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15 de fev. de 2010

O TIGRE E O DRAGÃO


















Grandioso, épico, mitológico e físico filme - um dos dois de Ang Lee que vi ultimamente sendo o outro o Eat Drink Man Woman já aqui comentado (Comer Beber Homem Mulher de 1994 e que já tem remake americano chamado de Tortilla Soup de 2001). 
 
Este Wo Hu Cang Long (2000), chamado pelo mais conhecido título americano de Crouching Tiger Hidden Dragon abriria totalmente as portas de Hollywood a Ang Lee já depois do Sense and Sensibility (1995) e depois com Hulk e com Brokeback Mountain.
 
Ang Lee é um realizador extraordinário, um daqueles dignos de não ostentar obviamente um sinal de marca, espraiando-se por todos os géneros possíveis dentro do cinema, versatilidade máxima. O mais incrível é que consegue manter o nível de qualidade padrão dos filmes que dirige muito acima do regular ou médio seja em que formato esteja a trabalhar.

Visto nas Flores Sessions, Lx

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3 de jan. de 2010

EAT DRINK MAN WOMAN



















Magnífico filme de Ang Lee - um dos três da sua fase de Taiwan, antes da aclamação com Brokeback Mountain, e que o  revelou um realizador detentor duma irregularidade bastante curiosa, no meu entender.

A sequência inicial em que o protagonista prepara o jantar de Domingo é encantatória - Chu esmera-se na cozinha pois é a forma que tem de comunicar com as suas três filhas, e é pelo detalhe da confecção, pelo esmero que tem na cuidada mistura dos ingredientes e na obtenção do sabor perfeito dos seus elaborados cozinhados tradicionais chineses que ele (mestre cozinheiro semi-aposentado) lhes tenta chegar.

Os jantares de Domingo são um ritual a que as filhas tentam silenciosamente escapar - ele, viúvo e com o seu mais necessário sentido desaparecendo, o paladar. Elas, três irmãs tão diferentes entre si no que fazem em vida mas tão idênticas no que buscam - o amor. O pai lentamente se vai aproximando delas à força de garfadas de vida enquanto que para cada uma delas a composição do prato do amor se prepara com resultados bem distintos, ora em excesso de tempero, ora em perfeição para o palato, ora agridoce ou insonso e talvez ainda bem amargo.

Os filmes que nos conquistam pela boca, os filmes que no enchem os olhos, os filmes que vivem de afeições de sabores, de cozinha, de tachos e panelas e dedicações às papilas gustativas. Lembrei-me agora assim de repente de Chocolate e do Como Água para Chocolate, filmes desde livros onde é o paladar (e o olfacto e a visão e até o tacto - que os sentidos dançam todos em proveito do estômago) o centro do prazer. Ou ainda, lembrei-me agora, do truculento O Cozinheiro, o Ladrão, a Sua Mulher e o Amante Desta. A vida é um prato - há que a saborear demorada e prontamente. Ou engasgarmo-nos no processo.

Visto na Flores Sessions , Lx

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