Mostrando postagens com marcador teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teatro. Mostrar todas as postagens

10 de ago. de 2009

Publicações Artistas Unidos



Escolhi esta imagem de entre tantas publicações saídas ao prelo pelos Artistas Unidos porque o tenho e porque me recordo perfeitamente de ter visto a peça do meio entre as três. Sempre admirei o trabalho deste colectivo de actores lisboetas que aliam esta aventura editorial dos Livrinhos de Teatro a uma produção contínua, profícua e dinâmica seja desde a sua sede ainda emprestada na Graça, o Convento das Mónicas ou a partir de gravitações mais ou menos intermitentes pela Malaposta, pelo IFP ou outros - enquanto não voltam de justiça para a sua natural e anterior sede no Teatro Paulo Claro no Edifício Capital ao Bairro Alto.

Sei que já se removeram bastantes barricadas quanto a isso e se quiserem saber mais da polémica e das sugestões para a recuperação e reconversão do edifício pelo Arqto Pedro Maurício Borges espreitem o site.
Enquanto isso desfrutem das peças e acompanhem-nas com a leitura destes livretos de bolso que se encontram na pequena livraria na entrada no Convento das Mónicas.

Lidos e vistos de Jean Luc Lagarce (Music Hall e As Regras da Arte de Bem Viver na Sociedade Moderna) no Instituto Franco-Português

Lido e visto de Juan Mayorga (Hamelin) no Convento das Mónicas

Ambas as peças e publicações pelos Artistas Unidos.
AU > http://www.artistasunidos.pt

20 de mar. de 2008

HAMELIN

de Juan Mayorga

Partilho um outro livro de teatro, revelando revelando-me como verdadeiro apaixonado pelas artes performativas e pela dramaturgia. Apresento Hamelin, de Juan Mayorga, levado à cena em LX PT pelos Artistas Unidos no belíssimo espaço do Convento das Mónicas, à Graça; fruto de uma consistente encenação conjunta num espaço ainda provisório (aparte: espera-se resolução sobre o espaço d' A Capital, Teatro Paulo Claro, para a justa devolução de um espaço teatral ao coração do Bairro Alto e também como prometida sede para diversas companhias de teatro da capital, como os AU, vide polémica no sítio destes).

Sendo um texto de tão específico género literário - um texto de teatro, um texto dramatúrgico - para mim funciona de maneira tão própria, mecânica, quase teatral, porque preciso sempre de assistir ao trabalho materializado antes de me permitir ler o texto em que se baseou. Porque são linhas de trabalho, são linhas de pensamento, é um guia, é um guião, é um texto ainda em construção que se finaliza em palco. Por isso é que é necessário antes de ler qualquer peça exposta em papel, vê-la primeiro representada! Porque então será magnífico porque a cada passagem há uma imagem que se nos aparece, que se relaciona com o que vimos, que nos faz sorrir; seja ao relembrar a expressão daquele actor, a luz a incidir - contrapicada - sobre aqueloutra actriz, ao rever o monólogo cuspido sobre o público, os trejeitos, os jeitos e os gestos em palco, a esquerda alta ocupada e a direita baixa livre, tudo!

Penso e apresento agora Hamelin, que nos perturba com uma história bem actual retratando a pedofilia e contribuindo com outras pequenas tragédias humanas paralelas: Monteiro, um juiz, pai, homem, resoluto em descobrir e condenar os culpados, que em casa é um pai distante e que sente fascínio por Raquel, uma outra mulher na sua vida. Monteiro projecta o seu ainda possível amor de pai sobre a criança que tenta salvar e proteger, o pequeno Zé Maria. Os dramas familiares, os bairros pobres, as extremas condições de vida numa família numerosa sem condições, tudo isto apimenta o cenário de aflição e quase incapacidade de resolução que nos é servido.

Hamelin é todo aquele que manobra como quer sem respeitar nada nem ninguém, atropelando quem quer sem ser desviado desse caminho; somos todos nós também, que seguimos ainda indiferentes perante muita coisa má, sem revolta, sem comentário. Recomendo mas com esta nota importante: vejam primeiro a peça.

nota :: da colecção de Livrinhos de Teatro dos Artistas Unidos X

3 de mar. de 2008

SARAH KANE :: TEATRO COMPLETO

Recomeço a minha participação (diversos problemas pessoais castradores adiaram-me) com uma colectânea difícil - talvez se tenha tornado ainda mais difícil a leitura pelo momento estranho em que vogava até há uma semana atrás e que o livro acompanhou, suavemente, não alimentando o meu mal estar, mas acrescendo imagens e imagens à minha percepção de decadência do ser humano.

Falo de Teatro Completo de Sarah Kane, edição disponível em português pela Campo de Letras dentro da colecção Campo do Teatro, n11, com tradução de Pedro Marques e que inclui as peças BLASTED, PHAEDRA'S LOVE, CLEANSED, CRAVE e 4:48 PSYCHOSIS, respectivamente Ruínas, Amor de Fedra, Purificados, Falta e 4:48 Psicose.

A obra desta dramaturga e encenadora inglesa é demasiado intensa para que ao lê-la não se pressinta algo de mau espreitando dentro de nós ou vindo do outro, é demasiado vísceral, truculenta, desumana, carnívora da nossa espécie! Deveria ser catalogado, caso existisse uma óbvia catalogação, de obra para adultos, não comestível por um qualquer, acessível apenas a não impressionáveis e a capazes de aperceber, na construção do texto de Kane e da desconstrução mental que se lhe segue bem de perto, da réstea de esperança na absolvição e redenção do homem e da mulher.

Centrei-me na peça 4:48 Psychosis que é um contínuo grito de Sarah posta em palco - é ela a personagem e dramaturga, é a ela que vemos, é aqui que ela se revê, nesses momentos íntimos, cheios, vazios, ocos, finais, até a essa última hora, as 4:48 da manhã.

Aconselharia este livro a quem não se importe de levar um soco fortíssimo no estômago e lhe consiga sobrevir! É de ler, no entanto e atentamente. A leitura é diferente porque se trata de uma peça de teatro e é a primeira que aqui se expõe / propõe. Eu por mim também foi a primeira que li sem ter visionado antes a peça - normalmente é um caminho que percorro, após ver a peça e caso esta me tenha marcado, compro o livro.

curiosidades :

1.As peças foram todas postas em cena em portugal pelos Artistas Unidos e encontra-se em produção pelo Estúdio Zero - As Boas Raparigas do Porto o 4:48 psicose.
2.Blasted foi composto ainda quando Kane frequentava o curso de artes em Bristol
3.Crave foi escrito sob o pesudónimo marie kelvedon
4.Kane também escreveu o guião para uma curta, Skin.

enlaces :

artistas unidos
as boas raparigas