14 de mar. de 2009

PURE MAGAZINE



Pure é uma revista pura - ou seja, de design depurado e atento grafismo que nos conduz e a partir de LX uma interessante produção sobre moda com fotografia excepcional e artigos de fundo com relevância. Fico apaixonado pela quantidade de títulos com excelente qualidade que existem por aí - parte fundamentalmente de um empenho de uma equipa para que seja montada uma publicação como estas. Vejam todas as que puderem, sem falta.

Pure Magazine | http://www.puremagazine.pt

n*STYLE MAGAZINE



A n*Style Magazine é uma revista bimestral muito interessante - belíssimas produções de moda que me recordam a DIF e a PARQ, feita a norte e que versa sobre arquitectura, moda, lifestyle, música e tendências urbanas, servidas por crónicas, apontamentos e actualidades. É uma excelente referência para ver, para ler e para, sobretudo, desejar.

n*STYLE MAGAZINE | http://www.nstyle.com.pt

SITA SINGS THE BLUES



Sita sings the blues é apresentado como a maior história sobre uma separação jamais contada e partiu precisamente dessa premissa por parte da autora - Nina Paley, uma reconhecidíssima desenhadora americana, que após ter levado tampa do companheiro por mail enquanto este estava em trabalho na Índia e fruto da sua dificuldade em lidar com o sucedido e muito menos comunicado assim, daquela maneira crua - decide embarcar neste projecto durante cinco anos.

Paley fez tudo neste filme cedendo apenas na parte musical em que colaborou, escrevendo, investigando, produzindo, realizando e editando esta fantástica peça de animação que ganhou um prémio na Berlinale.

História pessoal animada, é fascinante como se enquandram os diferentes planos da história consoante seja o plano contemporâneo do afastamento e separação de Nina do marido, a narração e explicação do Ramayana (epopeia clássica indiana que retrata a história de Sita e do seu esposo, o príncipe divino Rama e em que Paley vê semelhanças com o seu próprio trajecto), passagens cantadas do Ramayana e trechos do Ramayana. Estes diferentes planos dos filmes sucedem-se em cadência regular e são trabalhados por diferentes técnicas de animação - não causando no entanto irregularidade na história mas marcando os diferentes momentos e contribuindo para a sua compreensão.


É notável o trabalho de investigação de Paley e a ligação do seu desastre amoroso com o mito hindu demonstra além de um saborosa ironia - pois o seu mais que tudo abandonou-a por um trabalho na Índia, também uma trabalhada e calibrada recuperação.

O resultado é muito atraente e se por vezes o ritmo se perde nas sequências cantadas e se a animação não surpreende nem inova, o espectador é compensado pela veia humorística da autora e da sua extraordinária capacidade de rir de si e de se renovar. Recomendo vivamente.


Curiosidades :

1) O filme foi apresentado pela própria em Viena uma semana depois de eu lá ter estado, no Festival Tricky Women - no qual foram distribuídos gratuitamente DVD.
2)
Este filme foi elogiado pela Andrea sem sabermos que umas semanas depois ele seria mostrado em Lisboa durante a Competição de Longas na Monstra e que eu o veria.
3)
No site promocional do filme está disponível o filme para download.
4)
A realizadora não vendeu nenhuma cópia do filme - o lucro é garantido por outras vias.
5)
O filme na Monstra foi apresentado por Nik Phelps, colaborador na BSO.

Senti o quase dever de ir pesquisar sobre Nina Paley e o seu trabalho, sobre o Ramayana e sobre Sita, sobre Lanka e sobretudo sobre a apaixonante e mítica Rama's Bridge.

Visto durante o Festival Monstra em LX - São Jorge em companhia do MAL e Ed. Condorcet, realizador coimbrão.

Links |

www.sitasingstheblues.com

www.ninapaley.com

www.monstrafestival.com

13 de mar. de 2009

VOLTE - FACE



Outra excelente revista portuguesa, agora dedicada sobretudo ao design/poesia e conjugando-lhe artes performativas, happenings, intervenções e música. As performances da Volte-Face / Conflito Estético são lendárias, pesquisem no YouTube e no site da revista para terem um sabor da coisa. Tenho já os 3 números encomendados, quem os quiser manusear que me visite - e sim, isto é um convite!

Volte-Face | http://www.volte-face.conflitoestetico.com

OBSCENA



É obsceno como determinados títulos com qualidade permanecem no limbo da internet esperando a passagem para papel, formato que qualquer publicação merece (a Take é outra que tal). Obscena, revista de artes performativas portuguesa e membro da TEAM Network (Transdisciplinary European Art Magazines) é um excelente magazine onde pontua conteúdo informativo e reflexivo sobre as artes de palco, performativas, design e filosofia. É excelente o título - comprem ou descarreguem do site.

Revista Obscena | http://www.revistaobscena.com

12 de mar. de 2009

PLAYTIME



A personagem chave nos filmes de Jacques Tati - Monsieur Hulot, marcou gerações e continua ainda bem presente com a imagem do mimo desastrado que passava pelas mais diversas caricatas situações e que encontrava os mais estranhos personagens originando sempre situações hilariantes em sucessão de gags. Hulot foi o homem elástico muito antes de Carey ter aparecido e todos os seus filmes são de garantida gargalhada – tanto de inteligente convicção como de riso fácil em amálgama de humor.

(...)

Leiam mais na Take n14, em http://www.take.com.pt

PERSEPOLIS



Persepolis é uma belíssima animação que percorre o crescimento de uma criança iraniana até à sua consumação como mulher, começando antes da revolução iraniana, acompanhando toda essa conturbada rebelião, o agigantar do fervor religioso no Irão, a sua atribulada ida para a Áustria e o seu afirmar final já em França.

O trabalho de Marjane Satrapi é autobiográfico e foi primeiramente publicado (e multi premiado) como uma banda desenhada em quatro tomos que foram posteriormente reunidos em volume único – largamente elogiados pela crítica especializada e pelo público.

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Leiam mais na Take n14, em http://www.take.com.pt

UMA HISTÓRIA SIMPLES



Uma história simples saída filmada pela mão de um cineasta considerado complicado não poderia deixar de ser uma provocação a quem o marcou como tal e que não compreende que o cinema pode ser expressionista, surreal e sujeito a inúmeras interpretações.

E se uma história simples o é qualificável porque se resume em poucas linhas, este filme, este The Straight Story do Lynch é-o. Parte de uma viagem verídica em que um idoso homem (Richard Farnsworth como Alvin Straight) segue à procura do irmão doente (e com quem tem uma relação conturbada e esporádica) montado num cortador de relva, percorrendo indómito e estóico mais de 400km entre estados americanos.

Leiam mais na Take n14, em : http://www.take.com.pt

PARIS, TEXAS



O filme mergulha na quase lunar e a vezes semi-desértica paisagem texana com uma belíssima abertura em olhar de pássaro e apresenta um homem caminhando sobre o vazio (Harry Dean Stanton como Travis). A monotonia e a ausência do próprio que até é uma constante na obra de Win Wenders (Lisbon Story) aproxima este filme à obra pictórica de Edward Hopper – na regularidade da paisagem americana que monótona e à vez revela um ocasional personagem, um detalhe fortuito, um objecto casual ou um cartaz acidental, trabalhando a depuração e o ascetismo de beira de estrada americanos como tema central da história.

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Leiam mais na Take n13, em : http://www.take.com.pt

ZOOT



Emprestado o nome dos Monty Python and the Holy Grail e de uma qualidade gráfica e de conteúdos extraordinária! A ZOOT é feita em Lisboa - com escritórios no Think Tank da LX Factory e é trimestral. Moda, design, entrevistas e afins servidos em inglês e que se pode encontrar em PT, Tóquio, Ny, Paris e London. Fantástica!

http://www.zootmag.com/

MORGEN



Visualmente forte, experimental, apaixonado e académico - virtudes e adjectivações para um colectivo/produtora fílmica austríaca que sugiro : Sancho Pansa Film | http://www.sanchopansafilm.com

Vejam Morgen - é especial (com Andrea Richter : )
http://www.sanchopansafilm.com/htmls/morgen.html


Morgen é uma curta curtinha que apresenta e deixa muitas dúvidas a umas quantas mais respostas - a beleza da curta é essa, o jogar ostensivo com a nossa interpretação porvir. É uma daquelas peças em que nos apetece acrescentar-lhe continuação e em que sobretudo, lhe colamos um início e um sentido. Apetecível. Apenas uma nota para dizer que o gato que contracena com a Andrea é Shiva.

Entre les murs - The class


Ainda estou a "digerir" o que vi neste filme... Por mais que tenha ouvido falar dos actuais problemas nas salas de aulas, só mesmo vendo para acreditar que há jovens que conseguem ser tão mal-educados e ter tanta falta de respeito por um professor.
As minhas turmas da escola nem sempre foram o exemplo de bom comportamento, mas nunca vi algo como o que vi neste The Class.
É incrível como um professor tenta fazer tanto pelos alunos e eles "respondem" de forma oposta ao que se espera.
François Bégaudeau, professor na vida real e autor do livro e do argumento, interpreta o papel principal do professor François, que dá aulas numa escola de Paris e que tem a seu cargo uma turma diversificada racialmente, o que traz mais alguns conflitos para a difícil tarefa de um professor.

Depois do filme, em conversa com o B., verifiquei que há uma certa injustiça dentro da sala de aulas: os provocadores "óbvios" são castigados, mas os que provocam de forma "subtil" conseguem escapar (talvez devido aos bons resultados escolares que obtêm), embora esta segunda forma de provocar possa prejudicar bem mais o ambiente numa classe de aulas.
Fiquei com o coração apertado ao imaginar a quantidade de professores que tem de passar por "isto" todos os dias... Aqui vai um abraço especial para todos os professores que conheço.

HISTORY OF THE INTERNET



Queria partilhar esta grande pequena história que explica resumidamente utilizando um excelente formato gráfico em Flash tudo isto em que escrevemos / lemos / comunicamos / partilhamos neste momento :
History of the Internet | http://www.youtube.com/watch?v=9hIQjrMHTv4

Na volta passem por este, Picol | http://blog.picol.org

11 de mar. de 2009

Meu nome não é Johnny



Aqui está mais um filme brasileiro que me conquistou:
Meu nome não é Johnny é baseado na história real de João Estrella, um jovem carioca, oriundo de uma família da classe média, que se tornou no maior vendedor de drogas do Rio de Janeiro.
Embora seja contra os negócios dos drug-dealers, passei o filme todo a torcer para que João conseguisse alcançar os seus objectivos e que escapasse ileso das confusões em que se meteu (isto sem saber que se tratava de uma história real, do qual me apercebi só no fim do filme). João é uma pessoa interessante, bem humorada e com boa energia, e devido a isso terá conseguido escapar a um final menos feliz. Devido a isso e à juíza que acompanhou o caso dele nos tribunais, que conseguiu ver nele algo mais do que um criminoso.
O filme conta com Selton Mello (João Estrella), Cleo Pires (filha da actriz Glória Pires, faz de Sofia, namorada de João) e Cássia Kiss (juíza) nos papéis principais.

Lembro-me de gostar do Selton Mello a interpretar personagens de telenovelas, mas tornei-me sua fã depois de o ter visto em O Auto da Compadecida e em Lisbela e o Prisioneiro, em que representa personagens bem engraçadas e caricatas. O próximo filme, com ele, que penso assistir é Os Desafinados, que também promete!

20 de fev. de 2009

Marie-Antoinette


O filme é realizado pela Sofia Coppola e conta com a Kirsten Dunst no papel de Marie-Antoinette.

A meu ver, há duas coisas assombrosas neste filme (pronto, 3, se contarmos com o Conde Fersen): a fotografia e a música. Visualmente, as cores começam por ser sóbrias, até sombrias, quando Marie-Antoinette, filha dos Imperadores Austríacos ainda aparece na sua terra Natal. Passam depois para uma palete de corantes artificiais quando aos 14 anos é obrigada a viver em França e casar-se com o futuro rei, Luis XVI - uma criatura bem insossa. Aí, a roupa e os fantásticos doces em que ela se refugia para se libertar do facto de o marido não lhe ligar nenhuma, são irresistíveis à vista.
Por outro lado, ainda que retratando o séc. XVIII, a banda sonora inclui The Cure, The Strokes ou New Order. E não fica nada mal. Ajuda a perceber
a rebeldia associada à personagem principal e que a história que se conta não é anacrónica.

Em termos históricos, o filme não é rico. Acho que não era mesmo esse o propósito, mas fiquei com a sensação de muitas pontas soltas no enredo (ainda que se estivesse a pensar numa sequela). Não se percebe por que é que o príncipe demora tanto tempo a querer engravidar a mulher (7 anos!), não se perceber por que é que um dos filhos morre
(ela teve 4 filhos, não 3) e o final foi demasiado repentino...

Acho que vale pela recriação dos cenários, do ambiente, pela música, pela fantástica Kirsten Dunst (não gostava nada dela no Homem-Aranha).

16 de fev. de 2009

Alta Fidelidade


Sou uma obcecada por encontrar soluções para a vida nas letras das músicas. Mais ainda agora que me entram mil músicas novas pela casa adentro todas as semanas. Rob Fleming, o narrador-personagem principal deste livro (que já virou filme), dono de uma loja de discos, conta como também fazia isso, principalmente em momentos de coração despedaçado. Mais ainda, faz listas e listas e tops de músicas para tudo: melhores músicas sobre amor, sobre morte. Sobre morte? Que música quereriam no vosso funeral? Conhecem alguém que tenha pensado nisso? Eu pus-me a pensar.

Mas adiante... Não sou fã de descrever a história dos livros ou dos filmes, prefiro pensamentos paralelos. Um livro sobre música? Vale a pena. Porque é mais do que isso. É, como disse a pessoa que me ofereceu o livro há pouco mais de 8 anos (miúdas! pay attention!): «um livro com piada [porque] na minha opinião, muitos rapazes têm parecenças com a personagem principal, na maneira de verem as relações e de agir nelas». Acreditem! Aqui há respostas para a pior coisa que podem fazer a um homem ou até o que eles pensam quando parece que têm o cérebro desligado de qualquer fonte de alimentação.

12 de fev. de 2009

A DÚVIDA



John Patrick Shanley comentava em entrevista de apresentação de Doubt que se perdeu a instituição da dúvida com o carácter de sabedoria que antes a resumia e que se lhe colou entretanto agora o da fragilidade da indecisão. Longe de tentar clarificar se indubitavelmente a dúvida se degradou como instrumento de reflexão Shanley ensaia uma história passada num colégio católico do Bronx nos anos 60 que foi peça multi-premiada com um Pulitzer e 4 Tony.

(...)


Leiam mais na Take n 13 em : http://www.take.com.pt

1 de fev. de 2009

DIRECT ARTS



Direct Arts
é uma nova revista portuguesa de periodicidade trimestral que pulula pelo design e pela artes aplicadas, reunindo excelentes trabalhos criativos com sugestões técnicas experimentadas e entrevistas e artigos a profissionais da área. É das melhores que vi ultimamente e espero que se mantenha no mercado por muito tempo - e tenho aqui o primeiro número, serve-me a leitura constantemente nestes dias. A imagem que segue é desse número.

Revista | www.directarts.com.pt

A SUSPEITA



A belíssima e multi-premiada animação portuguesa em stop-motion, A Suspeita de José Miguel Ribeiro foi de demorado parto, resultou de anos de trabalho para produzir os 25 minutos mais interessantes da recente animação portuguesa. Os detalhes dos objectos (canivete de Barcelos, o percurso traçado no mapa, o jornal com o assassino revelado), as expressões das personagens (alinhados em galeria de fragmentos que falhei em encontrar online) e os movimentos em continuidade, comprovam um trabalho de minúcia técnica extraordinária.

Entre os quatro bem distintos e vincados personagens que fazem a viagem de comboio dentro da carruagem que é o cenário do filme, há um assassino - suspeita que uma das personagens leva ao extremo da acusação até se tornar ele próprio na vítima. As deambulações pela forma de estar portuguesa, os silêncios e os diálogos que se vão entremeando adocicam e apimentam o crescer da suspeição e a revelação final é inesperada. Belíssimo!

Visto em serenata de casa

Ligações |
www.zeppelin-filmes.pt/fichas/anim/asuspeita.html
http://www.youtube.com/results?search_type=&search_query=a+suspeita&aq=f

O DIA EM QUE A TERRA PAROU



Recosto-me na cadeira preparado para mais uma viagem Lisboa-Coimbra neste Pendular que se move à mesma velocidade que as carruagens dos tempos da malaposta (ninguém me explicou e eu não consigo ainda discernir a vantagem entre este e o Intercidades, a RedeExpressos ou um qualquer veículo utilitário – pois se é para lhe chamar de rápido e então o considerar alternativa a qualquer outro transporte então que siga a mais de 100km/h e não como vai). Mas adiante.

Recosto-me na cadeira e no lugar logo à frente um portátil abre-se revelando o remake do clássico de SciFi The Day the Earth Stood Still com um Keanu Reeves como o alienígena Klaatu. Sem prever leitura e sem a recorrente vontade de adormecer em qualquer transporte, embarco neste filme em detrimento da paisagem que passa pela janela e que já conheço.

Esta longa-metragem de ficção científica tenta passar uma mensagem moral ambiental com o alarme de que a humanidade será aniquilada sem recurso pelo mal que tem perpetuado sobre o seu planeta. No filme original o conselho funcionava, se bem que veiculado de maneira infantil, mas nesta versão actualizada - algo bem em voga nos estúdios americanos, o de recuperar objectos fílmicos, mudando-lhe apenas o rótulo - falha completamente. E perde-se este filme e bem assim e como sempre, Reeves, num filme sem qualquer interesse mais do que um passatempo de comboio.

O argumento falha em toda a linha, a direcção de actores é catastrófica - como Reeves também Connely estão péssimos e não há qualquer novidade técnica ou estética que o distinga de entre os muitos filmes do género. Dispensa-se.

Visto no Alfa-Pendular LX>CBR em portátil alheio

Enlace | www.imdb.com/title/tt0970416

ÓDIO



O ódio é um conceito bem humano tramado - não é inato, vai sendo acumulado e burilado conforme aquilo que nos alimentam como razões de o conservar. Assim como nos subúrbios de Paris o ódio é bem presente e vai sendo nutrido por força das discrepâncias sociais e a diferenciação racial de anos. Os banlieu são recorrentes em demonstrações que nada devem à resistência pacífica mas sim à militância agressiva.

O preto & branco neste filme de Kassovitz - desse grande Kassovitz - não é mera opção estética, é o afirmar preto no branco dos contrastes que permanecem na sociedade francesa, que não é mais do que um reflexo da sociedade contemporânea. A preto e branco o ódio é o que é e a não sujeição do ser humano discriminado perante o discriminador é sombreado a golpes de fuga e de resistência desesperada.

O filme inicia-se no meio de turbulentas revoltas que resultaram na vandalização de uma esquadra de polícia bem implantada num desses subúrbios da cidade luz. Três amigos bem distintos - e que cobrem todo o espectro das minorias ostracizadas francesas - vivem os dias entre pequenos roubos que significam apenas libertação e luta contra o regime, traficantes de bairro e a repressão policial, detonada pelo ataque à esquadra. Esta é uma peça fundamental na compreensão do sistema de castas francês e a cena final absolutamente surpreendente e um resumo de tudo. A ver - já.

Visto por parciais em casa da Bica.

Link | www.imdb.com/title/tt0113247

RELIGULOUS



Michael Moore é reduzido a um mero beliscão superficialmente incomodativo, a um pequeno toque inconsequente para a epiderme quando comparado com este Bill Maher, um caústico stand upper americano. E o seu material documental torna-se um mero aperitivo sensacionalista quando posto a par com este documento frontal e libertário. Imagino que tenha sido de muito difícil digestão para um país espiritualmente ataviado e fanático como os US (adianta dizer que a apresentação foi em Toronto).

A aproximação aos dogmas religiosos é a mesma que regeu Zeitgeist no primeiro dos seus três segmentos, mas este debate-se na composição e diversidade religiosa americana, desconstruindo a fé e crenças das principais confissões monoteístas em presença no país, atirando sobre crentes e sacerdotes em entrevista directa, com impertinente ironia e incredulidade perante o ditado sobre os livros sagrados e a sua aplicabilidade literal à idade contemporânea.

Religious + ridiculous pretende desmontar a cega obediência aos dogmas cristãos que a serem considerados, devem permanecer a um plano espiritual e não social ou político, que é o que se verifica em todo o mundo e não só nos EUA. Diziam-me que 90% das guerras são ou foram motivadas por motivos religiosos e esse é um número em que acredito, até que por defeito.

O filme é essencial e torna-se hilariante pela quantidade de loucas personagens que vão surgindo (o imbecil senador fanático religioso, o rabi ambivalente ultra-ortodoxo que não se cala, os mórmons hostis, o líder muçulmano irredutível, o pregador e fiéis do templo dos camionistas, o parque de diversões que revive a história de Cristo e a sua assistência deslumbrada, o cristo actor em excesso de entusiasmo, o pastor hipócrita que exibe com orgulho as suas jóias, o apóstolo que se intitula Cristo renascido, o pastor que se apregoa ex-homossexual (!!!) e que prega ostensivamente contra os gays, o judeu inventor das soluções tecnológicas para contornar os jejuns, o suposto cientista que criou e apresenta um museu que conjuga a teoria da evolução e o relato bíblico e muitas outras caricaturas).


Este documentário é um alerta e pretende alterar mentalidades por meio da crítica e autoconsciência. Tanto é que me encontrei a investigar as variações religiosas existentes e encontrei os pacíficos Quakers, os obsoletos Amish, os divertidos Shakers e essa seita assustadora da A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmons). Essencial.

Curiosidade é que o director deste, Larry Charles foi o mesmo que fez Borat.

Visto nas Vasco Sessions . former MAL HQ

Links |

VIAGEM A PORTUGAL EM 1866



Recordei-me agora deste livro, que já tinha lido há alguns anos, no seguimento de uma conversa sobre viagens que revigorou a sua lembrança. Foi um livro que me surpreendeu na altura - tanto como a descoberta do guia escrito por Pessoa e que é um dos primeiros artigos deste blogue - pois nele Hans Christian Andersen, esse famoso contista dinamarquês , relata a sua viagem a Portugal em 1866 a convite de um amigo português que conhecera anos atrás em Copenhaga.

Andersen partilha a sua visão de Lisboa, Aveiro e Coimbra em tempos idos em que ainda a ligação com Espanha - Andersen recusou o barco - era feita por carruagem por malaposta enquanto se ultimava a ligação com Portugal. A descrição de Aveiro é esparsa mas a de Coimbra - cidade que a todos nós elementos deste sítio nos diz muito, é deliciosa. Pequenos detalhes da rotina social e o vislumbre dos edifícios do burgo abraçando o rio é delineada com um idílico encantamento.

O site que segue é parcial e não revela as passagens críticas que seguem no livro. Leiam - irão adorar. Suponho que especialmente o trecho dedicado a CBR.

Lido algures em 2003

Enlaces

Livro |
http://purl.pt/768/1/vap/partida.html

Artigo Lendas |
http://lendaselegendas.blogspot.com/2008/01/what-tourist-should-see-o-que-o-turista.html

31 de jan. de 2009

ULTIMA VEZ > Wim Vandekeybus

O coreógrafo, realizador, actor e fotógrafo dirige a bem conhecida e reconhecida Ultima Vez, uma companhia que reúne, consigo, doze performers, bailarinos/actores, um músico e um escritor, todos vindos de vários países. Belga, nascido em 1963, tem um vasto número de criações que nos deixam entrar no seu mundo artístico com um olhar fascinado e não querendo de lá sair. No caso de Blush, dance film, cada momento é ainda metade do que está para vir.

http://www.dancetouringpartnership.co.uk/blushtour/video.htm
http://www.ultimavez.com/
http://de.youtube.com/watch?v=CywPfvq4Y1c

30 de jan. de 2009

Caixa Dois


Como descobri na wikipedia: "O termo caixa dois refere-se a recursos financeiros não contabilizados e não declarados aos órgãos de fiscalização competentes. (...) Ou seja, caixa dois é um dos instrumentos utilizados para lavagem de dinheiro".
Um negócio sujo é então o ponto de partida deste filme Caixa Dois.
Um número mal colocado vai dar azo a algumas coincidências, que levam a várias tropelias, sempre com muito humor misturado!
Já vi duas vezes este filme e creio que o poderei ver muitas mais porque é mesmo muito cómico!
É engraçado ver estes actores, que eu conhecia de telenovelas brasileiras, a fazer cinema.
Pena que o cinema brasileiro não "invada" a televisão portuguesa da mesma forma que as telenovelas o fazem... É que o Brasil tem filmes muito bons!
[Este filme mostra como um erro "tão pequeno" pode ter consequências enormes - por isso é que se deve sempre conferir a papelada da nossa conta bancária!]

26 de jan. de 2009

Parabéns Lendas e Legendas!


Parabéns ao Letras e Legendas pelo primeiro aniversário [hoje, dia 26, já tem 1 ano e 3 dias!]
Parabéns às letras que preencheram o blog desde o primeiro dia.
Parabéns aos D_Escritores que aqui deixaram as suas visões/opiniões sobre livros, filme, revistas, vídeos, etc.
Parabéns também aos leitores que nos têm acompanhado.
Parabéns a nós todos! :)
Parabéns, parabéns, parabéns!

E agora já ia uma fatia deste bolo, não? ;-)

21 de jan. de 2009

O Segredo de um Cuscuz

Este post, foi logo recuperado (e convenientemente adaptado) para a Take nº11. Leiam e partilhem.

Aqui :. http://www.take.com.pt

Lullabies of the world

Belíssimo, quis logo partilhar : Canções de embalar

Dankaschoen Andrea

Che: Part 1 - The Argentine


Quando falei aos meus colegas de trabalho sobre este filme, fiquei surpreendida porque, embora conhecessem a famosa imagem do Che, não sabiam nada sobre ele!
Che é um ícone, mas parece que há quem não saiba porquê...
Há uns tempos, antes de ver Diarios de motocicleta também eu não sabia muito sobre o Homem [merece um H maiúsculo] que foi Ernesto Guevara. Esse filme mostra a viagem que Ernesto fez pela América Latina, na sua juventude, e como essa experiência o fez ver o mundo de uma outra forma.
Este filme Che mostrou-me um pouco mais deste Homem. Mostrou-me que ele não representa uma revolução mas sim esperança e fé - Che faz-nos ver que é possível ter um mundo melhor, basta querer "lutar" por isso!

Benicio Del Toro está fantástico no papel de Che! [Fiquei fã! :) ]
E o Rodrigo Santoro, lindo como sempre ;) , surpreendeu-me, com um espanhol muito bom, no papel de Raul Castro.
A fotografia do filme está linda, com planos óptimos numa paisagem magnífica.
Agora tenho que esperar pela segunda parte (creio que se intitula "A Guerilha") que deve estrear aqui em Fevereiro, para continuar esta minha "lição" sobre valores e ideais.

Ver trailer da parte 1 aqui.

13 de jan. de 2009

GOOD BYE LENIN!





TRÊS MACACOS



A belíssima primeira sequência do filme, funcionando quase como se fossem frames fotográficos encadeados em sucessão, mostra um carro desaparecendo numa estrada pela noite, percorrendo a estrada e logo desaparecendo numa curva tornando-se um ponto no meio da tela para então ser digerido pelas trevas. À tela completamente negra sucede-se um ronco, um embate, um estrondo, uma travagem, um acaso. E é esse acidente que sucede então que vai precipitar toda a história que é contada no filme, a sua espinha dorsal é essa casualidade.

(...)

Ler o resto da crítica na Take nº 11 em http://www.take.com.pt

12 de jan. de 2009

PARIS 36



Paris em 1936 era ainda demasiado calma para antever o que se passaria nos anos seguintes e idilicamente serena nos seus bairros de periferia ainda bem próximos do centro da cidade (os tais faubourg que seriam chamados posteriormente de banlieu, termo que prevaleceu). A vida de bairro com a Torre Eiffel como cenário sucumbe ao marasmo do quotidiano do café e do repassar da vida alheia, sendo unicamente cortada pelo teatro de bairro em apresentações participadas vivamente por toda a vizinhança, o Chansonia.

(...)

Ler o resto da crítica na Take nº 12 em http://www.take.com.pt

GOMORRA



Roberto Saviano contou no livro - o tal da imagem - o que lhe revelaram sobre a mafia napolitana (a famosíssima Camorra em todos os seus cambiantes sujos e diversas áreas de actividade), para que depois Matteo Garrone o passasse a filme. Saviano adaptou o livro para argumento fílmico e depois de tanto hype em redor de ambos os objectos (livro e filme), vive agora permanentemente acossado pela mafia e sob protecção policial 24 sobre 24 horas. Efeitos e reacções conhecidas? Recordam-se de Rushdie?

O filme difere do livro essencialmente na forma em como é narrado, neste o relato é na primeira pessoa através do olhar de Franco, naquele Franco resume-se a uma personagem numa das cinco histórias que o filme documenta. E nestas cinco histórias desvenda-se a cara feia da mafia napolitana em toda a sua beleza própria (passo o contrasenso) numa peça que não é documental mas é um documento - e que poderia até chamar de um documental encenado. A filmagem é tão brutal e crua como o que nos é mostrado, sem a simplicidade e polidez de um Godfather ou Sopranos. Aqui mata-se e morre-se em guerras de território e vinganças acertadas em que a sobrevivência é o fundamental. E Gomorra é Camorra como é também Gomorra de Sodoma. A referência bíblica no nome é proverbial.

Este não é o estereótipo de filme de mafia que conhecemos mas é o paradigma do género - o mafioso engomado existe mas é o de pé descalço que é o real e é este que não tem rebates de consciência ao assassinar uma criança ou a tomar como alvo inocentes para atingir terceiros. Aqui é a vida feia e dura dos bairros de Nápoles que se mostra.sem luz especial nem tratamento de cenário ou maquilhagem acessória - é a pureza da fealdade.

A direcção de actores podia ser melhor, mesmo que trabalhando com amadores - tomo como exemplo Cidade de Deus, com uma direcção de actores excepcional e com o cast a integrar imensos locais (como curiosidade refira-se que em ambos os filmes elementos da produção foram presos posteriormente pelas mesmas razões que os levaram a interpretar nos filmes).

Um grande filme europeu a não perder. E nunca, nunca um doc mas um documento. A rever.

Visto no UCI, em companhia de gente linda, Küssen

Enlace | http://www.imdb.com/title/tt0929425

11 de jan. de 2009

Querido Diário




E por 5,95€ na FNAC se vê mais um fantástico filme do Nanni Moretti, «Querido Diário», pelo qual recebeu o prémio de melhor realizador em Cannes em 1994. É um filme autobiográfico dividido em 3 capítulos: no primeiro ele passeia de Vespa por Roma, no segundo ele viaja por diferente ilhas da Sicília à procura de sossego para trabalhar, e no último conta a história dos imensos erros médicos a que foi sujeito durante um ano até lhe diagnosticarem um tumor. É inacreditável como há cenas que vistas pela lente de outro realizador seriam aborrecidas e sonolentas. Como aquela em que ele visita o local onde Pasolini foi morto, em que se vê apenas Moretti a andar de mota por uma estrada que parece não acabar, só mota, só estrada, ao som do fantástico Koln Concert do Keith Jarrett. É isso que acho surpreendente no Moretti: consegue mostrar-nos o real de forma surreal.

9 de jan. de 2009

ROOKIE



Na sua edição em Portugal o filme surge titulado como Rookie, O Profissional em Perigo e aqui escuso-me de comentar a eficiente máquina de tradução que insiste em cometer trapalhadas (e nem adianta dizer que o filme é de 1990 e que quem 'ornamenta' os títulos são os boys das produtoras e não os tradutores / linguistas - não é desculpa, a isto eu chamaria as bUrradas).

Chamava-lhe O Novato e basta!

Este é um protótipo dos filmes de polícias que preencheram as décadas de 70 a 80 e que tiveram o seu reflexo na televisão (Hill Street Blues). Aqui Eastwood recuperou a personagem do Dirty Harry, alterando-lhe apenas o nome mas mantendo todos os atributos do mítico Callahan: ferocidade e imprevisibilidade e dedo fácil no gatilho (e afinando-lhe ainda o humor). O filme torna-se hilariante por todas as fórmulas que agora lhe reconhecemos - e a previsibilidade serve-se agora, passados 18 anos, a traços de gargalhada.

A direcção de actores é trapalhona (Raul Julia falha como alemão e Sónia Braga é irregular - abre a boca quase no fim do filme), mas o que realmente me impressionou foi o trabalho de câmara, os ângulos fechados e picados, o enquadramento dinâmico e fechado e o entusiasmo nas cenas de luta!
O filme até é apetecível e é uma alternativa possível para uma noite qualquer em que apeteça filme no sofá.

Visto na Cinemateca dentro do ciclo Clint Eastwood - Um homem com Passado : CS Movie Group

Rookie : http://www.imdb.com/title/tt0100514/
Hill Street Blues : http://www.youtube.com/watch?v=yevI8xCAKuc

8 de jan. de 2009

PEREGRINAÇÃO


''E nisto vieram a parar meus serviços de vinte e um anos, nos quais fui treze vezes cativo e dezasseis vendido, por causa dos desventurados sucessos que atrás no discurso desta minha tão longa peregrinação largamente deixo contados.''

in Peregrinação


Fernão mentes? Minto!


Esta é a expressão que saltita sempre da boca de um português quando se fala de Fernão Mendes Pinto, acompanhando-a ainda de um sorriso malicioso de que não se sabe muito bem o sentido - levemente se nos apresenta como um pregão aplicável sobre quem muito apregoa e nada realiza.

Mas como Marco Polo, também Fernão Mendes Pinto sofreu muito do estigma da incompreensão e da incredulidade ao seu tempo e muito partiu da irredutível concepção do mundo na epoca. Se para o primeiro, o texto e os detalhes eram altamente improváveis para o tempo e assim facilmente arredados; do segundo não era muito por aí, pelo detalhe, mas surgia também como inconcebível a quantidade de países, de governantes, de aventuras e de obstáculos pelos quais passou saindo sempre ileso.

O homem era um couraçado! O homem sobreviveu a tudo, o homem era dessa fina prata e do mais temido e resistente bronze de que se fizeram os nossos conquistadores e aventureiros daquele império que forjámos em sangue e lágrimas. E sempre com o credo na boca, sempre com a infinita crença em Deus e nos seus imprevisíveis desígnios. Acompanhado na sua intermitente bem-aventurança pontuada milhentas vezes de desastres e naufrágios (em muitos dos quais Fernão foi o único ou um dos poucos sobreviventes), pela superstição na divina presença, reverência ao rei e sequioso de lucro, foi por aí que se abriu a ferida que alimentou o vermelho do lado esquerdo da nossa bandeira em séculos de domínio em todos os hemisférios.

Peregrinação é sobretudo um excelente documento de viagens à época, ornamentado profusamente de detalhes psicológicos e sociais que nos levam a compreender muito bem o funcionamento da sociedade medieval (fortemente estratificada, absolutamente dividida, cegamente religiosa e de sobreviventes tenazes). E é de leitura fundamental a qualquer português.

Lido por aí em dois dias de repente.

ZEITGEIST :: ADDENDUM




Este poderá ser é o olho perscrustador de Peter Joseph no seu novo doc que surge no seguimento lógico de Zeitgeist e que foi por isso intitulado de Zeitgeist Addendum. Aquele é de 2007 e este já de final de 2008 e é extraordinário pensar a quantidade de trabalho de investigação envolvido!

Zeitgeist Addendum, tal como Zeitgeist The Movie, foi também premiado no Festival Artivist (que revela obras de arte relacionadas com movimentações críticas e activismo, apresentando trabalhos de artistas proactivos e engajados politicamente) que passou neste Dezembro também por Lisboa e simultaneamente em outras cidades. O rol lúdico e a paciente desconstrução do sistema financeiro é neste Addendum levado ao extremo do detalhe, enquanto que no primeiro o realizador / documentarista apenas se tinha debruçado sobre ele.

O seu olhar crítico (leia-se mordaz) e a sua desarmante lucidez serve-nos sem atavios e sem máscaras a realidade bancária actual (minando o odioso paradigma da Globalização) para construir e apresentar uma nova sociedade utópica que a alguns níveis se me afigura como impossível.

Ele serve-nos os factos, mas eu não sou positivista se bem que ainda e muito orgulhosamente idealista, mas o que é bem verdade é que depois de o filme me ter aberto bastantes portas que seguiam encerradas sobre inúmeras questões importantes (o intrincado sistema financeiro à cabeça) é que se me paira uma pergunta na mente:

Como poderia funcionar tão perfeitamente esta nova sociedade sugerida, se o omnipresente poder e a constante sobreposição da sede deste sobre as liberdades do outro, são tão obviamente indestrinçáveis da maneira de ser humana?

Em todo o caso e mesmo depois de tantas questões e dúvidas surgidas, o filme é de ver e por essa mesma razão : por libertar o sentido crítico em nós.

Visto em ronronagem de casa em Domingo pela noite.

Ligações :

Artigo Lendas : http://lendaselegendas.blogspot.com/2008/05/zeitgeist.html
Zeitgeist / Zeitgeist Addendum : http://www.zeitgeistmovie.com/
Artivist Festival : www.artivists.org

DO EASY

Gus Van Sant resume o ensaio Do Easy, do maior toxicómano de todos os tempos, esse guru da droga, William S. Burroughs (o tal que depois deu a alucinação bruta Festim Nu de Cronemberg, a partir do Naked Lunch - Alucinações de um Drogado).

DE - Do Easy - é uma maneira relaxada de fazer as coisas, a teoria da descontracção a realizar passo a passo todas as tarefas e movimentos, mesmo as mais mínimas possíveis para obter uma máxima eficácia e um nulo constrangimento - e foi Burroughs a teorizar sobre isto, a criar o ensaio sobre realizar calma e descontraidamente!

Será possível modelar mesmo as nossas mais trapalhonas idiossincrasias a uma maneira mais burilada de realizar as coisas?


Visto aqui e ali, em presença de mim.

Link |
http://www.youtube.com/watch?v=7qNkWml3ztA&feature=related

Ensaio de Burroughs | http://www.yellowpress.org/Do%20Easy

7 de jan. de 2009

Bem-vindo 2009!

Foi através do Polegar Verde
que tomei conhecimento do vídeo que quero partilhar no Lendas e Legendas:

"Why Does It Always Rain On Me - Live 8 Live"


Já fizeste as tuas resoluções para o ano 2009?

5 de jan. de 2009

CAOS CALMO




Não se poderia encontrar título mais apropriado para um dos filmes que mais me cativou nestes últimos meses – e não, não farei lista de melhores ou piores de 2008, odeio listas desse género em que se cataloga quando o critério é tão díspar.

Em Caos Calmo Nanni interpreta um pai que fica viúvo num repente e se vê a braços com a pequena filha para educar. Enternecedor filme que parece surgir dessa relação simples de pai com filha, a complexidade surge na caracterização das personagens e no burilar das relações que se vão estabelecendo e recuperando: Nanni perde a mulher enquanto salvava outra de morrer afogada mas percebe-se entretanto que já a ia perdendo e com ela a filha aos poucos também. A dedicação extrema ao trabalho em detrimento da família vai-se consumindo quando Nanni se apercebe dessa perda progressiva. A filha não chora e o pai preocupa-se em protegê-la esperando a erupção, ocupando para isso o pequeno jardim defronte da escola da filha dias a fio, recebendo os elementos e tomando como ponto de fuga o rectângulo de janela da sala de aula da filha. Preocupado no porquê desta não se emocionar com a perda da mãe é ele próprio que se questiona do não se emocionar - assumindo que o comportamento da filha é o reflexo do seu e que nesse pequeno balanço sentimental é que se debate o passar dos dias.

Nesse pequeno mundo entre bancos de jardim, a escola, as árvores e o café, Nanni estabelece uma série de relações com passante e recebe visitas de amigos enternecidos, do irmão preocupado, da cunhada neurótica, de colegas de trabalho em sobressalto por uma luta de poder e até de um surpreendente Roman Polanski no papel de seu superior hierárquico.

Este jardim é uma metáfora da vida e dos encontros que vamos tendo e todos os seus pequenos cenários representam o que vamos levando e reconhecendo como belo e como importante - a atraente rapariga com o cão que o estuda de longe, o jogo do alarme do carro com o rapaz com síndroma de Down e a sua mãe, a filha que aparece e reaparece à janela a um dado momento, a uma dada hora, o fleumático dono do café, o momento de saída das crianças da escola e do aproximar dos pais sorridentes, os vizinhos dos prédios em volta e os professores e as crianças que acompanham a filha no interior da casa que estuda com o olhar horas após horas. Neste exterior que vai habitando estabelece-se uma serenidade, um pacífico estar que se contrapõe ao seu caos interior, esse caos calmo que se vai consumindo até que finalmente desague em lágrimas.

Nunca chegamos a conhecer a mulher e mãe que desapareceu, mas aproximamo-nos tanto deste homem que o tomamos como nosso, como nós, como tudo. E a cena com Polanski é dos mais magníficos momentos que vi no cinema - aquela bola de cristal, aquela inviolável bolha que se vai montando, indiferente a toda a vida que lhe gira em volta, é absolutamente extraordinário!

Numa óptica de classificações daria a este filme o máximo possível pois preencheu-me duma maneira que não esperaria possível ao entrar na sala de cinema - mas é um Moretti todavia, e deste sempre se espera esse toque e mesmo que o filme surja assinado por um Antonello Grimaldi é a Moretti que se deve o guião, a genuína interpretação e o toque estético e sentimental. Dos melhores filmes que vi até hoje e a não perder, sem dúvida!

Visto no cinemas UCI em presença de ti – mit dir andrea

Enlace | www.imdb.com/title/tt0929412