13 de jan. de 2009

TRÊS MACACOS



A belíssima primeira sequência do filme, funcionando quase como se fossem frames fotográficos encadeados em sucessão, mostra um carro desaparecendo numa estrada pela noite, percorrendo a estrada e logo desaparecendo numa curva tornando-se um ponto no meio da tela para então ser digerido pelas trevas. À tela completamente negra sucede-se um ronco, um embate, um estrondo, uma travagem, um acaso. E é esse acidente que sucede então que vai precipitar toda a história que é contada no filme, a sua espinha dorsal é essa casualidade.

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Ler o resto da crítica na Take nº 11 em http://www.take.com.pt

12 de jan. de 2009

PARIS 36



Paris em 1936 era ainda demasiado calma para antever o que se passaria nos anos seguintes e idilicamente serena nos seus bairros de periferia ainda bem próximos do centro da cidade (os tais faubourg que seriam chamados posteriormente de banlieu, termo que prevaleceu). A vida de bairro com a Torre Eiffel como cenário sucumbe ao marasmo do quotidiano do café e do repassar da vida alheia, sendo unicamente cortada pelo teatro de bairro em apresentações participadas vivamente por toda a vizinhança, o Chansonia.

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Ler o resto da crítica na Take nº 12 em http://www.take.com.pt

GOMORRA



Roberto Saviano contou no livro - o tal da imagem - o que lhe revelaram sobre a mafia napolitana (a famosíssima Camorra em todos os seus cambiantes sujos e diversas áreas de actividade), para que depois Matteo Garrone o passasse a filme. Saviano adaptou o livro para argumento fílmico e depois de tanto hype em redor de ambos os objectos (livro e filme), vive agora permanentemente acossado pela mafia e sob protecção policial 24 sobre 24 horas. Efeitos e reacções conhecidas? Recordam-se de Rushdie?

O filme difere do livro essencialmente na forma em como é narrado, neste o relato é na primeira pessoa através do olhar de Franco, naquele Franco resume-se a uma personagem numa das cinco histórias que o filme documenta. E nestas cinco histórias desvenda-se a cara feia da mafia napolitana em toda a sua beleza própria (passo o contrasenso) numa peça que não é documental mas é um documento - e que poderia até chamar de um documental encenado. A filmagem é tão brutal e crua como o que nos é mostrado, sem a simplicidade e polidez de um Godfather ou Sopranos. Aqui mata-se e morre-se em guerras de território e vinganças acertadas em que a sobrevivência é o fundamental. E Gomorra é Camorra como é também Gomorra de Sodoma. A referência bíblica no nome é proverbial.

Este não é o estereótipo de filme de mafia que conhecemos mas é o paradigma do género - o mafioso engomado existe mas é o de pé descalço que é o real e é este que não tem rebates de consciência ao assassinar uma criança ou a tomar como alvo inocentes para atingir terceiros. Aqui é a vida feia e dura dos bairros de Nápoles que se mostra.sem luz especial nem tratamento de cenário ou maquilhagem acessória - é a pureza da fealdade.

A direcção de actores podia ser melhor, mesmo que trabalhando com amadores - tomo como exemplo Cidade de Deus, com uma direcção de actores excepcional e com o cast a integrar imensos locais (como curiosidade refira-se que em ambos os filmes elementos da produção foram presos posteriormente pelas mesmas razões que os levaram a interpretar nos filmes).

Um grande filme europeu a não perder. E nunca, nunca um doc mas um documento. A rever.

Visto no UCI, em companhia de gente linda, Küssen

Enlace | http://www.imdb.com/title/tt0929425

11 de jan. de 2009

Querido Diário




E por 5,95€ na FNAC se vê mais um fantástico filme do Nanni Moretti, «Querido Diário», pelo qual recebeu o prémio de melhor realizador em Cannes em 1994. É um filme autobiográfico dividido em 3 capítulos: no primeiro ele passeia de Vespa por Roma, no segundo ele viaja por diferente ilhas da Sicília à procura de sossego para trabalhar, e no último conta a história dos imensos erros médicos a que foi sujeito durante um ano até lhe diagnosticarem um tumor. É inacreditável como há cenas que vistas pela lente de outro realizador seriam aborrecidas e sonolentas. Como aquela em que ele visita o local onde Pasolini foi morto, em que se vê apenas Moretti a andar de mota por uma estrada que parece não acabar, só mota, só estrada, ao som do fantástico Koln Concert do Keith Jarrett. É isso que acho surpreendente no Moretti: consegue mostrar-nos o real de forma surreal.

9 de jan. de 2009

ROOKIE



Na sua edição em Portugal o filme surge titulado como Rookie, O Profissional em Perigo e aqui escuso-me de comentar a eficiente máquina de tradução que insiste em cometer trapalhadas (e nem adianta dizer que o filme é de 1990 e que quem 'ornamenta' os títulos são os boys das produtoras e não os tradutores / linguistas - não é desculpa, a isto eu chamaria as bUrradas).

Chamava-lhe O Novato e basta!

Este é um protótipo dos filmes de polícias que preencheram as décadas de 70 a 80 e que tiveram o seu reflexo na televisão (Hill Street Blues). Aqui Eastwood recuperou a personagem do Dirty Harry, alterando-lhe apenas o nome mas mantendo todos os atributos do mítico Callahan: ferocidade e imprevisibilidade e dedo fácil no gatilho (e afinando-lhe ainda o humor). O filme torna-se hilariante por todas as fórmulas que agora lhe reconhecemos - e a previsibilidade serve-se agora, passados 18 anos, a traços de gargalhada.

A direcção de actores é trapalhona (Raul Julia falha como alemão e Sónia Braga é irregular - abre a boca quase no fim do filme), mas o que realmente me impressionou foi o trabalho de câmara, os ângulos fechados e picados, o enquadramento dinâmico e fechado e o entusiasmo nas cenas de luta!
O filme até é apetecível e é uma alternativa possível para uma noite qualquer em que apeteça filme no sofá.

Visto na Cinemateca dentro do ciclo Clint Eastwood - Um homem com Passado : CS Movie Group

Rookie : http://www.imdb.com/title/tt0100514/
Hill Street Blues : http://www.youtube.com/watch?v=yevI8xCAKuc

8 de jan. de 2009

PEREGRINAÇÃO


''E nisto vieram a parar meus serviços de vinte e um anos, nos quais fui treze vezes cativo e dezasseis vendido, por causa dos desventurados sucessos que atrás no discurso desta minha tão longa peregrinação largamente deixo contados.''

in Peregrinação


Fernão mentes? Minto!


Esta é a expressão que saltita sempre da boca de um português quando se fala de Fernão Mendes Pinto, acompanhando-a ainda de um sorriso malicioso de que não se sabe muito bem o sentido - levemente se nos apresenta como um pregão aplicável sobre quem muito apregoa e nada realiza.

Mas como Marco Polo, também Fernão Mendes Pinto sofreu muito do estigma da incompreensão e da incredulidade ao seu tempo e muito partiu da irredutível concepção do mundo na epoca. Se para o primeiro, o texto e os detalhes eram altamente improváveis para o tempo e assim facilmente arredados; do segundo não era muito por aí, pelo detalhe, mas surgia também como inconcebível a quantidade de países, de governantes, de aventuras e de obstáculos pelos quais passou saindo sempre ileso.

O homem era um couraçado! O homem sobreviveu a tudo, o homem era dessa fina prata e do mais temido e resistente bronze de que se fizeram os nossos conquistadores e aventureiros daquele império que forjámos em sangue e lágrimas. E sempre com o credo na boca, sempre com a infinita crença em Deus e nos seus imprevisíveis desígnios. Acompanhado na sua intermitente bem-aventurança pontuada milhentas vezes de desastres e naufrágios (em muitos dos quais Fernão foi o único ou um dos poucos sobreviventes), pela superstição na divina presença, reverência ao rei e sequioso de lucro, foi por aí que se abriu a ferida que alimentou o vermelho do lado esquerdo da nossa bandeira em séculos de domínio em todos os hemisférios.

Peregrinação é sobretudo um excelente documento de viagens à época, ornamentado profusamente de detalhes psicológicos e sociais que nos levam a compreender muito bem o funcionamento da sociedade medieval (fortemente estratificada, absolutamente dividida, cegamente religiosa e de sobreviventes tenazes). E é de leitura fundamental a qualquer português.

Lido por aí em dois dias de repente.

ZEITGEIST :: ADDENDUM




Este poderá ser é o olho perscrustador de Peter Joseph no seu novo doc que surge no seguimento lógico de Zeitgeist e que foi por isso intitulado de Zeitgeist Addendum. Aquele é de 2007 e este já de final de 2008 e é extraordinário pensar a quantidade de trabalho de investigação envolvido!

Zeitgeist Addendum, tal como Zeitgeist The Movie, foi também premiado no Festival Artivist (que revela obras de arte relacionadas com movimentações críticas e activismo, apresentando trabalhos de artistas proactivos e engajados politicamente) que passou neste Dezembro também por Lisboa e simultaneamente em outras cidades. O rol lúdico e a paciente desconstrução do sistema financeiro é neste Addendum levado ao extremo do detalhe, enquanto que no primeiro o realizador / documentarista apenas se tinha debruçado sobre ele.

O seu olhar crítico (leia-se mordaz) e a sua desarmante lucidez serve-nos sem atavios e sem máscaras a realidade bancária actual (minando o odioso paradigma da Globalização) para construir e apresentar uma nova sociedade utópica que a alguns níveis se me afigura como impossível.

Ele serve-nos os factos, mas eu não sou positivista se bem que ainda e muito orgulhosamente idealista, mas o que é bem verdade é que depois de o filme me ter aberto bastantes portas que seguiam encerradas sobre inúmeras questões importantes (o intrincado sistema financeiro à cabeça) é que se me paira uma pergunta na mente:

Como poderia funcionar tão perfeitamente esta nova sociedade sugerida, se o omnipresente poder e a constante sobreposição da sede deste sobre as liberdades do outro, são tão obviamente indestrinçáveis da maneira de ser humana?

Em todo o caso e mesmo depois de tantas questões e dúvidas surgidas, o filme é de ver e por essa mesma razão : por libertar o sentido crítico em nós.

Visto em ronronagem de casa em Domingo pela noite.

Ligações :

Artigo Lendas : http://lendaselegendas.blogspot.com/2008/05/zeitgeist.html
Zeitgeist / Zeitgeist Addendum : http://www.zeitgeistmovie.com/
Artivist Festival : www.artivists.org

DO EASY

Gus Van Sant resume o ensaio Do Easy, do maior toxicómano de todos os tempos, esse guru da droga, William S. Burroughs (o tal que depois deu a alucinação bruta Festim Nu de Cronemberg, a partir do Naked Lunch - Alucinações de um Drogado).

DE - Do Easy - é uma maneira relaxada de fazer as coisas, a teoria da descontracção a realizar passo a passo todas as tarefas e movimentos, mesmo as mais mínimas possíveis para obter uma máxima eficácia e um nulo constrangimento - e foi Burroughs a teorizar sobre isto, a criar o ensaio sobre realizar calma e descontraidamente!

Será possível modelar mesmo as nossas mais trapalhonas idiossincrasias a uma maneira mais burilada de realizar as coisas?


Visto aqui e ali, em presença de mim.

Link |
http://www.youtube.com/watch?v=7qNkWml3ztA&feature=related

Ensaio de Burroughs | http://www.yellowpress.org/Do%20Easy

7 de jan. de 2009

Bem-vindo 2009!

Foi através do Polegar Verde
que tomei conhecimento do vídeo que quero partilhar no Lendas e Legendas:

"Why Does It Always Rain On Me - Live 8 Live"


Já fizeste as tuas resoluções para o ano 2009?

5 de jan. de 2009

CAOS CALMO




Não se poderia encontrar título mais apropriado para um dos filmes que mais me cativou nestes últimos meses – e não, não farei lista de melhores ou piores de 2008, odeio listas desse género em que se cataloga quando o critério é tão díspar.

Em Caos Calmo Nanni interpreta um pai que fica viúvo num repente e se vê a braços com a pequena filha para educar. Enternecedor filme que parece surgir dessa relação simples de pai com filha, a complexidade surge na caracterização das personagens e no burilar das relações que se vão estabelecendo e recuperando: Nanni perde a mulher enquanto salvava outra de morrer afogada mas percebe-se entretanto que já a ia perdendo e com ela a filha aos poucos também. A dedicação extrema ao trabalho em detrimento da família vai-se consumindo quando Nanni se apercebe dessa perda progressiva. A filha não chora e o pai preocupa-se em protegê-la esperando a erupção, ocupando para isso o pequeno jardim defronte da escola da filha dias a fio, recebendo os elementos e tomando como ponto de fuga o rectângulo de janela da sala de aula da filha. Preocupado no porquê desta não se emocionar com a perda da mãe é ele próprio que se questiona do não se emocionar - assumindo que o comportamento da filha é o reflexo do seu e que nesse pequeno balanço sentimental é que se debate o passar dos dias.

Nesse pequeno mundo entre bancos de jardim, a escola, as árvores e o café, Nanni estabelece uma série de relações com passante e recebe visitas de amigos enternecidos, do irmão preocupado, da cunhada neurótica, de colegas de trabalho em sobressalto por uma luta de poder e até de um surpreendente Roman Polanski no papel de seu superior hierárquico.

Este jardim é uma metáfora da vida e dos encontros que vamos tendo e todos os seus pequenos cenários representam o que vamos levando e reconhecendo como belo e como importante - a atraente rapariga com o cão que o estuda de longe, o jogo do alarme do carro com o rapaz com síndroma de Down e a sua mãe, a filha que aparece e reaparece à janela a um dado momento, a uma dada hora, o fleumático dono do café, o momento de saída das crianças da escola e do aproximar dos pais sorridentes, os vizinhos dos prédios em volta e os professores e as crianças que acompanham a filha no interior da casa que estuda com o olhar horas após horas. Neste exterior que vai habitando estabelece-se uma serenidade, um pacífico estar que se contrapõe ao seu caos interior, esse caos calmo que se vai consumindo até que finalmente desague em lágrimas.

Nunca chegamos a conhecer a mulher e mãe que desapareceu, mas aproximamo-nos tanto deste homem que o tomamos como nosso, como nós, como tudo. E a cena com Polanski é dos mais magníficos momentos que vi no cinema - aquela bola de cristal, aquela inviolável bolha que se vai montando, indiferente a toda a vida que lhe gira em volta, é absolutamente extraordinário!

Numa óptica de classificações daria a este filme o máximo possível pois preencheu-me duma maneira que não esperaria possível ao entrar na sala de cinema - mas é um Moretti todavia, e deste sempre se espera esse toque e mesmo que o filme surja assinado por um Antonello Grimaldi é a Moretti que se deve o guião, a genuína interpretação e o toque estético e sentimental. Dos melhores filmes que vi até hoje e a não perder, sem dúvida!

Visto no cinemas UCI em presença de ti – mit dir andrea

Enlace | www.imdb.com/title/tt0929412

19 de dez. de 2008

SHIBLY BAND


Uma noite árabe que nos fez viajar além mares...
Pude apreciar sons muito diferentes do que eu costumo ouvir. Aqui em Hamburgo tudo é possível! Hamburgo recebe de braços abertos culturas de diferentes cantos do mundo. Não foi só a música que invadiu a Fabrik naquela noite mas também os movimentos de senhoras que me faziam inveja (também quero saber dançar assim!!!).
O convite surgiu de um colega meu, Ali Shibly :) , pertencente à banda e que há já vários anos percorre os 5 continentes de instrumento às costas.
No intervalo chegou a vez do famosíssimo (pelo que consta) Tanoura Wirling Derwish, que a princípio ainda pensei que fosse algum tipo de streep-tease masculino ;)
Mas gostei imenso! Danke sehr!!!

16 de dez. de 2008

STARWARS - GUERRA DOS CLONES



Como mais que fiel seguidor da saga Starwars fui sempre olhando com desconfiança para todas as tentativas de o passar para outros formatos, seja BD, televisão ou, como neste caso, animação. Esta obra de Dave Filoni de 2008 acaba por ser a súmula de todos os restantes formatos já que é a passagem das séries televisivas de animação Starwars para o formato fílmico. E é interessante notar como funciona toda a potente máquina do merchandising da Guerra das Estrelas pois já encontra disponível a BD e as action figures deste filme, num encadeamento natural dentro deste universo criado pelo movie brat George Lucas.

(...)

Ler mais na Take n11, em http://www.take.com.pt

A arte das listas


Dominique Loreau apresenta-nos um livro diferente (Editora Bizâncio): como "simplificar, organizar e enriquecer a sua vida".
Não é mais um livro para ser devorado mas como não o consigo evitar, li-o de uma vez.
Listas. Quem é que nunca fez uma lista? Lista de convidados para um festa; lista de comes e bebes para essa festa; lista de prendas a pedir ao Pai Natal; lista de prendas a oferecer no Natal; etc, etc..
E se agora eu vos disser que, para além das listas que já fizeram na vossa vida (e que até acham que foram demais...) ainda poderiam fazer uma lista de:
"tipos de festas que gostava de dar": Havaiana, Anos 60, do Bikini, da T-shirt,...
"coisas que gostava de estar a fazer daqui a um ano"
"lugares do mundo a visitar antes de ter filhos"
"a quem enviar os 10 postais que comprei numa loja de antiguidades"
e por aí em diante!

Eu também gosto de acontecimentos espontâneos! Mas as listas podem ajudar muito não só na organização de um evento, como também, a descobrirem um pouco mais sobre vocês mesmos.
Tentem lá colocar num papel as seguintes listas sobre vocês:
1. Defeitos
2. Qualidades
3. Pontos fracos
4. Pontos fortes
5. O que nao suporto
6. O que me faz rir
Já estão fartos? Agora imaginem o que podem fazer/melhorar/modificar da vossa vida depois de conseguir definir estas e muito mais pequeninas... listas!

(não consegui encontrar na internet a capa do livro...)

11 de dez. de 2008

STORY OF STUFF



Doc realizado pelo colectivo Free Range Studios com Annie Leonard, elucidativo do muito que temos e não temos actualmente (e a tirar seguramente ilações) :

http://www.storyofstuff.com/index.html

Espreitar também : http://www.alrdesign.com/blog/labels/activism.html

Face the music

Chegou-me este vídeo e quero partilhá-lo, visto que sou super ecologista.
Aqui fica Face the music.

SOBREVIVER COM OS LOBOS



Baseado nas falsas memórias de Misha Defonseca (e que foram reveladas como tal muito recentemente) este filme franco-belga-alemão de 2007 de Véra Belmont, relata a história de sobrevivência de uma criança judia à segunda grande guerra. Separada dos pais, Misha sobrevem a tudo o que lhe surge, enquanto peregrina pelo devastado leste da Europa procurando reencontrar-se com os progenitores.

(...)

ler resto da crítica na TAKE n10 em http://www.take.com.pt

10 de dez. de 2008

Easy Virtue


Regressei aos anos 20 a ver Easy Virtue - o convite para ir a uma festa 20's foi o que me levou a ver este filme. [Vi a versão de 2008, não a de 1928 - dirigida por Alfred Hitchcock.]
Easy Virtue conta-nos a história de um recém-casal: Larita (Jessica Biel), uma americana super moderna para os anos que correm, e John (Ben Barnes), um inglês de uma família very-very-british mesmo!
As diferenças culturais, assim como os diferentes pontos de vista entre nora e sogra (Kristin Scott Thomas), juntando a passividade do sogro (Colin Firth) e a má disposição/limitação das cunhadas, são os ingredientes desta comédia romântica.
Ri-me muito mesmo com algumas cenas, mas também senti o coração apertado por ver que a "falta de tomates" de John põe em risco a relação com Larita - e isso deixou-me tão consciente que essa característica é tão comum nos homens, neste tipo de situações, seja nos anos 20, seja agora...

27 de nov. de 2008

Itinerário do Sal

Ontem fui à ópera. Quer dizer, não era bem ópera... Mas também não era um espectáculo musical. Parece que era ópera multimédia, pelo que ouvi dizer. Mas também já o vi caracterizado como ópera electroacústica.

Foi o primeiro espectáculo contemporâneo a que assisti, e confesso que ia um pouco curiosa.
A performance, a composição, os textos e a dramaturgia de Itinerário do Sal são da autoria de Miguel Azguime, português :), compositor, poeta e percursionista.

"Reflexão sobre a criação e a Loucura, a ópera multimédia Itinerário do Sal gira em torno da linguagem, da palavra-sentido e da palavra-som; ambas tratadas como dimensões da voz, da voz enquanto extensão do corpo e ambas totalmente integradas na construção cénica como projecção tangível da ressonância das palavras através do som e da imagem."
"Áudio, Vídeo e processamento electrónico em tempo real associados à projecção espacial da voz, da poesia, do gesto, da música e do traço, desenvolvem uma polifonia de sentidos, um contraponto de significados, uma exuberância de emoções."


É um espectáculo cheio de sons, e muitas imagens. A atenção do espectador centra-se no actor, no que ele vai dizendo bem como nos sons que vai produzindo
. Essa mesma atenção distribui-se por toda a sala de espectáculo, não à procura de algo que esteja a acontecer (porque nada acontece), mas sim do significado dos sons que estamos a ouvir.

Os sons. Num princípio sim, são palavras, mas que no fim se transformam em... Sons. Sons que vão representando algo. Algo que o autor quer transmitir e fazer o espectador sentir. Mas acho que o autor não espera que o espectador perceba tudo, mas sim, que sinta qualquer coisa. Espera que a peça em si “provoque” tudo, menos a indiferença de quem assiste.

E o que senti eu? Várias coisas. Senti frio perante os sons que se assemelharam ao barulho do vento, desconforto perante uma discussão em japonês, serenidade ao ouvir um poema em francês, e muito mais... Quando partes da peça eram em português, como me concentrava demasiado no significado das palavras (porque as entendia) não senti grande coisa. Interessante, não?

(Não sei se me fiz entender, mas quando escrevo "discussão em japonês" ou "poema em francês", quero referir-me ao que me soou... Porque até podiam começar numa língua mas poucos segundos depois tratava-se já de um conjunto de sons sem significado.)

Aqui ficam uns links para os interessados:

http://www.misoensemble.com/
http://de.youtube.com/watch?v=NN8xk7xTWLg&feature=related

O espectáculo aconteceu no pavilhão Kampnagel, outrora uma fábrica de gruas. O local tem por hábito apresentar programas um pouco mais alternativos e o espectáculo português não foi excepção.

26 de nov. de 2008

Casablanca

Decidi dedicar um fim-de-semana a clássicos do cinema. Um deles foi Casablanca, realizado em 1942 por Michael Curtiz.
A história passa-se na altura da Segunda Guerra Mundial, e gira em torno de uma história de amor, nascida e interrompida em Paris (aquando da sua ocupação pelo exército alemão), reencontrada em Casablanca.
Casablanca é na altura a cidade de passagem para várias pessoas fugidas de uma Europa em guerra que pretendem chegar até aos E.U.A., a sua última esperança para reencontrarem uma vida normal. Aguardam então, na maior cidade de Marrocos, por vistos que lhes permitirão viajar até Lisboa e daí até ao outro lado do Atlântico.
Quem não se lembra de já ter ouvido a célebre frase "Play it once, Sam, for old times' sake" dita pela personagem Ilsa Lund?
Um clássico é sempre um clássico. Uma história de amor é sempre uma história de amor.
Mas este filme não se deixa ficar por aí, no amor, e vai mais além conseguindo também histórias engraçadas, paralelas, como no caso do enredo entre o exército francês e o italiano que mesmo noutro continente disputam por poder.

Blindness


Finalmente estreou o filme pelo qual espero há tanto tempo!
Depois de acompanhar os acontecimentos das filmagens, através do blog do realizador Fernando Meirelles, fiquei super curiosa para ver o resultado final.
Blindness, baseado no livro "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago, mostra-nos o quão importante a visão é e o caos em que a vida se pode tornar quando não se vê: uma misteriosa cegueira branca cega toda uma população, com a excepção de uma mulher, e assim surge o desespero e, consequentemente, o caos.
Julianne Moore está fantástica como mulher do médico (a mulher que não cega) - até a sua pele pálida é perfeita para este papel. Gostei dos actores do grupo de personagens principais - acho que encaixam bem nas suas personagens. Tenho ainda que acrescentar o (meu adorado) Gael García Bernal no papel de Rei da camarata 3 - até a ser mau ele é bom ;-) ;-)
Adorei o livro, adorei o filme.
Muita gente diz que os filmes baseados em livros nunca são a mesma coisa (óbvio que não - impossível ter num filme todos os pormenores que um livro tem!), mas acho que este filme passa muito bem a ideia do livro e para mim valeu a espera! :-)
VER trailer.

24 de nov. de 2008

Linha de Passe


O filme Linha de Passe mostra-nos a dura realidade da cidade de São Paulo, no Brasil.
Entre as vidas de uma mãe e os seus quatros filhos, vamo-nos apercebendo dos diferentes pontos de vista da vida complicada que muita gente tem e dos sonhos que vão ficando para trás (ou não...).
Não é um filme agressivo como outros filmes que retratam a pobreza das grandes cidades brasileiras e chega a ter cenas bem cómicas, interpretadas pelo moleque mais novo da família.
O realizador, o brasileiro Water Salles, foi também quem realizou Central do Brasil e Diários de motocicleta, entre outros.

12 de nov. de 2008

COLLAPSING NEW BUILDINGS - LISTEN WITH PAIN



Chegou-me às mãos um magnífico doc dedicado aos 20 anos de Einstürzende Neubaten, o Collapsing New Buildings - Listen with Pain (a tradução do nome da banda é sensivelmente essa, Collapsing New Buildings). Agrada-me sobremaneira o som dos E.Neubaten, esse som puro, agressivo, improvisado, rock industrial feito com tudo o que se encontra à mão para lhe tirar som, percussão de metais e totalmente representativo dessa Alemanha suja e crua de pós guerra e de durante a Guerra Fria. Não significa que a banda deixou de ter significado depois de 89, nada disso, apenas carrega com ela essa identidade de um país e uma cidade - Berlim - retalhada e sempre vigiada, vivendo o espectro da espionagem e do escapismo.

Agora Berlim é o centro da Europa e o seu maior centro artístico e os Neubaten continuam a tocá-la e a levar esse dinamismo industrial para todo o lado (tocaram em LX este ano).

O que mais me surpreendeu neste filme foi - não a devoção incondicional de Nick Cave - mas o facto de eu ter descoberto que no primeiro concerto que vi deste no Porto, no já desaparecido festival Imperial, que quem acompanhava o australiano nos vocais era Blixa Bargeld, o frontman dos Neubaten!

Txs Andreia . visto em conformismo de constipação à noite em noite de semana.

11 de nov. de 2008

BELIO



Belio
é uma revista construída por um colectivo de artistas da mais diversa ordem (Dj, Vj, designers, músicos, street artists..) sedeada em Madrid e de peridiocidade quadrimestral e que se preocupa, além de desenvolver projectos próprios, de dar voz a outros tantos que vão surgindo por ali. n28 já por aí - não conheço local de distribuição em PT mas se conhecerem partilhem - capa da n14 em destaque.

http://www.beliomagazine.com/

Primeiro contacto com o folhear em BCN, Jan 2004

SINFUL

''That you may show your saving justice when You pass sentence, and your victory may appear when you give judgement, remember I was born guilty, a sinner from the moment of my conception''

Psalm 51:5

Mais uma curta de Eduardo Condorcet que se debate sobre a vertente pecaminosa da estrutura da Igreja - não por o ser de facto na essência, mas pelo contrariar as pulsões sexuais e humanas dos seus ministros. O filme é indolente e não serve a realidade portuguesa, certamente por cá as reacções a um filho nascido de um dos representantes de Deus na Terra teria outras repercussões e não se assume nem moralista nem nada, é ausente. É no entanto extremamente bem filmado e surge estruturado como uma pequena novela em jeito de ensaio. O ensinamento, a existir, acrescentamo-lo nós depois ao filme.

visto nas LOFF Sessions, Nov 08

CIGARETTE

Outra das curtas de Condorcet que encaixam dentro da (sua) ideia de Dogma 95 e que não se encontraram por aí em festivais de PT - prova de que há muito material interessante que circula de mão em mão falando-se de boca em boca e que nunca passa para uma tela maior do que a pantalha das casas de amigos e curiosos que vai encontrando.

O filme não é Dogma porque lhe falta o cumprimento a muitos dos cânones (cumpre a recusa a iluminação artificial mas recorre depois a acontecimentos fictícios - como o assassinato de um dos protagonistas, não possui a continuidade em tempo real preceituada e desconfio também que a utilização de bw é contrária ao Dogma 95) mas não deixa por isso de ser interessante, só não etiquetável como tal.

É um videoclip sem música, é cinema com cigarro, fumo, sexo e morte, é uma curta sobre o excesso, sobre o hedonismo e sobre o vício. Sinful é a marca de cigarro que a femme fatale deixa cair quando se afasta do local do crime depois de uma noite com o seu amante de ocasião. A beleza de uma curta é deixar-nos por vezes demasiados caminhos para que os trilhemos: seria realmente um amante de ocasião? Aquele último cigarro vem depois do prazer da morte acrescendo ao prazer do cigarro pós coital? Preenchemos nós os vazios que nos apresentam? Construímos sempre também a nossa própria história?

visto nas LOFF Sessions do MAL, Nov de 2008

A CASA E A ESCURIDÃO

Hoje compreendo os rios.

A idade das rochas diz-me palavras profundas.

Hoje tenho o teu rosto dentro de mim.

A última das curtas de Condorcet que tinha aqui comigo para ver faz tempo e que fui adiando da mesma maneira que se adia tudo o resto: com a esperança de amanhã o realizar. Este é dos melhores filmes que lhe vi pela complexidade exposta que se baseia em texto de José Luís Peixoto e aqui completada com imagens e sempre narrada evoluindo com essa como se fora videoart. Belíssimo - pudesse o dvd que me chegou às mãos estar em melhor estado e conseguiria apercebê-lo todo, será uma das poucas cópias que por aqui circulam.

visto em sessão contínua de catarse cinéfilo de domingo, pudessem todos os DVD dizer: estou vivo, funciono!

LIVING DRAW + LIVING DRAW DANIELA LEHAMNN PERFORMANCE + LIVING DRAW KATERINA VALDIVIA BRUCH PERFORMANCE



É sempre tão complicado inserir videoart num trecho dedicado ao cinema, não porque se desloque da ideia de cinema em si, da arte por si, mas pelo nosso entendimento condicionado do que é um filme e grosso modo videoart escapa a todos os cânones estabelecidos (argumento, personagens, linearidade espaço-tempo). É no entanto cinema porque é captado em película ou formato digital e não o deixa de ser por acharmos que tal, tão simples como isto.

Comento 3 peças de um artista (João Bruno) que se filmou em processo de criação, completando também as performances de outras 2 artistas; este trabalho em progresso é bem servido com as faixas pintadas que cobrem todas as paredes e que passam a ideia de obra inacabada. Seria como filmar um sonho que tivéssemos tendo - inadvertidamente algo no processo escaparia incontrolável à nossa interpretação que quereríamos controlada, puro e verdadeiro mesmo sendo fabricada a envolvente.

visto no Festival Primeiras 1as! do MAL
1ª peça no Príncipe Real, por debaixo da copa do cedro
2ª peça na Alameda, escadaria da Fonte Luminosa
3ª peça em Alfama, Largo de Santo Estevão

W.



W. não diaboliza nem elogia o ainda e pelo segundo mandato presidente americano, George W. Bush (vi o filme uma semana antes do feliz acto eleitoral que se me afigura histórico para a história do mundo no contexto em que nos encontramos). Não o critica nem realça traços especiais, antes deixa que Bush se ricularize pelo que é ou pelo que não é ou ainda pelo que pretende ser, numa magnífica interpretação de clone de Josh Brolin (já o tinha demonstrado em Esta Terra Não é Para Velhos).

O último filme do realizador da trilogia do Vietname (Nascido a 24 de Julho, Platoon - Os Bravos do Pelotão e Quando o Céu e a Terra Mudaram de Lugar) e de outros biopics sobre Presidentes (JFK e Nixon, Comandante não o é) não é de todo elogioso perante Bush Filho mas não na medida em que se coloca como crítico - nada disso, longe disso - mas sim na perspectiva de que precisamente pelo realizador não tomar posição assumindo-se como documentarista num biopic por si construído sobre um presidente decadente e já cessante, marca este mesmo como o fantoche controlado por um gabinete ditatorial que vai controlando a seu gosto os destinos do mundo cuja potência sobre a qual reina foi construindo enquanto a esboroa.

Essa é a maior contradição americana - construir enquanto de destrói é a melhor maneira de simplificar o que tem sido a regência americana em assuntos externos que neste filme encontramos bem demonstrada. Há que ver o filme para compreender melhor este monstro simpático, este dub-ya; assume-se interessante para debatermos um pouco mais muitas das questões que nos afectam e também nos desperta para nunca cairmos dormentes perante ameaças extremistas e intolerantes sempre presentes (mesmo num mundo ainda considerado maniqueísta e considerando-o como tal - ameaças até do nosso lado da barricada).

http://wthefilm.com/index2.html

visto no Cine Monumental, ao Saldanha LX em companhia do MAL

BERLIM




Julian Schnabel tem das obras mais consistentes que reconheço em cinema e tenho uma certa cautela em etiquetá-lo completamente como realizador – ele é sobretudo um esteta e, como Anton Corbijn (o tal do magnífico Control) deambula em áreas artísticas eminentemente assessórias do cinema: este fotografia, aquele pintura (tem trabalhos expostos no Berardo).

(...)

ler resto da crítica na TAKE n9 em http://www.take.com.pt

COMANDANTE



A figura charmosa do Ditador é tão atractiva para quem não é directamente reprimido que alimenta inúmeras peças de cinema de qualidade diversa, exterior à definição de ditador que cada um tem consigo. Ditador é alguém que dita, que controla, que se guia pela sede pelo poder e que se prolonga nele, sobrepondo-se a outros. E assim é Fidel ditador, independentemente das simpatias partidárias.

(...)

ler resto da crítica na TAKE n9 :: http://www.takecom.pt

6 de nov. de 2008

007: Casino Royale & Quantum of Solace


Anteontem vi o dvd do Casino Royale.
Gostei imenso e fiquei quase 24h em pulgas para ver a sequela Quantum of Solace - o título significa (+/-) "uma pequena quantidade de conforto" - nao foi bem isso que senti, mas quase, pois não fiquei entusiasmada como com o anterior...
Mesmo assim foi interessante "inserir-me" um pouco mais na vida deste agente secreto (creio que antes só tinha visto um filme do 007!).
Gostei de ver o Daniel Craig na pele de James Bond, assim como a Judi Dench no papel de M.
A bond girl do Quantum of Solace (Olga Kurylenko) não está tão presente como a do Casino Royale (Eva Green) mas ambas estão bem nas personagens que representam.

Creio que agora vou ali até ao clube de vídeo alugar todos os outros filmes do 007, pois parece que me tornei fã :)

5 de nov. de 2008

Leitura "in progress"

A minha professora de espanhol emprestou-me um livro de contos de um escritor espanhol.
Li o primeiro conto e achei-o tão interessante que resolvi partilhá-lo aqui.
Começar aqui. Continuar aqui. Acabar aqui.
E comentar aqui :)

20 de out. de 2008

O Crime do Padre Amaro



Li o livro há já alguns anos por recomendação de um amigo. Ontem à noite vi o filme, emprestado por esse mesmo amigo, e onde esse amigo representa um dos polícias (boa, Liminha!).
Corrijam-me se estou enganada, mas parece-me que é o primeiro post de um filme português no nosso blogue. Assim sendo, se é facto que não costumo ver filmes portugueses, vocês provavelmente também não. E fiquei deveras surpreendida com a qualidade dos actores! Nicolau Breyner, Cláudia Semedo, Hugo Sequeira, achei estes 3 realmente muito bons!
Do argumento nem vale a pena falar. É uma história do Eça, que tal como todos os grandes autores não se perde com o passar dos séculos. Contarmos uma história que seja actual passados muitos anos sobre ela, não está na caneta de qualquer um. O assédio sexual e a ausência de castidade dentro da Igreja Católica, a gravidez adolescente, o aborto, a mentira, a homossexualidade, a promiscuidade, a violação, mas também a cumplicidade e a lealdade... E uma coisa que acho muito interessante, que é a repetição nas nossas vidas, daquilo que vemos e temos em casa. Aquilo que os nossos pais nos mostram, a sociabilização primária. Como a Amélia repetia a vida dela ao exemplo da mãe e fruto da violação de um Cónego mentiroso e muito sacaninha.

19 de out. de 2008

Por que é que os homens nunca ouvem nada e as mulheres não sabem ler os mapas de estradas


Allan e Barbara Pease são um casal dedicado a assuntos da comunicação humana. Neste livro apresentam-nos algumas explicações sobre o porquê da relação homem/mulher ser como é: complexa.
Foi com base em estudos científicos, médicos, psicológicos e sociológicos (na grande maioria por universidades europeias) que este casal escreveu este livro, e por isso, mesmo que o título leve o leitor a pensar que se trata de mais um cliché, aconselho a ler primeiro o livro e depois tirar as suas conclusões.
Quando me ofereceram o livro, a indicação foi a de não ler o livro de seguida, mas sim, ir lendo de forma aleatória, uma página. A verdade é que este livro dá para fazer tal coisa, pois a maneira como foi organizado, dá para o ler até mesmo de "trás para a frente". É constituído por capítulos onde se podem encontrar parágrafos (que raramente ocupam mais do que uma página) relativos a uma certa questão. E como em cada questão aparece uma breve descrição do seu contexto, o leitor não se perde se optar por uma leitura mais baralhada. Eu pessoalmente, gosto de começar no princípio e levar o livro até ao fim, sem grandes interrupções. E o facto é que este livro prende a atenção do leitor até à última página pois aborda questões interessantes como: Porque tem as mulheres necessidade de falar?; Porque falam os homens consigo mesmo em silêncio?; Porque são as mulheres indirectas e os homens directos?; Porque saberão os homens para onde vão e porque as mulheres não sabem ler os mapas de estradas? E ao que parece a resposta está pura e simplesmente na química e na genética.
Por várias vezes os autores chamam a atenção para uma questão. Obviamente que nem todos os leitores vão conseguir identificar-se nos textos a si ou ao seu/sua companheiro/a. Os estudos foram feitos a um grupo de pessoas que não representam toda a espécie humana, obviamente, mas que podem representar com um bom grau de aproximação ao que se poderá chamar "comportamento médio" (em média, as mulheres agem de uma forma e em média os homens agem de outra forma).
Ao ler o livro, deparei-me com dicas interessantes que o homem e a mulher poderão aplicar para aperfeiçoar a comunicação entre si. E a verdade é que muitas já eu as utilizava quando era directora de obra e tinha de gerir equipas de trabalho. Desde cedo percebi que tinha de comunicar de maneira diferente àquela que estava a habituada, pois o meu "público" passara a ser de um só tipo: masculino.
A quem se aventurar à leitura deste livro, e em particular em alguns parágrafos, parece que pegaram na sua vida privada e a escancararam num texto público.
Bom, e mais não digo! Leia e descubra você mesmo do que falo!

11 de out. de 2008

Lord of War


No último ano os filmes que tenho visto têm servido para me questionar sobre muita coisa. A cada filme que via, despertava para mais um dos problemas que assombram a vida de qualquer ser no planeta Terra: guerras, crises económicas, fome, poluição, miséria, tráfico de armas, tráfico de pessoas,...
E filme a filme (livro a livro, conversa a conversa, imagem a imagem, etc.) comecei a tomar consciência de que a verdade que conheço, afinal nada significa. E que afinal os vários problemas que me desinquietam a mente, não são mais do que um só problema, constituído pelos vários problemas (que se relacionam entre si).
Não consigo escrever sobre o filme que aqui vos falo. Nao me saem as palavras. Porque tudo me parece demasiado pequeno perante a vida real.
O pensamento e a reflexão sobre certos filmes dói tanto, que no fim deste, perguntei apenas: "Não temos por aí nenhuma comédia romântica para ver e relaxar... E esquecer a realidade...?".

Lord of War, como se costuma dizer: Um filme a não perder!

Mais um filme que me vem mostrar que afinal eu já não posso salvar o mundo. E assim, já não quero salvar o mundo. Apenas posso/quero construir o meu mundo. E poder fechar os olhos quando a imagem não me agrada... Pois muito mais que isso não poderei fazer pelo mundo.

9 de out. de 2008

Campanha WWF

Recebi este vídeo por mail e achei por bem partilhá-lo.

Dá que pensar, não?...

8 de out. de 2008

FUNNY GAMES (1997)



Este é um dos filmes mais aterradores a que assisti nos últimos tempos e será um dos mais intensos em terror psicológico, em horror de entre portas, em susto de momento e se o vi entre cem pessoas no exterior, pelo menos isso serviu-me para refrear o temor ~ eu, imaginativo eu, que me assumo como sugestionável imaginando sombras e coisas esperando por mim no escuro.

Vejo neste filme de Michael Haneke, na sua versão original austríaca de 1997 que seria refeita 20 anos depois nos Estados Unidos, referências e proximidade a outros tais como The Shining, Scream, Psico, Rosemary's Baby, Misery, Talented Mr Ripley ...

O filme envolve-nos numa atmosfera claustrofóbica, toma-nos de assalto, coloca-nos vulneráveis clamando impotência! A ver ~ previno que o susto pode ser fatal.

Visto no
CineLençol
Alameda do
MAL
com audiência de + de 100 pessoas.

Objecto quase

Objecto Quase é um livro de contos de José Saramago, editado pela primeira vez em 1978.
Dos 6 contos, o que mais me deixou agarrada ao livro foram Embargo e Coisas. Também gostei do conto Centauro, mas os outros têm uma escrita que é o que me fascina no Saramago: algo que acontece sem lógica (aparente), e que nos agarra às palavras enquanto não descobrimos o porquê de tal acontecer! É fantástico mesmo!

Acrescento uma passagem do conto Coisas que achei cómica pelo facto de ser surreal:
"Tempo houve em que o processo de fabrico tinha atingido um tal grau de perfeição, que os defeitos vieram a tornar-se raríssimos, a ponto de o governo compreender que não era conveniente retirar aos cidadãos utentes o gosto cívico e o prazer da reclamação."

O CHEIRO DO RALO

Selton Mello é dos indivíduos mais interessantes e versatéis no cinema brasileiro da actualidade - vide tb o Tarantino's Mind neste blogue - e corre por aí que lutou afincadamente pelo papel de Lourenço neste hilariante filme de Heitor Dhalia de 2007.

Ele interpreta o demente e escatológico dono de uma loja de produtos usados atormentado pelo cheiro (vindo) do ralo da casa de banho que utiliza e que dá porta com porta com o seu gabinete. A cada pessoa que recebe Lourenço vê-se na necessidade - após o desconforto demonstrado por quem ali chega a vender, a vender-se - de justificar o cheiro que dali se solta.

Marionetando as pessoas, manejando as suas crenças e humilhando-as defecando-se, este Lourenço confunde-se ele próprio com esse cheiro que ele repetidamente rejeita e justifica - ele que terminou bruscamente o noivado com a noiva entretendo-se onanista defronte da televisão com programas de aeróbica 'Aye, aye!' e ele também que persegue carnal a bunda da rapariga da lanchonete que ironicamente o obriga a frequentar diariamente a latrina cujo cheiro o assola 'Eu dava tudo para ter essa bunda'!

O Cheiro do Ralo recorda-me os filmes de Guy Ritchie na sua essência suja e no descarnar da fealdade humana, é satírico e mordaz e ao se aproximar tanto ao fundo - vísceral - quase que tapamos o nariz com o cheiro desse ralo, enquanto aspiramos o ar fétido que julgamos cheirar, pela boca, de tão hilariante se revela.

Excelente filme ou como se diria por lá: isso aqui é de cu de rôla! A ver, rever, ver.

Visto nas Loff Sessions na Sede do MAL , Lisboa
Depois revisto no Pátio Fradique, Lisboa, CineLençol do MAL
Web OCheiroDoRalo

Palombella Rossa



Nunca um filme me disse tanto. Nunca senti tanta cumplicidade em todos os pormenores, em todas as cenas. Parecia que estava a falar para mim.
O Palombella Rossa passa-se praticamente dentro de água, na piscina do Acireale, na Catania, Sicília. Michele Apicella, interpretado pelo realizador, Nanni Moretti, perde a memória num acidente de carro e tenta reconstruir a memória do que é durante um jogo de pólo aquático que dura uma tarde e uma noite (o que parece ridículo porque nenhum jogo dura tanto, mas foi porque o húngaro partiu a baliza e tiveram que a substituir).
O que lá tinha de mim?

PÓLO AQUÁTICO - As viagens, os autocarros, os restaurantes, os bolos que passam de mão em mão pela equipa, as palestras do treinador. Para nós era impossível estar tão caladas a ouvir o treinador como aqueles estavam, porque uma dúzia de mulheres enérgicas juntas raramente conseguem silêncio. Mas quando conseguem o silêncio marcam golo :)

AS PALAVRAS - Le parole sono importanti. Dois estalos (no filme, porque na rodagem foram mais!) que o Michele dá à jornalista por esta falar mal: cheap, kitsch,... E quem fala mal, pensa mal, vive mal.

COMUNISMO - Ho paura. Michele não consegue fazer um passe para o contra-ataque da equipa porque tem medo. Tem medo de ir para o centro (do campo/da vida política) porque é fundo. Che significa essere comunista? Numa altura de crise ideológica da esquerda italiana, ele tenta redescobrir o que é ser comunista. É ser igual mas ser diferente. É ser católico? Ou ser crente? Defender as massas? Defender a humanidade? Defender o sindicalismo? É ser um movimento de revolução?
Engraçado como me lembrei de uma ligação entre o pólo e a política que se passou comigo. Uma vez, num treino com um treinador de outra equipa, em experiência - ele mal me conhecia - me diz: «- Tu para seres assim revolucionária só podes ser bloquista!» Também... também é ser revolucionária.

ITALIANO - Várias vezes voltava as cenas alguns segundos atrás para ouvir novamente as frases em italiano e decorá-las. Me manca tantissimo parlare italiano.

NÁPOLES - A vista da piscina junto ao porto de Nápoles levou-me há quase 10 anos atrás (!!!) quando em 1999 lá vivi. O mar era dos poucos locais onde era fácil encontrar paz.

Normalmente gosto que passe muito tempo até rever (ou não, caso não valha a pena) um filme. Veria o Palombella logo à noite outra vez.