
Ficar em casa, em vez de trabalhar, tem as suas vantagens e as suas desvantagens.
Comecemos pelas vantagens: no meu caso leio muito e com isso aprendo imenso. No ano e meio que não tive horário de pessoa trabalhadora, cresci muito, principalmente porque tive tempo para tomar consciência do que acontece à nossa volta. Coisa que ainda não tinha conseguido fazer antes de "ser obrigada a parar" quando vim para a Alemanha e me encontrei no desemprego.
Desvantagens: tomar consciência do mundo não é peso fácil de carregar. Faz-nos desejar ter fechado os ouvidos e os olhos para que nada tivesse conseguido saltar as barreiras protectoras que por vezes conseguimos criar.
Há quem resolva apenas correr. Fugir?
Imaginem que já viram muita coisa que não gostaram e se apercebem que afinal... Não há como mudar o mundo. Não há outro caminho a seguir senão o de sempre. Imaginem que a vossa vontade é regressar às origens, que pensam ser a Natureza. Sem a presença de mais ninguém. Imaginem que afinal descobriram que esse lugar existe, e que é num canto qualquer no Alasca. E imaginem que concretizam o vosso sonho de lá chegar, depois de um ano de preparação física.
Sim, preparariam-se fisicamente, estudariam sobre o Alasca, escutariam com atenção os que já lá estiveram tentando obter o máximo de informação que pudessem para que conseguissem sobreviver. Anotariam tudo e fariam tudo como escreveram.
Christopher McCandless fez essa caminhada espiritual e achou que encontraria a paz no Alasca. E encontrou. Mas antes agonizou, durante os últimos dias de vida, em que os passou à fome, doente e só.
Escreveu um diário da sua jornada mas foi num livro que lia que apontou as respostas que tanto procurava, sendo a mais importante para mim, "a felicidade só é atingida se for partilhada".
Uma história verídica transformada em filme por onde podemos viajar nas diferentes paisagens dos EUA que Christopher percorreu até aos seus últimos dias.