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23 de fev. de 2010

DUNE (extended)


















Surge aqui o comentário porque esta versão extended é bastante diferente da original de David Lynch de 1984. E é extended e não director's cut porque Lynch não participou nem aceitou esta edição feita unicamente pelos estúdios, obrigando até a substituir o seu nome dos créditos da direcção e do argumento, substituídos como Alan Smithee e como Judas Booth, respectivamente (é notória a insatisfação de Lynch aqui).

Aumentada em cerca de 30 minutos (versão anterior tinha 137 e esta tem 189, mas com créditos em duplicado) foi preparada pela Universal para a televisão e depois trabalhada para edição extended em DVD, com outras partes não incluídas nessa primeira versão. Existe ainda uma versão que junta todas as diferentes versões e que está disponível apenas online, via YT e que é uma fanedit

Diferenças substanciais é a expansão das personagens de Gurney Halleck e de Shadout Mapes e o final alternativo - colado na íntegra ao original do livro (e que de certa maneira me deixou desapontado, eu que me habituei ao filme de 1984). É no entanto uma versão cativante e mesmo que Lynch se tenha afastado do projecto - a sua marca é mostrada aqui em toda a sua glória.

Vista por LX, aqui e ali. 

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DUNE


















David Lynch surgiu de para-quedas num projecto que andou saltitão de produtor em produtor e de realizador em realizador. Já antes tinha sido alinhado Ridley Scott para passar a saga de Dune (começada a publicar por Frank Herbert em 1965) para o cinema. Ridley Scott deixou o projecto – para realizar o Blade Runner – por antever trabalhos de pré-produção ciclópicos na esteira do que já tinha sido tentado por Alejandro Jodorowsky (Holy Mountain) num filme que teria sido megalómano. Este não-filme juntou HR Giger (que desenhou as famosas cadeiras Harkonnen para este projecto), Moebius, Dan O' Bannon (argumentista de Alien, que seria dirigido por Ridley Scott), David Carradine e Salvador Dali.

Este filme de Lynch acompanhou-me desde sempre – faço uma compilação agora sobre o tema para um artigo e acabo por descobrir diversas derivações ao livro de Herbert. Este Dune (1984) é de todos o que é menos fiel ao livro e foi por isso rechaçado por críticos e fãs. O que teria sido entendido como a primeira de uma saga com várias sequelas acabou por se ficar por apenas este título – Lynch ainda trabalhou durante algum tempo numa primeira sequela, mas ficou-se pelo papel.

A liberdade criativa de Lynch surge explícita na reformulação do weirding way e na introdução de alguns elementos novos como os weirding modules – e, apesar desse afastamento, foi este filme que com o tempo se tornou de culto, que democratizou o acesso ao universo Dune e que o expandiu para jogos (Dune, Dune 2, Dune 2000, Emperor of Dune) e séries televisivas (Frank Herbert's Dune e Children of Dune).

O filme é notavelmente atraente e muito bem protagonizado com um elenco que conta com Kyle Mac Lachlan, Patrick Stewart e até Sting. Tudo foi realizado como uma obra de arte numa ópera rock no deserto e o filme é magnífico, com uma atenção de detalhe em todos os aspectos. Os detractores afirmam que esta é uma falhada homenagem aos livros de Herbert – mas além de o ver com uma justa homenagem, vejo-o como uma extraordinária passagem da saga do planeta Arrakis e da spice melange para o grande ecrã. 

Visto desde sempre.  

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4 de dez. de 2009

Nativity!


Martin Freeman é o professor Maddens indicado para dirigir a peça de teatro de Natal da escola onde trabalha; para o ajudar é-lhe atribuído um assistente (Marc Wootton) completamente "fora do normal", mas que faz imenso sucesso entre as crianças. Um pequeno desentendimento faz com que a escola se torne notícia ao tornar-se público que Hollywood vai filmar a peça e torná-la num filme! Como irá o professor resolver esta situação?...

Ri-me imenso com este Nativity!. Muito cómico mesmo! Cheio de situações hilariantes com um desempenho muito bom das crianças, assim como dos dois actores principais.


3 de dez. de 2009

Rumba


Rumba é um filme muito interessante, super colorido, cheio de ritmo e movimento e também alguma fatalidade. Embora o acidente, que transforma a vida destes dois fãs de dança, seja trágico, é interessante ver como o optimismo permanece e não deixa a fatalidade vencer.
Uma lição de vida? Talvez sim (sejamos optimistas!) :)

1 de nov. de 2009

Operação Valquíria


Estava tão farta de ver filmes relacionados com a 2a Guerra Mundial, e nazis e campos de concentração e mais não sei o quê, que quando me sugeriram este filme, pensei: "Oh não... Outra vez? Já não há paciência!".
Mas afinal este filme surpreendeu-me. Os factos verídicos sobre os quais este filme se baseou, surpreenderam-me.

Sabiam que existiram 15 tentativas de assassinato a Hitler por parte de alemães? Incluindo alemães que se encontravam em posições muito próximas de Hitler?

Este filme mostra o outro lado da 2a Guerra Mundial que poucas pessoas sabem que existiu.

Há sempre um "outro lado da história"!

20 de out. de 2009

Magnolia

Finalmente o vi. E devo dizer que fui uma resistente. A primeira vez que o comecei a ver... adormeci. Não tem nada a ver com a qualidade do filme. Quem me conhece sabe que me encosto assim que entra o genérico de um filme. Ontem à noite foi impossível adormecer.

Magnolia é uma rede de histórias que se cruzam, o que me fez lembrar o 21 gramas. Mas o argumento é muito mais intenso e os actores muitíssimo bons (principalmente o Tom Cruise!). Claudia é uma toxicodependente que foi molestada pelo pai, que é apresentador de um programa de TV tipo «Sabe mais do que um miúdo de 10 anos?», que é produzido pelo Earl, um velho moribundo que morre assim que vê o filho, que é representado pelo Tom Cruise, um guru sexual que ensina aos homens como enganar as mulheres. E isto só para simplificar.

O momento que marca a mudança da vida das personagens - Claudia conhece um polícia que se apaixona por ela, Frank Makey (Cruise) chora pela morte do pai, Donnie quer devolver o dinheiro que roubou - é quando cai uma chuvada de... SAPOS!! Num filme tão realista de onde é que vinha esta cena aparentemente surreal?? A verdade é que chuvas de animais acontecem! E há descrições religiosas (a Bíblia fala de uma chuva de sapos numa das 10 pragas do Egipto), descrições científicas (está provado que ventos fortes recolhem animais presentes numa área relativamente extensa, e deixam-nos cair, em massa e de maneira concentrada, sobre um único local) e descrições do além (é obra de extra-terrestres).

Este é daqueles filmes que não basta ver uma vez. E aposto que todas as vezes que o vir vou dar conta de simbolismos e ideias subliminares que escaparam à primeira.

2 de ago. de 2009

Slumdog Millionaire


Jamal e Latika. Os protagonistas deste filme britânico de 2008 baseado no livro "Q and A" de Vikas Swarup e que arrecadou 8 óscares.
Há quem diga que é um filme bollywood. Já vi alguns e acho que de bollywood tem pouco.

"Slumbdog Millionaire" apresenta-nos um pouco de tudo: romance, realidade, ficção, humor, alguma pancada, drama, um ou outro tiro.
A sinopse encontram-na aqui bem como o trailer.
Adorei o filme. Adorei as personagens. Os actores foram muito bem escolhidos para os papeis. A carinha de Jamal, não podia ser mais ternurenta para o papel que desempenha, tivesse ele 6 ou 18 anos ;D. É uma história de amor sim e que acaba, claro, com um e foram felizes para sempre. Ok, e com uma dança à bollywood!
E as crianças, demais! Os seus papéis foram muito bem conseguidos e as imagens onde entram são divinais.
Para terminar, deixo-vos uma das músicas da banda sonora que fica mesmo no ouvido! "Jay Hooooooo...!" :)

30 de abr. de 2009

Twilight


Vi este filme em duas partes pois, sendo um filme de vampiros, seria complicado adormecer (!) sem pensar nos sustos que apanharia. Acontece que Twilight (que significa crepúsculo) acaba por se tornar numa ficção romântica, sem quase aparecer sangue ou mesmo dentes caninos!O britânico Robert Pattinson é Edward, o vampirinho principal, e é, diga-se, apetecível! :) A história gira em torno dele e da sua "família" - um grupo de vampiros "vegetarianos" - e do seu relacionamento com a humana Bella (Kristen Stewart).


A sequela New Moon já está a ser filmada e deve estrear em Novembro deste ano.

School of Rock



Este filme, com o brilhante Jack Black, é uma comédia bem divertida em que um músico falhado se faz passar por professor e acaba por dar uma grande revira-volta na vida de miúdos de 10 anos, alunos de uma escola super exigente.
Cada um acabará por "aprender a sua lição", principalmente o professor-músico, assim como todos os intervenientes nesta "escola de rock".

29 de abr. de 2009

Sideways



Sideways leva-nos numa viagem pela paisagem vitivinícola da Califórnia, com Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church - o tio maluco de Smart People) a provar os diferentes vinhos da região e também alguns (dis)sabores da vida.

Com cenas cómicas e caricatas, mas também com situações menos simpáticas, pode-se dizer que este filme mostra um pouco das duas facetas que o álcool traz "ao cimo".

ANGEL-A


Este filme mostra-nos a confusão em que a vida de André (Jamel Debbouze - também o vi em Le fabuleux destin d'Amélie Poulain e Astérix & Obélix: Mission Cléopâtre) se transformou. E tudo devido às mentiras que inventa para se proteger e que acabam por levar a sua vida a ficar "de mal a pior"... até ao dia em que conhece Angel-A (Rie Rasmussen).
Angel-A "cai" do céu e faz com que André se transforme numa pessoa melhor, mas ele acaba também por transformar a vida dela - e de que maneira!
E mais não digo, porque senão perde a graça :)

19 de mar. de 2009

Into the Wild


Ficar em casa, em vez de trabalhar, tem as suas vantagens e as suas desvantagens.
Comecemos pelas vantagens: no meu caso leio muito e com isso aprendo imenso. No ano e meio que não tive horário de pessoa trabalhadora, cresci muito, principalmente porque tive tempo para tomar consciência do que acontece à nossa volta. Coisa que ainda não tinha conseguido fazer antes de "ser obrigada a parar" quando vim para a Alemanha e me encontrei no desemprego.
Desvantagens: tomar consciência do mundo não é peso fácil de carregar. Faz-nos desejar ter fechado os ouvidos e os olhos para que nada tivesse conseguido saltar as barreiras protectoras que por vezes conseguimos criar.
Há quem resolva apenas correr. Fugir?

Imaginem que já viram muita coisa que não gostaram e se apercebem que afinal... Não há como mudar o mundo. Não há outro caminho a seguir senão o de sempre. Imaginem que a vossa vontade é regressar às origens, que pensam ser a Natureza. Sem a presença de mais ninguém. Imaginem que afinal descobriram que esse lugar existe, e que é num canto qualquer no Alasca. E imaginem que concretizam o vosso sonho de lá chegar, depois de um ano de preparação física.
Sim, preparariam-se fisicamente, estudariam sobre o Alasca, escutariam com atenção os que já lá estiveram tentando obter o máximo de informação que pudessem para que conseguissem sobreviver. Anotariam tudo e fariam tudo como escreveram.
Christopher McCandless fez essa caminhada espiritual e achou que encontraria a paz no Alasca. E encontrou. Mas antes agonizou, durante os últimos dias de vida, em que os passou à fome, doente e só.
Escreveu um diário da sua jornada mas foi num livro que lia que apontou as respostas que tanto procurava, sendo a mais importante para mim, "a felicidade só é atingida se for partilhada".

Uma história verídica transformada em filme por onde podemos viajar nas diferentes paisagens dos EUA que Christopher percorreu até aos seus últimos dias.

20 de fev. de 2009

Marie-Antoinette


O filme é realizado pela Sofia Coppola e conta com a Kirsten Dunst no papel de Marie-Antoinette.

A meu ver, há duas coisas assombrosas neste filme (pronto, 3, se contarmos com o Conde Fersen): a fotografia e a música. Visualmente, as cores começam por ser sóbrias, até sombrias, quando Marie-Antoinette, filha dos Imperadores Austríacos ainda aparece na sua terra Natal. Passam depois para uma palete de corantes artificiais quando aos 14 anos é obrigada a viver em França e casar-se com o futuro rei, Luis XVI - uma criatura bem insossa. Aí, a roupa e os fantásticos doces em que ela se refugia para se libertar do facto de o marido não lhe ligar nenhuma, são irresistíveis à vista.
Por outro lado, ainda que retratando o séc. XVIII, a banda sonora inclui The Cure, The Strokes ou New Order. E não fica nada mal. Ajuda a perceber
a rebeldia associada à personagem principal e que a história que se conta não é anacrónica.

Em termos históricos, o filme não é rico. Acho que não era mesmo esse o propósito, mas fiquei com a sensação de muitas pontas soltas no enredo (ainda que se estivesse a pensar numa sequela). Não se percebe por que é que o príncipe demora tanto tempo a querer engravidar a mulher (7 anos!), não se perceber por que é que um dos filhos morre
(ela teve 4 filhos, não 3) e o final foi demasiado repentino...

Acho que vale pela recriação dos cenários, do ambiente, pela música, pela fantástica Kirsten Dunst (não gostava nada dela no Homem-Aranha).

12 de jan. de 2009

GOMORRA



Roberto Saviano contou no livro - o tal da imagem - o que lhe revelaram sobre a mafia napolitana (a famosíssima Camorra em todos os seus cambiantes sujos e diversas áreas de actividade), para que depois Matteo Garrone o passasse a filme. Saviano adaptou o livro para argumento fílmico e depois de tanto hype em redor de ambos os objectos (livro e filme), vive agora permanentemente acossado pela mafia e sob protecção policial 24 sobre 24 horas. Efeitos e reacções conhecidas? Recordam-se de Rushdie?

O filme difere do livro essencialmente na forma em como é narrado, neste o relato é na primeira pessoa através do olhar de Franco, naquele Franco resume-se a uma personagem numa das cinco histórias que o filme documenta. E nestas cinco histórias desvenda-se a cara feia da mafia napolitana em toda a sua beleza própria (passo o contrasenso) numa peça que não é documental mas é um documento - e que poderia até chamar de um documental encenado. A filmagem é tão brutal e crua como o que nos é mostrado, sem a simplicidade e polidez de um Godfather ou Sopranos. Aqui mata-se e morre-se em guerras de território e vinganças acertadas em que a sobrevivência é o fundamental. E Gomorra é Camorra como é também Gomorra de Sodoma. A referência bíblica no nome é proverbial.

Este não é o estereótipo de filme de mafia que conhecemos mas é o paradigma do género - o mafioso engomado existe mas é o de pé descalço que é o real e é este que não tem rebates de consciência ao assassinar uma criança ou a tomar como alvo inocentes para atingir terceiros. Aqui é a vida feia e dura dos bairros de Nápoles que se mostra.sem luz especial nem tratamento de cenário ou maquilhagem acessória - é a pureza da fealdade.

A direcção de actores podia ser melhor, mesmo que trabalhando com amadores - tomo como exemplo Cidade de Deus, com uma direcção de actores excepcional e com o cast a integrar imensos locais (como curiosidade refira-se que em ambos os filmes elementos da produção foram presos posteriormente pelas mesmas razões que os levaram a interpretar nos filmes).

Um grande filme europeu a não perder. E nunca, nunca um doc mas um documento. A rever.

Visto no UCI, em companhia de gente linda, Küssen

Enlace | http://www.imdb.com/title/tt0929425