7ª e 9ª artes - partilho um Festival de Cinema e VideoArts a tomar forma por LX ; o primeiras
[ 1as ] :

http://movimentoacordalisboa.com/1as/

Partilhem com outros, divulguem e venham!!!

30 de abr. de 2008

LET THE RIGHT ONE IN

Let the Right One In, de Tomas Alfredson é um filme sueco transposto a partir do livro de John Ajvide Lindquist (de que segue a imagem) e apresentado sobre o tópico Laboratório no seio do Indie Fest de Lisboa - que está ainda a decorrer até ao próximo Domingo e que conta com 238 filmes em exibição entre estreias, primeiras obras, competição de curtas nacional e internacional, competição de longas nacionais e internacionais, Indie Music, filmes-concerto, festas, conferências, ciclo de novo cinema romeno, retrospectiva Guerín, retrospectiva Johnnie To, Indie Junior... O programa é imenso e intenso e incomoda por serem tão vastas as possibilidades! Aqui segue o site oficial :

[V Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa]

Por ser tão difícil a escolha, fiz ontem algo que raramente faço [acho que foi a segunda vez, já o tinha feito da primeira vez que fui ao Fantasporto] e que foi pegar em mim e noutros amigos e ir ver um filme sem ter qualquer ideia sobre o que iríamos ver, completamente espontâneos, totalmente inesperados!

O que encontrámos foi uma interessante variação sobre o mais que explorado tema do vampirismo e que me fez sentir como se estivera no Porto, numa qualquer sessão do Fantas! O filme cresce em nós ao revelar-nos a improvável relação entre um miúdo de 12 anos e a sua amiga vampira, das dores de adolescente, às pequenas descobertas do companheirismo e às tumultuosas relações com os outros que se resolvem na cena final, no ocaso da ligação afectiva entre os dois. Não posso nem gosto de pontuar, detesto categorizar seja o que for que fuja a um simples e verdadeiro gosto, mas em pequeno exercício de forma, diria que este filme não recebe estrelas mas andará pelo meio da segunda parte de uma possível tabela de valores - a ver, portanto!

Visto na magnífica sala do Cinema São Jorge, Av Liberdade, LX

26 de abr. de 2008

DIF MAG

Depois de ter revelado a Parq tenho que desvendar a sua irmã mais velha neste segmento de contaminação urbana via revista mensal, a DIF Mag.

A DIF Magazine apresenta-nos tudo de novo que se faz a nível urbano, desde design, música, moda e streetart e presenteia-nos sempre com magníficas produções de moda e se bem que o formato não seja original nem cheire a novo, esta revista é sempre a companheira de tardes solarentas de café bem preenchidas de conversas de amigo ou de estadia por casa em dias e noites mais frias para que nos aqueça a curiosidade de saber e de fazer.

Foto do último número de Abril de 2008, n57
Falarei da OBSCENA a seguir..

TRAFFIC

Traffic é a crua realidade exposta do mundo da droga que escapa a um olhar atento e é um assombro de filme - bem ao género de 'quase' dogma 95 num ano que foi bem produtivo para Steven Soderbergh - realizou também esse panfleto feminista Erin Brockovich. Levanta demasiadas questões antecipadamente sem resposta e é assustadora a forma como nos achamos conformados perante a poderosa máquina dos cartéis mexicanos/dealers americanos (acompanhamos o trajecto descendente da personagem de Michael Douglas e da sua filha).

Este dado por si é inquietante: os senhores da droga mexicanos sobre o qual recai o objecto abjecto deste filme têm um orçamento infinitamente superior ao da agência estatal de luta contra a droga americana, a DEA!

O grão do filme choca-nos pela sua crueza, mas é assim, com toda a sua fealdade, com toda a sua angústia, sujo e poeirento, que tudo isto deve ser apresentado. O filme é por demais conhecido, já todos o viram certamente, queria apenas partilhar o tê-lo [re]visto numa tarde entorpecida de copos e conversa prolongada nesse espaço que adoro do Crew Hassan, projectado sobre uma tela da sala de Djing. E quem não o viu ainda que veja rapidamente, pois é material de culto sobre tema de choque.

Visto no centro de artes Crew Hassan, às Portas de Santo Antão, LX

3 de abr. de 2008

PARQ

Agora partilho outra das minhas paixões, a das revistas urbanas de tendências artísticas e de propagação da cultura/contracultura e subcultura pop e underground que inundam em crescente burbulhar e contínuo despontar este umbigo luso, esta LX.

Trago-vos a nova
PARQ, de peridiocidade mensal, intensa e catártica, muito bem recheada com inúmeras propostas para ver, fazer, usar e consumir, em contaminação doce pelo contacto dos digitais com as folhas e do intersectar do olhar pelas imagens. Soma-se esta a todas as outras de que irei falar oportunamente, como a Obscena, a TimeOut, a ConVida, a DIF, a LUX (do frágil), o Guia da Noite, a Umbigo, a Bíblia, a Agenda Cultural e muitas outras; aproveitei a tua deixa - Sis - para me furtar ao tema principal do nosso brok e partilhar convosco este apaixonante mundo das publicações urbanas, que se assume como um género especial de literatura - literatura urbana, neo yuppie, cyberpunk ou trendy, como quiserem - mas ainda assim com interessante substância a nível de reportagens, crónicas e ensaios.

Algumas notas : a Parq é gratuita e encontra-se por bares, discos e lojas pela LX toda - já a vi na FLUR, NOOBAI e CATACUMBAS. A foto que acompanha este apontamento é do primeiro número mas o terceiro está já a caminho, o de Abril. Corram ou encomendem (me).

25 de jan. de 2008

LISBOA, WHAT THE TOURIST SHOULD SEE : o que o turista deve ver



''LISBOA - WHAT THE TOURIST SHOULD SEE (no original), não é um livro regular de Pessoa, não é um livro comum do Poeta da Mensagem e da heteronímia, não é um livro - no sentido de o considerar literatura; é sim um guia turístico, um passeio pela cidade do Poeta pelo Poeta, que se torna tão mais curioso porque retrata a cidade de Lisboa numa época específica - década de 20, fixando qual instantâneo uma vivência e um tecido urbano entretanto alterados ou desaparecidos. É interessante saber também que foi escrito em inglês - a segunda língua de Pessoa, que viveu parte da sua infância em Durban, RSA .

Reparem na evolução dos topónimos na Praça do Rato - antes Praça do Brasil ou do Príncipe Real - anterior Praça Rio de Janeiro; na planta imberbe de Lisboa a meio do livro; na percepcionada limpeza visual das ruas libertas de carros; na ausência das pontes 'o viajante chega a Lisboa de barco, à Gare Marítima', aeroporto e vias rápidas e toda a caótica presença de transportes na cidade contemporânea.
O detalhe que achei mais delicioso foi a descrição do Chiado a partir da página 68. Tudo existe agora como descrito pelo Poeta, excepto o próprio Poeta : falta no colorido quadro que nos desenha, a estátua de Pessoa em bronze em frente à Brasileira!
Recomendo vivamente a quem quiser conhecer melhor Lisboa, a quem quiser descobrir como era a cidade há oitenta anos atrás e deseje comparar estas duas Lisboas e a quem quiser conhecer um pouco mais do modo de pensar do próprio Pessoa.

FICHA TÉCNICA
LISBOA, WHAT THE TOURIST SHOULD SEE : o que o turista deve ver
Edição bilingue, Livros Horizonte, 2006
(existem traduções para espanhol, alemão e francês)
Fernando Pessoa, provavelmente 1925