29 de jul. de 2008

Sex and the City



Começa já a ser hábito ver séries televisivas a arriscarem-se na grande tela. Fui ver uma das que arriscou e que obteve bons resultados: Sex and the City.
Carrie (Sarah Jessica Parker), Samantha (Kim Cattrall), Charlotte (Kristin Davis) e Miranda (Cynthia Nixon) mantêm a amizade que as une da forma divertida, e bem ao jeito feminino, a que nos acostumaram na série.
Estão agora em diferentes etapas da vida e, embora com mais maturidade, também com diferentes dúvidas, questões e mesmo decisões.
Depois de vários percalços, cada uma consegue encontrar o melhor caminho para si (mesmo que seja sozinha...) - e o suporte das amigas é um factor bem importante!

Antes de ir ver o filme, uma amiga disse-me "vais morrer de riso!". É verdade que me ri. Mas acho que saíram mais lágrimas de mim do que gargalhadas... Não imaginava que tal me iria acontecer com este filme e creio que assim foi porque tenho as mesmas dúvidas/questões de algumas das personagens. Não conheço o final do meu filme, mas poderei encontrar as respostas com as minhas amigas da minha cidade. :)

21 de jul. de 2008

The Edge of Love




The Edge of love, baseado na vida real do poeta Dylan Thomas, mostra a amizade que cresce entre as duas pessoas que o amam (a esposa e a melhor amiga de infância) e as consequências de certos acontecimentos.
A história passa-se em plena 2ª Guerra Mundial e é incrível como a fotografia do filme consegue ser tão "negra", como a guerra, e ter também cores fortes que dão uma beleza enorme ao filme.

Este filme, confirmou o que percebi quando vi Atonement - a Keira Knightley parece ter deixado a imagem de teenager e mostra que é capaz de agarrar em papéis adultos e interpretá-los de forma bem interessante.
Não consigo compreender como algumas pessoas falam que não gostam de certos actores por causa do tipo de filmes em que participaram ou até por outras coisas mínimas (por exemplo, o queixo/boca da Keira Knightley!). Acho que devemos ver mais além e perceber que há bons e maus actores e bons e maus filmes. The Edge of Love é um bom filme com bons actores!

Enquanto pesquisava informações sobre o filme encontrei esta frase que o define completamente: "There are some things friends should never share".

17 de jul. de 2008

1984

Li este livro há pelo menos um mês... Fui adiando e adiando escrever sobre ele. Sabia que não iria ser fácil. E não foi.
Mas depois lembrei-me do que os meus colegas do "Lendas e Legendas" sempre me disseram: "escreve sobre o que sentiste ao ler o livro". Na verdade, ao ler o livro senti... "Tenho de ler mais romances de ficção, pois deste gostei!" :)
A vantagem de se tirar um tempo para nós, fazer a tal "pausa criativa" (expressão dita pela minha professora de alemão: "Nao digam que estão desempregados! Digam antes que "fazem uma pausa criativa!" :D ), é sem dúvida termos tempo para ler bastante e informarmo-nos sobre o mundo que gira em nossa volta. Confesso que por vezes, após uma manhã de leitura de notícias sobre o mundo, desenvolve-se em mim um sentimento depressivo. Para mim, o mundo enlouqueceu de vez! Começo a pensar que o que preciso para me abstrair desse facto é "ter de me preocupar" com "problemazinhos": o stress do trabalho, uma molha que apanhei a caminho dos correios, o atraso dos transportes públicos, ter de pintar o cabelo outra vez (pois os brancos já voltaram a notar-se), ter de pagar 1,5 € por uma Bica, etc, etc... Apesar deste sentimento, o tempo que tenho disponível dá principalmente para começar a juntar as peças que vou recolhendo das minhas leituras e tomar consciência do que se passa à minha volta. Por esta consciência adquirida neste último ano, OBRIGADA "pausa criativa"!
Devo dizer que ver o filme "Zeitgeist", já mencionado neste blog, ajudou-me a juntar mais umas pecinhas do puzzle. Aconselho a verem primeiro o filme e depois ler "1984".

Curiosidade sobre o autor: Eric Arthur Blair sob o pseudónimo de George Orwell.
Curiosidade sobre o título: "o título vem da inversão dos dois últimos dígitos do ano em que o livro foi escrito, 1948" (!!!).
Curiosidade sobre o livro: "Orwell lutou pela implantação do comunismo em Espanha. Mesmo não tendo êxito, foi convidado a visitar a URSS. Voltou estarrecido e escreveu "1984"."
Curiosidade sobre o filme: o livro foi adaptado para o cinema em 1984.

O cenário do romance, é um tempo de guerra permanente em todo o mundo, pois este foi dividido em 3 grandes super-Estados: a Lestásia, a Eurásia e a Oceania, que se combatem mesmo sabendo que nenhuma sairá vencedora.

Opto por escrever algumas frases do livro. Ora, reparem nisto:

"De facto, a natureza da guerra mudou. Em rigor, o que mudou foi a ordem de importância das razões pelas quais se faz a guerra."
"Com a criação de economias fechadas em que a produção e o consumo são interdependentes, desapareceu a luta pelos mercados, que constituía uma das principais causas das guerras anteriores, ao mesmo tempo que a posse das matérias-primas deixou de ser questão de vida ou de morte. Cada qual dos três super-Estados tem, à partida, território tão vasto que aí encontra praticamente todas as matérias-primas necessárias."
"É pela posse de regiões densamente populosas, (...), que as três potências se batem continuamente. (...) Os habitantes dessas zonas, reduzidos mais ou menos abertamente ao estatuto de escravos, passam continuamente de conquistador em conquistador, e são consumidos literalmente, como carvão ou petróleo, na corrida aos armamentos, na ocupação de mais território,...".
" ..., não se pode dizer que a força de trabalho dos povos explorados da zona densamente populosa seja verdadeiramente indispensável à economia mundial. Ela nada acrescenta à riqueza do planeta, pois utiliza-se em exclusivo todo esse trabalho para fins bélicos, e o objectivo de cada guerra resume-se sempre a ficar em melhores condições de empreender outra guerra."
"De facto, se todos tivessem igual acesso ao lazer e à segurança, a grande maioria dos seres humanos, que normalmente vivem embrutecidos pela pobreza, instruir-se-iam e aprenderiam a pensar pela sua própria cabeça; a partir daí, cedo ou tarde concluiriam que a minoria privilegiada não desempenhava qualquer função, e acabariam com ela."
"O problema residia em descobrir como manter em funcionamento as engrenagens da indústria sem aumentar a riqueza efectiva do mundo. Impunha-se assim produzir bens, mas sem os distribuir. E, na prática, o único meio de consegui-lo era a guerra permanente. A essência da guerra é a destruição, não necessariamente de vidas humanas, mas do produto do trabalho humano."
"Efectivamente, as necessidades da população são sempre subestimadas, do que resulta a escassez crónica de metade dos bens essenciais; mas tal surge também como uma vantagem. É política deliberada, mesmo aos mais favorecidos, mantê-los pouco acima do limiar da pobreza, porque a escassez generalizada aumenta a importância dos pequenos privilégios."
"Ao mesmo tempo, a consciência de se estar em guerra, e por conseguinte em perigo, faz surgir como condição natural e inevitável da sobrevivência a entrega de todo o poder a uma pequena casta."

Interessante. No mínimo faz-nos pensar, pelo menos a mim fez...

"Não restará lealdade, senão a lealdade ao Partido. Nem amor, senão o amor pelo Grande Irmão. Nem riso, senão o riso da vitória sobre um inimigo aniquilado. Nem arte, literatura ou ciência. Quando formos omnipotentes dispensaremos a ciência. Desaparecerá a distinção entre beleza e fealdade. Nao haverá curiosidade, nem o gozo de viver. Todos os prazeres que possam fazer concorrência ao partido serão destruidos. Mas haverá sempre (não te esqueças disto, Winston), haverá sempre a embriaguez do poder, cada vez mais intensa, cada vez mais subtil. Sempre, a todo o momento, a emoção da vitória, a sensação de esmagar um inimigo indefeso. Se queres uma imagem do futuro, pensa numa bota a pisar um rosto humano. Para sempre."

Até arrepia, não é?
No livro, como consegue o "Partido do Grande Irmão" tudo isto? Através de Ministérios: o Ministério da Verdade que trata da falsificação de documentos referentes ao passado (incluindo jornais, revistas,...); o Ministério da Paz que trata da existência de uma guerra permanente; Ministério da Fartura que trata de manter a fome dos que mais precisam; o Ministério do Amor que trata de espionar e controlar toda a população ( "Big Brother is watching you" ). Acrescente-se a esta lista uma "reforma oficial" da língua em que é "a primeira língua a reduzir os seus termos". O que não se conseguir definir, não existe, não se sente! (ex.: revolta, traição, mentira,...).
O lema do Grande Irmão é: "Guerra é paz, Liberdade é escravidão, Ignorância é força." (não vos faz lembrar nada?)

Mas é um romance! E este livro tem todos os pormenores referentes a uma história de amor. Apresentou um final surpreendente, para mim na altura que o li, mas que agora o entendo. O seu final não poderia ser de outra maneira.

7 de jul. de 2008

Krzysztof Kieslowski: I'm So-So...

O documentário Krzysztof Kieslowski: I'm So-So... fez-me entender um pouco mais o homem por trás da trilogia das três cores: Azul, Branco e Vermelho.
Aqui é o próprio Kieslowski que aparece à frente da câmara e fala da sua vida e de alguns dos filmes que realizou.
Gostei de o ouvir - era uma pessoa bem interessante!
Fiquei com vontade de ver o Blind Chance onde aparece a ideia também presente no Run Lola Run (que adorei!).
Para saber mais ver aqui os textos "Kieslowski documentarista" e "Do saber ao não saber".

23 de jun. de 2008

MÁ FILA

Realizada por Chuenmenkin, Francisco Antunez com Carlos Pedro Santana esta curta vai crescendo e surpreendendo a cada novo capítulo desenrolando o novelo deste sucedâneo de Reservoir Dogs rodado no exterior [Reservoir Dogs, Cães Danados, Tarantino].

A excelente BSO tempera este pequeno thriller- road-still-movie em que o melhor é o twist final.
Identifico o titulado com a personagem feminina do quarteto protagonista (3 criminosos e o raptado, o primeiro ministro de quem nunca vemos a cara). A vingança encomendada poderia ser uma nossa agora? Algum presságio, algum esquema?

Site da produtora U-HU FAZ MISSO! FILMES
http://www.myspace.com/uhufazmissofilmes

Com correcção via Francisco Antunez (Co-realizador, argumentista, produtor e autor da ideia original da peça). Obrigado.

22 de jun. de 2008

Quem Mexeu no Meu Queijo?


O Queijo é o que cada um de nós procura na vida, "o que queremos alcançar - seja a nível pessoal, social ou profissional - e o labirinto representa o mundo real".
Li o livro em 40 minutos (se tanto), fiz o teste e conclui que sou o Gaguinho.
Ser um Fungadela, não é para qualquer um. Ou seja, ou se tem ou não se tem, a capacidade que esta personagem apresenta. Eu não tenho.
O Correria, só por vezes me sopra ao ouvido. A última vez que o ouvi, vim parar à Alemanha :D.
Quem de certeza eu JÁ FUI, mas com orgulho escrevo aqui e agora, JÁ NÃO SOU MAIS, é o Pigarro. Puf!... Se não fosse por questões financeiras (pois todos temos de sobreviver), aconselhava a todos a fazerem uma "pausa criativa de um ano", sem emprego... Aconselho! Garanto-vos que iriam descobrir coisas extraordinárias sobre vocês mesmos!

(livro escrito por Spencer Johnson)

NOSFERATU

Aparte as deficiências técnicas que se me apresentaram na minha última visita à Cinemateca PT (falhou legendagem e som de suporte - ambos prometidos e contentei-me em extrair o possível das imagens, já que não falo de todo alemão!), presenciei um dos clássicos dos filmes - e não só de terror, em grande tela.

Bem haja a Cinemateca por permitir recuperar todos estas obras em sala de cinema quando normalmente só as poderíamos ver em casa via DVD, longe da dimensão e da franqueza de uma verdadeira sala de cinema!

Este filme de Murnau, este Nosferatu é um filme genial e marcante para a história do cinema e, se bem que não transmita nenhum temor como o deveria ter feito quando estreou em 1922, Max Schreck permanece assustador ainda agora no papel de Conde Orlok - o Nosferatu.
Um dado interessante sobre este filme é que Murnau teve que alterar todos os nomes presentes no filme já que não tinha conseguido os direitos da adaptação ao cinema do Dracula de Bram Stoker (Coppola bem mais tarde iria poder fazê-lo). Assim o Conde Drácula passa a Orlok e Nosferatu é vampiro.

Visto na Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema em Lisboa (a nossa mais interessante sala de cinema a nível nacional)

Coloco uma pergunta, para quando a criação da Cinemateca do Porto e da de Coimbra? Sei que há movimentações para a criação de um segmento da Cinemateca na Cidade Invicta, mas a entidade devia ser autónoma - como defende Bénard da Costa. Quanto à de Coimbra, é um sonho especial que tenho.

HOMENS ARANHAS

Homens-Aranhas (assim mesmo, justapostas) não é um livro que surpreende pelo facto de ser um livro de pequenos contos alinhavados ao desafio, desafiando-nos a lê-los todos de uma assentada - porque apetece mesmo ler todos de uma só vez, é um livro que surpreende pela temática que aborda:

Pequenos pecadilhos burgueses, urbanos e mundanos escalpelizados em curto formato através de palavras competentes e com um resultado nada razoável (saímos feridos nalguns dos contos). Os contos são infalíveis e alguns tremendamente bons (bons, caramba!) e os meus preferidos são sempre o Hotel Vitória e o Escalador de Paredes. Se no segundo reconheço algo remotamente de Borges, no segundo fui surpreendido com um delírio catastrofista onde ZInk assassina um personagem que só pode ser Cunhal!

Há que ler e divagar, ser o super herói nos contos dos outros e vestir a capa escalando sonhos e atingindo memórias!

Livros para férias

Quais são os vossos livros para férias? Que têm já alinhavado para levar na sacola a tiracolo para a praia ou para o campo? Partilhem e partilho!

21 de jun. de 2008

TARANTINO'S MIND

Tarantino's Mind é uma curta do colectivo brasileiro 300ML onde surge a dupla inesperada Selton Melo e Seu Jorge e onde o primeiro discorre sobre as teses presentes nos filmes de Tarantino e no código que diz ter descoberto, colocando-se Seu Jorge no papel de ouvinte atento e interventivo.

A curta é brilhante e alerta-nos para detalhes nas longas do americano aos quais não tínhamos dado atenção (tinha reparado já na relação Vic - Vincent Vega) demonstrando que todo o trabalho de Tarantino se resume a um filme épico que foi dividindo para fazer todos esses seus diferentes filmes (Natural Born Killers, True Romance, Reservoir Dogs, Pulp Fiction, From Dusk Till Dawn, Kill Bill).

Mesmo que não se concorde em absoluto com a tese apresentada há que ver todos os filmes se tocam de facto e que há sequência de objectos, de tramas e de personagens de Tarantino.

Esta obra aproxima-se deliciosamente do Coffee and Cigarettes do Jarmusch e evoca (ironicamente) os diálogos informais e hilariantes do próprio Quentin Tarantino.

Vejam e maravilhem-se :: http://www.youtube.com/watch?v=op4byt-DtsI

nota : em True Romance, NBK e From Dusk Till Dawn Tarantino é o argumentista, nos restantes acumula o papel de realizador.

Couch Fest Films

Um projecto mais que interessante, uma experiência de sofá entre amigos que tentarei reproduzir em Lisboa; vejam todos os pequenos filmes - short films - são hilariantes!

http://www.couchfestfilms.com/

20 de jun. de 2008

Os melhores dentre todos

Quais seriam para vocês os melhores livros e filmes de sempre? Compilem-me uma lista - ao género do filme Alta Fidelidade (High Fidelity, Stephen Frears) e apresentem-na aqui. Exponham os vossos gostos e razões!

R

Treze Badaladas

Acabei de colocar nas estreias desta semana o filme Treze Badaladas.
Quando o vi na lista de estreias estranhei - é que eu vi este filme em 2003, já lá vão 5 anos!
Como é que um filme dos nuestros hermanos e vizinhos só estreia em Pt agora??
Eu vi-o em Pt mas não num cinema convencional - foi projectado nos jardins do Palácio de S.Marcos, ali bem perto de Coimbra. Foi uma sessão especial só para convidados especiais. Eu só lá estava porque a minha amiga Raquel (que fazia parte da equipa de projecção) queria muito que eu conhecesse o projeccionista. ;-)
Voltei para casa a pensar no filme, que gostei muito, e não no projeccionista.

[Engraçado que ainda há dias me lembrei do filme e da situação!!]

18 de jun. de 2008

Competição do 16º Curtas Vila do Conde




INSTANTES, curta-metragem de Miguel Clara Vasconcelos, foi seleccionado para a Competição Nacional e Internacional do 16º Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. Estreia dia 11 de Julho, às 23h00.

INSTANTES é a primeira curta-metragem de ficção realizada por Miguel Clara Vasconcelos e produzida por Pandora da Cunha Telles / Filmes de Fundo.
"Começar na realidade e voltar a ela. Esta foi desde o início a base do projecto. Começar por inserir a personagem num contexto real e terminar com testemunhos reais inseridos no local de filmagens. Confrontar duas energias, a de Eros com a de Thânatos. Provocar um encontro entre dois momentos extremos e opostos das relações amorosas. Deixar ao espectador a possibilidade de ditar a sentença, pondo-o no lugar do coro trágico, que aponta o dedo aos excessos do 'herói' e anuncia o seu fim." MCV

16º Curtas Vila do Conde IFF 5-13 Julho 2007
Auditório Municipal, Praça da Republica,
4480-715 Vila do Conde, Portugal
tel +351 252 638025 / 646516 fax +351 252 248 416


Conheço o Miguel há cerca de 10 anos. Pelas minhas mãos passou o Estrume dele e do Nuno Morão; pelo meu mail chegaram vários Instantes dele; e pela minha mana chegou-me o dvd Documento Boxe. Gosto dele e do trabalho que faz.

16 de jun. de 2008

1as - LISBON FILM & VIDEO ARTS FESTIVAL
















Sendo este um veículo contaminante de cultura por excelência tanto da literatura como das 7ª e 9ª artes - partilho um Festival de Cinema e VideoArts a tomar forma por LX ; o primeiras
[ 1as ] :

http://movimentoacordalisboa.com/1as/

Partilhem com outros, divulguem e venham!!!

14 de jun. de 2008

VINCENT

Trago-vos uma lindíssima animação de Tim Burton do já longínquo ano de 1982, a segunda obra, portanto e bastante anterior aos magníficos A Nightmare Before Christmas e The Corpse Bride (respectivamente O Estranho Mundo de Jack e A Noiva Cadáver).

Aponho aqui também o poema que serve a peça (admirem a parecença/reverência ao The Raven de Edgar Allan Poe) Tomem o link : http://youtube.com/watch?v=fxQcBKUPm8o


Vincent *A poem by Tim Burton*


Vincent Malloy is seven years old
He's polite and always does as he's told
For a boy his age, he's considerate and nice
But he wants to be just like Vincent Price

He doesn't mind living with his sister, dog, and cats
Though he'd rather share a home with spiders and bats
There he could reflect on the horrors he has invented and wander dark hallways alone and tormented

Vincent is nice when his aunt comes to see him
But imagines dipping her in wax for his wax museum
He likes to experiment on his dog Abocrombie
In the hopes of creating a horrible zombie
So that he and his horrible zombie dog
could go searching for victims in the London fog

His thoughts aren't only of ghoulish crime
He likes to paint and read to pass some of the time
While other kids read books like "Go Jane Go"
Vincent's favorite author is Edgar Allan Poe.

One night while reading a gruesome tale
he read a passage that made him turn pale
Such horrible news he could not survive
For his beautiful wife had been buried alive

He dug out her grave to make sure she was dead
Unaware that her grave was his mother's flower bed
His mother sent Vincent off to his room
He knew he'd been banished to the tower of doom
where he was sentenced to spend the rest of his life
alone with the portrait of his beautiful wife.

While alone and insane incased in his doom
Vincent's mother burst suddenly into the room
She said, "If you want, you can go out and play
It's sunny outside and a beautiful day."

Vincent tried to talk but he just couldn't speak
the years of isolation had made him quite weak
So he took out some paper and scrawled with a pen:
"I'm possessed by this house and can never leave it again."

His mother said, "You are NOT possessed and you are NOT almost dead
These games you play are all in your head
You are NOT Vincent Price, you're Vincent Malloy
You're not tormented or insane, you're just a young boy
You're seven years old, and you are my son
I want you to get outside and have some real fun."

Her anger now spent, she walked out through the hall
While Vincent backed slowly against the wall
The room started to sway, to shiver and creak
His horrored insanity had reached its peak
He saw Abocrombie, his zombie slave
and heard his wife call from beyond the grave

She spoke through her coffin and made ghoulish demands
While through cracking walls reached skeleton hands
Every horror in his life that had crept through his dreams
swept his mad laughter to terrified screams

To escape the badness, he reached for the door
but fell limp and lifeless down on the floor
His voice was soft and very slow
As he quoted "The Raven" by Edgar Allan Poe:
''And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted... Nevermore.''

DIAGNOSE

Diagnose é mais um filme de Condorcet que visionei e foi esta curta de entre todas as obras que lhe vi a que mais me surpreendeu! É extraordinária!

Diagnose - diagnóstico em alemão (este filme é da fase alemã do realizador coimbrão) dá o mote e triangula o que poderia ser um diagnóstico perfeito, mas que ilustra - em estilo bem lúgubre - uma sucessão de observações médicas erradas que conduzem um desafortunado doente de uma (quase) rotineira intervenção cirúrgica num polegar para uma decadente galeria de intervenções desnecessárias até à morte final!


De destacar a actuação do actor principal que, diz-se, foi encontrado num centro de emprego alemão, procurando hipótese de trabalhar como actor. Este filme, este material, é de grandeza absoluta, é material para o Fantas e para o Indie e com grandes hipóteses de sair premiado e é a demonstração de que temos grandes realizadores por aí trabalhando e esperando abertura ao seu trabalho!

Parabéns!

13 de jun. de 2008

161

Respondendo mais atentamente ao desafio desse paginado 161, busco outro livro com mais páginas do que o outro e que me acompanha também na minha banca de trabalho. O livro é THE CITY SHAPED - URBAN PATTERNS AND MEANINGS THROUGH HISTORY, T&H, Spiro Kostof; específico de urbanismo e da triangulação histórica urbana.

E da dita página extraí, trunquei:

''It is still there [Palmanova - uma cidade no norte de Itália] today, near perfect and sad, proof of how suddenly single-purpose towns turn into anachronisms. The City as a diagram. ''

Desafio da página 161, aceite

"Os meandros da doutrina do Partido não lhe despertavam o mínimo interesse."

Aqui fica esta "migalha" do livro que ando a ler: "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro" de George Orwell. Estou quase a terminá-lo. Será sobre este livro o meu próximo Post, por isso, fico por aqui. :)

FLASH + INOPORTUNO + SINAIS




Apresento 3 curtas de Carlos Pedro Santana, jovem promessa da realização portuguesa; 3 trabalhos - seus ou em regime co-autoral :

FLASH


Com 'a ajuda dos amigos' , num hilariante intróito que abre esta curta, Carlos Pedro Santana filma uma cena de quotidiano interior que nos chega como a filmagem do monótono, da bonomia e da rotina de dentro de casa que poderia anunciar um filme desinteressante logo à partida - tempo perdido, tempo partido. Mas depois surge a surpresa em dois twists sucessivos que vão preenchendo os espaços que ainda não compreendíamos - e tudo vai evoluindo com o aparecimento de flashback.

Surgem aqui os temas do suícidio, da morte, do sexo, tudo enrolado em vista de comprometimento - a mulher e o homem treinam inicialmente todos os clichés de 'como levar uma mulher para a cama' e para Libby, o elemento feminino, a sua perda e do outro é revelada no final de maneira trágica.


INOPORTUNO


Inoportuno é uma curta violenta em que o único a sair ileso é o assassino de facto – todos os restantes matam e violam ou morrem por engano, castigo ou encomenda num pequeno cubículo sanitário de um qualquer espaço que não identificamos (pode ser de uma estação de comboios, de um centro comercial, uma qualquer casa de banho masculina de um parque de uma cidade que também não nos é dado a conhecer).

Matar alguém não é também violar-lhe o corpo e tirar-lhe algo de volta? A intromissão da faca aqui, em penetração de epiderme, é o resto da violação que ficou por consumar e que terminou castigada – da pior maneira possível – com a morte do violador.

A câmara viaja por entre os corpos, em traveling incómodo, levando-nos a entrar ainda mais dentro da cena e a reflectir ao quão descontrolada pode uma casualidade chegar - fatalidades!


SINAIS

Sinais é realizado em co-autoria com André Santos e filma uma cena banal de dia a dia de todos os dias entre dois casais com atitude oposta em relação aos parceiros - enquanto o elemento masculino grita fazendo-se ouvir num dos casais, no outro par o silêncio é castrador. Até que o primeiro cruzar num semáforo leva a troca de olhares entre o elemento masculino do casal calado e o feminino agredido do outro - terminando como previsível: novo encontro e começo.

Esta curta serve-nos um argumento que até é bastante desinteressante - nem boa ideia é, é uma ideia risível - complementando-o de muitas e boas ideias: o granulado do filme, a ausência do som ambiente, a intencional quebra de certas passagens como se fora cartoon (parece-me um trabalho académico). Demontra boas soluções e é bastante criativo também no genérico que me lembra um qualquer filme de Spike Lee de que não me lembro o nome.. Short Bus?

Site realizador: http://www.carlospedrosantana.com/
e onde se assiste ainda a outra curta realizada em co-autoria com Francisco Antunez


Epílogo :: em resposta ao desafio 161 :

Este livro a que cheguei, este meu livro mais perto de mim, este a que cheguei depois do desafio colocado, este volume aqui ali abandonado, este amontoado alinhavado de palavras aqui já à mão de semear, este livro, este livro... não tem 161 páginas, tem 124!

TAKE MAGAZINE

Faz agora um ano que a Hachette deixou de editar a revista Premiere, a única edição ligada ao cinema que tínhamos, com a alegação de que os custos de produção eram elevados e que não suplantavam os lucros. E até hoje, em Portugal, não mais tivemos qualquer edição em papel, ligada ao mundo da 7ª arte. Foi-me falado então que os jornalistas da Premiere se encontrariam a editar on-line desde Março deste ano, uma revista de cinema com a designação “TAKE”. E que o faziam em regime de voluntariado uma vez que nenhuma editora ainda teria assumido a sua publicação em papel.


A revista de Maio (ainda não consta a de Junho) apresenta um layout mais apelativo que a Premiere, com crítica, reportagem, destaques para entrevistas a realizadores e actores portugueses (Teresa Prata de “Terra Sonâmbula”, Nuno Lopes de “Goodnight Irene”), publicidade a festivais de cinema como o Festróia e passatempos. Eu sinto a falta do toque, do folhear da revista. E tu, não sentes? Agora que o público português está mais receptivo ao cinema, que pululam festivais e mostras de cinema cujos calendários se encavalitam nas nossas agendas, em que nos queixamos da falta de projecção dos jovens realizadores nacionais, porque razão não temos uma revista de cinema?

Vê mais em http://www.take.com.pt
Edição em pdf http://www.take.com.pt/pdf/Take3Mai08.pdf


* Comentário-artigo-explosão por Alice B. copypasteado do site do MAL : http://movimentoacordalisboa.com (serve como apresentação mas ainda mais como desejo de retorno de uma publicação portuguesa especializada em cinema).

Wine and Design



Um post de homenagem aos meus amigos e D_escritores arquitectos e engenheiros civis. Um livro de bolso (para aqueles que têm bolsos largos) com imagens e fotos (palavras, só meia dúzia e em meia dúzia de línguas) de adegas, de rótulos, de acessórios. Um bombardeamento visual de coisas bonitas (Sophie! Eu empresto-to!). Português só tem um rótulo do Niepoort, um produtor de Douro e de Vinho do Porto.

12 de jun. de 2008

Desafio da página 161

"Aprendeu a fumar ao contrário, com a brasa dentro da boca, como fumavam os homens nas noites das guerras para não serem denunciados pela ponta incandescente do charuto.", in "O amor nos tempos de cólera", de Gabriel Garcia Marques.

Este excerto é a resposta a um desafio lançado pela minha amiga Sol Sustenido - 'Desafio da página 161', cujas regras são:
1. Pegar no livro mais próximo

2. Abri-lo na página 161
3. Procurar a 5ª frase completa
4. Colocar a frase no blog
5. Não vale procurar o melhor livro que têm, usem o mais próximo
6. Passar o desafio.

Passo o desafio aos restantes D_escritores do Lendas e Legendas.

Eternal Sunshine of the spotless mind



Eternal Sunshine of the spotless mind é um dos filmes mais interessantes que vi nos últimos tempos. Ganhou o Óscar de melhor argumento original, em 2005, e foi precisamente isso que gostei no filme: a originalidade da história!
E a história conta: Joel (Jim Carrey) verifica que a sua problemática relação amorosa está terminada quando descobre que a namorada Clementine (Kate Winslet) o apagou da memória; resolve então fazer o mesmo mas, já a meio do processo de apagar a memória, apercebe-se das coisas boas e tenta parar o processo. O final é surpreendente mesmo!
Gostei muito do filme e fiquei surpreendida (pela positiva) pois não esperava ver o Jim Carrey nem a Kate Winslet num filme assim. Eles estiveram muito bem e provaram que não se deve rotular actores só a um certo tipo de filmes.
O filme ficou a ganhar também com as interpretações de Elijah Wood, Mark Ruffalo e Kirsten Dunst.

Obrigada Alê pela sugestão!

8 de jun. de 2008

MY BLUEBERRY NIGHTS

My Blueberry Nights é um belíssimo filme de desencontros e encontros, de pessoas que se aproximam e que se afastam, de desilusões, de ilusões, de desânimo e ânimo, tristeza e alegria em interrompida sucessão - é a face do amor e do ser humano como ser frágil e em constante irregularidade.

Este 'O Sabor do Amor' - título de promoção para Portugal - é não um 'Como Água para Chocolate' mas mais um 'Disponível para Amar' (também de Wong Kar Wai), a belíssima fotografia e as ideias felizes que percorrem a tela ilustram a evolução de seres necessitados de quem lhes queira, em eterna colisão de paixões - o afastamento entre as personagens centrais surge a meio do filme mas o final é feliz.

Agrada-me sobretudo a parte inicial em que somos conduzidos pelo exterior do café de Jeremy, acompanhando como Lizzie conquista um pouco mais e aos poucos o sabor pela vida enquanto saboreia uma blueberry pie. Cat Power surge linda - como sempre aliás - no papel de Katya e Norah Jones está mais que perfeita no seu papel de uma simples mulher simples e perdida.

As interpretações fecham com uns quantos actores que aprecio: Jude Law (doce doce), Rachel Weisz (uma mulher do sul), David Strathairn (surpreendente) e, principalmente, Natalie Portman. A banda sonora fecha este filme em qualidade suprema: Norah Jones, Cat Power e Ry Cooder. Retirei o amargo da boca por bastante tempo com esta obra poética!

7 de jun. de 2008

ESCOLHA MORTAL

The Proposition é um western de John Hillcoat de 2005 com argumento e banda sonora de Nick Cave - desenrola-se na Austrália de 1880 e surpreende por isso e por trocar os povos ameríndios (índios, nativos americanos) por aborígenes, que a uma vez representam aqui os povos autóctones martirizados.

Este é um filme de género extraordinário que representa o estilo na perfeição, preenchendo-nos a vista com uma excelente fotografia e com muitos das constantes presentes em westerns (chamo-lhe eastern??) que funcionam aqui para nos contar a saga do Gang Burns e do capitão que os persegue. A partir da proposta - the proposition - feita pelo Capitão Stanley a um dos irmãos Burns para capturar/matar outro dos irmãos, os corpos ensanguentados vão-se acumulando em sucessão - nativos e europeus, dezenas e dezenas de mortes violentas numa fiel reconstituição da época com a luta constante entre esses dois povos ainda inconciliáveis.

A absolvição virá apenas no final, após todo o filme ser percorrido de remorsos e de culpa.
A infeliz escolha do título para português não esbate a qualidade do filme que se revela uma boa e amarga surpresa.

1 de jun. de 2008

TRANSFORMERS

Transformers é daqueles filmes de que logo a seguir me esqueci - falamos de que filme, perdão? Ah, Transformers, the Movie, sim sim... Esta obra é um aparato tecnológico, uma desbunda visual, um arremessar constante de mensagens subliminares, de efeitos encantatórios em corropio, é verdadeiramente menos um filme e mais um abuso de efeitos especiais. Deixei-o de lado desiludido - lembrei-me da série T. com que cresci e que adorava e apeteceu-me vê-la de novo, só para me lavar deste gosto amargo com que fiquei...

TROPA DE ELITE

Era para ser um documentário e acabou por se tornar um documento sobre a cruel realidade brasileira na senda dos muitos já feitos; o Brasil tem um inesgotável e infeliz material temático sobre essa crueza e isso é visível nos Carandiru, Cidade de Deus, Favela Rising e isto citando apenas os mais reconhecíveis internacionalmente.

Tropa de Elite é o filme de José Padilha que abraçou o Leão de Ouro de Berlim e que domou o hype extraordinário que o acompanhou em fenómeno só comparável ao Blair Witch Project: antes de estrear em solo brasileiro já o filme era infinitamente copiado e visionado. Vem no seguimento de Ônibus 174 e só abandonou o formato doc desse, depois de Padilha se ter apercebido da dificuldade - leia-se impossibilidade - de conseguir depoimentos claros por parte tanto dos traficantes do Rio de Janeiro (o filme revela o tráfico no morro da Babilônia) como do BOPE (os caveiras, Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do RJ).

Essas duas forças em constante confronto alimentam o filme, vive-se aqui a atmosfera pesada do sobreviver entre as balas perdidas e os apetites do poder dos homens das armas - utilizando esquemas elaborados que atropelam todas as pessoas sem qualquer remorso. O incorruptível Capitão Roberto, oficial do BOPE, serpenteia entre este mundo que a nós nos escapa à compreensão e que para esse cansado polícia é sinónimo de pressão insuportável - acompanhamos as suas subidas constantes aos morros, a sua pequena vitória no semear da bala assassina no corpo de um drogado ou de um grupo de corruptos, partilhamos da sua luta desesperada para manter a família e pela sua humanidade que se vai esvaindo sem travão.

Vejam - sem atavios, sem preconceitos. Aceitem e percebam o quão confortáveis estamos nós, neste pequeno país.

vista em projecção do MAL (http://movimentoacordalisboa.com) no TELHEIRAS FEST

667, O VIZINHO DA BESTA

Esta pequena longa - em antecipada redundância - do meu conterrâneo Eduardo Condorcet, recorda-me Ingmar Bergman por inúmeras razões - pelo jeito teatral em que surge a disposição das personagens no espaço, pelos incómodos silêncios que se prolongam, pela crescente e ruidosa antipatia que se vai instalando entre os quatro elementos da família que nos é apresentada.

Seguindo a lógica da numerologia 666 seria o número da besta, mas este 667 que é o nosso vizinho do vizinho 666, é o tal que se vai tornando em besta - enlouquecendo-se e levando com ele toda a família e ainda tentando puxar-nos também para esse desespero de voyeur com que vigia incessantemente o tal vizinho que nunca vemos (imaginamo-lo pelos comentários do nosso 667). O pai é perturbador, vai-se despedaçando à nossa vista até à combustão final - a Vera é como se fosse um outro Donnie Darko, a incómoda tensão sexual entre pai e filha, que engravida, o filho que se vai instabilizando, a mãe que se dilui em mecanismos cada vez mais automáticos, perdendo-se.

667, O Vizinho da Besta é peça e a peça é peça realmente (os actores estão mais acostumados ao palco e esta produção era para um palco verdadeiramente). Vejam - ficarão surpreendidos por este cinema português mais do que independente - independente mais que perfeito. Gosta-se.

300

300 de Jack Snyder é a passagem para película da obra homónima de Frank Miller e Lynn Varley sobre a mítica batalha das Termópilas que opôs os gregos (cerca de 7000 mil, dos quais 300 espartanos sob Leónidas, um dos dois reis de Esparta) contra um gigantesco exército persa comandado pelo Imperador Xerxes (algo entre 200 mil a 2 milhões de soldados - a discrepância surge a partir dos diferentes relatos da época, Heródoto, Plutarco, etc..).

Feita a triangulação histórica avanço pelo meu entendimento do filme; esta é uma animação épica com gente dentro, não obedece rigorosamente à história [pelo menos aquela que se toma como a mais provável de ter ocorrido] mas apresenta primorosamente a história contada no comic de Miller (numa fiel transposição como já o tinham sido também Daredevil e Sin City - igualmente da sua criação).

O filme desenvolve-se a um ritmo avassalador - de batalha constante e arrebatadora, de sobrevivência de fim, de acelerada métrica de livro de banda desenhada - interessa-me aqui perceber melhor onde começou a grande decadência desse clássico império persa (e da evolução das Guerras Médicas) e de como se resume uma batalha em jeito de longa metragem, episódio de guerra ao detalhe - epopeia sintetizada.

O aspecto muito gráfico do filme - as expressões e as sombras foram retocadas
por computador e todo o filme e as suas paisagens suportam-se sobre fundo azul - não me chocam, aproximam-se sedutoramente à obra de Miller. A coisa mais surpreendente neste filme é descobrir Rodrigo Santoro no papel do imperador ditador deus Xerxes! Vejam, mais de três vezes.

Visto em calmaria de fim de semana pela tarde.

29 de mai. de 2008

Maus filmes ou más traduções?

Hoje escrevo para protestar!
Desde que ando pelas terras de sua Majestade que me apercebi que as traduções dos nomes de filmes são, muitas vezes, muito más. Alguns títulos tornam-se ridículos ao passarem para português!
Uma das estreias desta semana é um bom exemplo:
o filme que tem como título original "Forgetting Sarah Marshall" estreia em Portugal com o título "Um Belo Par... De Patins"! Não podia ser pior!! Ou podia?...
Eu sei que nem sempre é fácil encontrar a(s) melhor(es) palavra(s) para traduzir alguma(s) coisa(s), mas isto é inconcebível!
Já outra tradução de um outro filme me deixou chocada - ainda mais porque dá uma ideia completamente diferente do tipo de filme que é! "Little Miss Sunshine" em Portugal intitulou-se "Uma família à beira de um ataque de nervos". Um filme muito bom, americano mas independente, passa assim a parecer um qualquer blockbuster para teeenagers!
Melhor seria que, às vezes, deixassem o título original, como fizeram com o "Minority Report", que em Portugal teve o "privilégio" de não se tornar "O Relatório Menor" ou "O Relatório da Minoria"! ;)

26 de mai. de 2008

INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL

Este novo Indiana Jones que serve de fecho à saga clássica (será mesmo o capítulo final?) que mudou a história do cinema, das primeiras obras blockbusters da geração dos movie brats - Spielberg + Lucas é um exagero no uso dos efeitos especiais e uma colagem a muita coisa que foi feita entretanto - reconheço aqui os odiosos Múmia 2 e a decadente última série e filme dos Ficheiros Sescretos.

Diverti-me a ver o filme, é verdade, mas perto do fim estava já tão farto de tudo e tudo era tão já mais que visto que já olhava para o relógio vezes seguidas, sinal manifesto de que estava a ser comido pela monotonia. O filme é pejado de referências aos filmes anteriores - detalhe bom para os seguidores, mas entremeia a descoberta do filho do explorador para terminar com um casamento! Indy pode ter um filho, mas casar-se? Um aventureiro não assenta!

Foi uma sessão morna quando se esperava mais e sugiro que o vejam se gostarem realmente do herói - mas preparem-se para o ver mais lento em corpo de duplo.

http://www.indianajones.com/site/index.html

Visto do Saldanha Residence, ao Saldanha, LX

25 de mai. de 2008

DISCURSO DO FILHO DA PUTA + HETEROFONIAS

Partilho dois livros que li simultaneamente do Alberto Pimenta: Heterofonias e o bravo Discurso do Filho da Puta.

Alberto Pimenta é uma figura sempre incómoda e insurrecta - opôs-se abertamente ao regime fascistas português e por isso foi perseguido; intelectual e lúcido, escreveu, encenou, ensaiou e realizou performances e actos teatrais. É das pessoas mais apaixonantes em Portugal e que sempre se preocupou em tudo questionar com perspicácia!

Estes dois livros sintetizam as duas maiores vertentes da obra literária de Pimenta: Heterofonias a teatral, o Discurso a crítica mordaz. O primeiro tem um ritmo contagiante, o segundo um ritmo perturbante e são ambos pedaços fundamentais da nossa literatura underground. Vejam o primeiro como é, um happening posto em palavras para o imaginarmos flutuante sobre um palco, uma poesia visual; o segundo como o derramar de ódios e crítica inflamada ao estado de ser português, um ensaio de sarcasmo.

Da imagem, não consegui encontrar nada do Discurso e tenho-o emprestado, logo ponho aqui um excerto de Heterofonias.

Smart People



Smart People, do mesmo produtor de Sideways, é um filme cómico que mostra que, às vezes, quem mais sabe, é quem tem mais a aprender!
Gostei muito de ver o Dennis Quaid como pai desta família estranha; a Ellen Page volta a estar bem no papel de teenager (como em Juno); o Thomas Haden Church (que também aparece em Sideways) é o irmão adoptado que , embora pareça o mais "perdido", afinal parece ser o que melhor sabe que caminho a seguir; a Sarah Jessica Parker mostra que também fica bem em filmes independentes; e o Ashton Holmes está bastante bem no seu papel de irmão que quer ser a "excepção" na regra desta família (só tenho pena que não apareça mais vezes, mas é precisamente por querer ser essa "excepção" que assim acontece...).

Em dia de estreia do Indiana Jones, resolvi que não queria perder este Smart People (era o último dia no cinema) e lá fui eu com o meu rapaz e mais um casal amigo. Quando chegámos
à sala, espanto!, estava vazia - fomos os únicos espectadores! Mas todos achámos boa ideia :) Tínhamos todo o espaço que queríamos e, como me disse o B., eu poderia fazer mil perguntas sem ninguém me mandar calar!! :) :)
Dá-me pena que os blockbusters (e alguns bastante maus) "passem"
à frente de tanto filme independente (e de boa qualidade!), mas é o que dá a publicidade...
E é por ser amiga do world cinema, que este Lendas e Legendas também existe
- para que filmes bons não se percam por aí. :)

24 de mai. de 2008

A MELHOR JUVENTUDE


Sugerido por amigos que o descreveram extasiados foi-me passado este filme por um desses amigos ainda não totalmente refeito da descrição que me deu: A Melhor Juventude - La Meglio Gioventù de Marco Tullio Giordana.

O filme é épico e essa sensação não chega só pelas seis horas de bom cinema que nos é servido, é extraordinário como se vê tudo de uma assentada, sem monotonia, em gosto crescente de partilha e convivência com a história cheia de percalços desta família italiana - acompanhamos a evolução recente de Itália, com as lutas estudantis de 68, as cheias de Florença, a luta contra a Mafia e o terrorismo de extrema esquerda das Brigadas Rossas. Debatemo-nos ainda ao longo do filme com todas as vitórias e derrotas constantes no ser humano, a irreverência da juventude, o amor, a traição, o suicídio, a decrepitude, a doença, a miséria..

Isto é cinema, belo e presente, merece ser visto e aviso, guardem seis horas porque não irão querer descolar de frente do monitor até ver a resolução de tudo!

Vista em sessão contínua de casa, após noite de borga - perfeito aperitivo para um qualquer domingo de dentro.

21 de mai. de 2008

Máscaras de Salazar


Este livro, veio parar-me às mãos na minha última visita a Portugal, emprestado. Trouxe portanto a mala cheia de livros e muitos deles nem sequer sei do que tratam... Vão ser surpresas para desvendar com o tempo.

Quando me mudei para a Alemanha, quis saber mais sobre o país que me acolhia. E assim fiz, pesquisei, li, e tirei algumas conclusões.

Sobre Portugal, julgava eu saber já bastantes coisas. As notícias da actualidade portuguesa sempre as acompanhei, diariamente, on-line. Mas, e sobre o passado? Um dia, olhei para a minha prateleira de "livros emprestados" e decidi que começaria a ler o livro de que hoje vos falo.

Foram 40 anos de regime Salazarista. Este homem existiu na nossa história, dos portugueses, não o podemos ignorar. Que herança nos deixou este homem? Que influências teve Salazar no Portugal de hoje? Que influência teve nos "filhos do pós 25 de Abril"?

Safou-nos da Segunda Guerra Mundial (com os seus jogos de poder) - "Eu da fome não livro os portugueses, mas da guerra livro", dizia Salazar. Mas não nos privou da Guerra Colonial nem de outros caminhos obscuros por onde nos fez passar: censura, prisões, desaparecimentos, tortura, marginalização e exílio de intelectuais, cientistas, políticos, sacerdotes, militares,...

"Tinha um prazer secreto em afirmar o contrário do que sentia – até o sentir. Era assim com o poder: sempre o negou e sempre o perseguiu; com a humildade: sempre a reivindicou e sempre lhe foi orgulhoso; com os delfins: sempre os incentivou e sempre os tolheu; com os amigos: sempre os paternalizou e sempre os distanciou; com os sentimentos: sempre os desejou e sempre os amputou."

(...)

"Quase tudo em Salazar é secreto, misterioso, insinuado – jogos de espelhos levam para o exterior projecções de si como se não tivesse existência humana, porque a tinha divina.

Olhares de lamina afloram-lhe o rosto ao saber que lhe chamam ditador, monstro, espantalho, devasso; ou santo, pai, sábio, mártir."

Fernando Dacosta in Máscaras de Salazar

Um livro a ler para reflectir.

19 de mai. de 2008

Wallace & Gromit: A close shave



Ontem, na reabertura do meu cinema favorito, vi uma curta-metragem da fantástica dupla Wallace & Gromit.
Já conhecia, mas é sempre divertido vê-los novamente!
Aqui fica uma parte de A Close Shave - infelizmente não consegui encontrar o resto... Mas no site oficial dá para ver mais algumas partes das curtas - é só clicar em watch online (mas não tem legendas...).

15 de mai. de 2008

Breve História de Quase Tudo


“Se há uma lição a tirar deste livro, é que temos uma sorte enorme em estar aqui – e quando digo “temos”, estou a referir-me a todo o ser vivo. Ao que parece, conseguir ter qualquer tipo de vida neste planeta é uma grande proeza. Claro que, como seres humanos, temos sorte a dobrar: não só gozamos o privilégio de existir como ainda temos a extraordinária capacidade de apreciar a vida e até, de muitas maneiras diferentes, de a melhorar. É um talento de que só muito recentemente começámos a ter consciência.
Chegámos a esta posição eminente num período espantosamente curto. Os seres humanos modernos em termos de comportamento – ou seja, pessoas capazes de falar, de criar arte e organizar actividades complexas – só existem há um período correspondente a 0,0001 por cento da história da Terra. Mas sobreviver, mesmo nesse curto período, tem exigido uma cadeia quase infinita de momentos de sorte.
Estamos, na verdade, no início de tudo. O difícil, agora, é termos o cuidado de nunca chegar ao fim. E isso, quase de certeza, vai exigir muito mais do que simples sorte.”

Bill Bryson in Breve História de Quase Tudo


Para mim, foi uma delícia ler este livro!
O autor percorre cronologicamente acontecimentos científicos da história do nosso planeta, mas não só! Conta-nos também sobre as pessoas que neles interviram, como funcionava a comunidade intelectual científica de cada época, e muito de vez em quando “quem era casado com quem” e “quem gostava de quem”. E explica como no mundo da ciência tudo pode ser descoberto por uma questão de acaso, sorte, enganos e/ou persistência, mas principalmente de muitos anos de trabalho. Teorias que deram corpo a outras teorias, décadas mais tarde... Mas fá-lo de uma maneira tão clara e divertida que nos leva a carregar o livro para todo e qualquer lado, na esperança de se ter 5 minutitos de pausa para se poder avançar mais umas páginas.
Este livro é o resultado de uma extraordinária pesquisa que durou anos, de volta de duas perguntas: “E como é que se sabe isto? Como é que descobriram?
Simplesmente, delicioso.

14 de mai. de 2008

BLU

Magnífica animação de street art argentina, BAires e Baden - partilho :

http://www.zappinternet.com/video/QeYbXerGoc/Muto

13 de mai. de 2008

MORTE EM VENEZA



















Morte em Veneza (Der Todt in Venedig) de Thomas Mann, é uma comovente descrição da decadência de um conhecido escritor - Gustav Aschenbach - por Veneza, apaixonado, fenecendo, decaindo, derrotando-se, mostrando-se, aniquilando-se completamente; partilhando connosco cada passo tomado pela cidade da Lagoa, Veneza e Lido (pelo existente mas com fictício nome de Hotel dos Banhos). Tadzio é a sua paixão e cada olhar conquistado representa uma vitória mais para o velho escritor, entre a sua solidão e os seus arrebatamentos de artista. Este ser assexuado cai e decai perante a doença - cólera asiática - e perante estoutra doença, talvez tão fatal, o amor.

Fui apontando as antíteses que fui encontrando - mas muitíssimas mais existirão:

Veneza vs Munique
Cólera vs Paixão
Juventude vs Velhice
Viagem vs Conformismo
Interior vs Exterior
Doença vs Amor
Efemeridade vs Perenidade

Outras observações interessantes que fui fazendo e apontando:

1_Segundo Cícero : Motus Animi Continuus - reside a eloquência nos momentos lúcidos de produção contínua
2_ Aproximação a Veneza por mar é algo que me lembra a descrição de Pessoa no seu livro-guia sobre Lisboa: What the tourist should see. Esta é a maneira ideal de nos aproximarmos e entrarmos numa cidade marítima.
3_Este é uma Lolita masculina, não por Nabukov, mas por Mann e sem a imensa reciprocidade e carnalidade, apenas platonismo
4_TInha visto primeiro o filme de Luchino Visconti que achei belíssimo - duro e trágico
5_Descrição perfeita de Veneza na página 97 - não irei transcrever, leiam!
6_Imagem do filme de Visconti, com Tadzio em 1º plano e Aschenbach em fundo.

O livro (e o filme) são belíssimos, são muito mais que uma mera atracção proibida escalpelizada ao ínfimo detalhe da aproximação e da tentativa, é a dissertação sobre o estado de alma do ser solitário e do pensamento do observador - escritor! Leiam + vejam!